Uma aluna recém-alfabética não lê em voz alta. Como incentivá-la?

Neurilene Martins responde a dúvidas sobre sala de aula

POR:
NOVA ESCOLA
Neurilene Martins,

Neurilene Martins,
doutora em Educação e professora do curso de Pedagogia do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge)

Pergunta enviada por Mariza Medeiros, Fortaleza dos Valos, RS

O primeiro passo é não obrigá-la. Esse tipo de exposição pode gerar constrangimento e insegurança. Além disso, ler em público envolve comportamentos leitores muito distintos de quando se faz isso de forma privada e, de modo geral, desafia tanto crianças quanto adultos. No caso de alunos recém-alfabéticos, os obstáculos são ainda maiores, já que eles precisam coordenar processos cognitivos de interpretação com outros relativos à fluência. Para que todos os estudantes - incluindo aquele com mais dificuldade - leiam em voz alta, é preciso propor situações didáticas em que eles vejam razão para se arriscar e que garantam condições para que o aprendizado dessa modalidade de leitura aconteça. Também é importante abordar esse procedimento de forma progressiva. Conhecer com antecedência o texto a ser lido, poder ensaiar com o apoio de um leitor experiente, ler junto com os colegas para só depois tentar sozinho e encarar grupos menores antes de ler para a sala toda são alguns mecanismos que auxiliam nesse processo. Proponha atividades diferentes, como pequenos jograis, que envolvem leituras coletivas, saraus de poesias e iniciativas com músicas, que ganham mais sentido ao ser oralizadas. Além disso, ações habituais, em que a criança leia para anunciar a lista de aniversariantes do mês ou para divulgar os livros da biblioteca disponíveis em classe, podem ser exploradas na sala. Assim, a autonomia de cada um se torna o ponto de chegada e não de partida no processo de aprendizagem.


Foto: Valter Pontes

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