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Bolinhas e crianças por todos os lados

Conheça seis propostas de brincadeiras para incorporar à rotina dos pequenos

POR:
Paula Peres, Elisa Meirelles e NOVA ESCOLA
Brincadeiras para incorporar à rotina dos pequenos. Fotos: Emma Kim, Picture Partners, Kidstock. Ilustração Bruno Algarve

Crianças até 3 anos ainda estão começando a se apropriar da linguagem e, com isso, vão conhecendo o mundo ao redor. Algumas terão, no futuro, lembranças da Copa do Mundo, mesmo que hoje ainda não entendam o que é o evento. Na creche, você não precisa incluir diretamente o tema no planejamento, mas pode aproveitar essa época para trabalhar movimentos com bolas. Para alguns dos pequenos, pode ser o primeiro contato com o objeto. 

Ana Paula Yazbek, coordenadora do Espaço da Vila, em São Paulo, sugere seis atividades que podem ser trabalhadas com as turmas da creche. As propostas não foram pensadas para aprimorar ou desenvolver uma aprendizagem específica, mas para potencializar situações de uso de bolas e atividades de interação e brincadeira. "Os pequenos não vão ficar mais habilidosos na manipulação desses objetos, pois ainda não têm tamanho para isso. O importante é que tenham vivências relacionadas a atividades físicas", explica. As propostas podem ser feitas em 15 minutos diários ou em meia hora semanal. Cabe a você organizá-las na rotina como achar melhor. 

Para começar, faça uma seleção de bolas com a maior variedade possível de texturas, cores e tamanhos, priorizando as mais macias. Elas podem ser de borracha, tecido, pelúcia, plástico, como as usadas nas piscinas de bolinhas, feitas de jornal e fita crepe. Separe, também, três cestas plásticas e um tecido grande, flexível, de preferência, bem colorido. Marcelo Jabu, coautor dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na área de Educação Física, lembra que é preciso ter ao menos uma bola por criança. "Ela tem de se apropriar do objeto sem competir. Caso contrário, surge uma disputa, e não uma exploração."

A primeira atividade pode ser feita tanto com bebês quanto com crianças um pouco maiores. Reúna a turma em roda e convide-a a tomar um banho de bolinhas. Pegue uma cesta com bolas variadas, levante-a e despeje lentamente sobre todos, ao mesmo tempo em que anuncia: "Chuva de bolinhas!". Peça que ajudem a juntá-las e recomece a experiência. "Com essa faixa etária, é interessante apresentar novas propostas, mas vale repeti-las com certa regularidade para que se apropriem da brincadeira", explica Ana Paula. 

Algumas crianças podem se assustar com a novidade. Convide todas a participar, mas esteja atento às reações. Se notar apreensão, tente tranquilizá-las conversando sobre o que está acontecendo, fazendo comentários como "Nossa, que bagunça!", deixando que cada um faça a leitura do ambiente. Se alguém se recusar a brincar, respeite a decisão e veja se é necessário oferecer-lhe colo ou colocá-lo em um espaço diferente ou livre para fazer outra coisa que desejar. 

Após essa chuva, proponha que os pequenos usem as bolinhas como se fossem sabonetes, passando-as pelo corpo. A atividade é recomendada aos maiores de 1 ano, que já compreendem os pedidos do professor. Deixe a turma livre e aproveite para observar como todos lidam com os objetos. Se quiser, escolha canções ligadas a banho para cantá-las. Socialize as descobertas e peça sugestões: "Vamos passar a bolinha em qual parte do corpo dessa vez?". Após eles demonstrarem, imite o que fizerem. "Nessa fase, as crianças são sensoriais e aprendem muito por imitação. Conhecem o vocabulário gestual por meio da cultura, e isso é feito durante a observação dos demais", diz Isabel Filgueiras, assessora da área de movimentos do Instituto Avisa Lá e professora de Educação Física da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Opção para os que já sabem andar

Brincadeiras para incorporar à rotina dos pequenos. Foto: Oana Szekely. Ilustração Bruno Algarve

A terceira sugestão vale para os que já andam e consiste em propor que levem bolinhas de uma cesta a outra. Encha a primeira e deixe-a a uma distância de 10 a 15 metros da segunda, colocando-a em uma altura que possibilite alcançarem ao levantarem os braços. Se quiser dar mais ritmo à brincadeira, fale repetidas vezes: "Bola, bola, bola, bola, bola!". Pare quando a criança colocar a bolinha dentro da cesta. 

Para a próxima atividade, estenda no chão o tecido grande e proponha que cada um segure um pedaço. Coloque várias bolinhas sobre ele e diga que vão brincar de pipoca. A ideia é fazê-las saltar e cair no chão, imitando o movimento do milho na panela. Você pode cantar músicas sobre o tema ao longo da brincadeira. Os pequenos devem ajudar você a balançar o tecido até todas caírem. Recoloque-as no centro e reinicie o jogo. Valem desafios como: "Agora vamos tentar não derrubar nenhuma bolinha?". 

A sugestão seguinte requer imaginação. Convide os pequenos a brincar de "urso e abelhas". Pergunte se conhecem o jogo e explique as regras: eles serão as abelhas, você o urso e as bolas os potes de mel. As abelhas têm de pegá-las enquanto o urso dorme e levá-las de volta para a colmeia. Se ele acordar, devem correr e se esconder. Por causa da idade, é natural que nem todos se envolvam com a história. Não se preocupe se alguns passarem mais tempo explorando os materiais, sem seguir seus comandos. 

Por fim, em outro dia, organize o mesmo espaço da sala, disponibilize os materiais utilizados (bolas, cestas e pano) e observe as ações das crianças: elas se organizam para brincar? Se interessam pelas bolas ou logo as abandonam? Aproximam-se delas e reproduzem alguma ação que já foi trabalhada anteriormente? Elas exploram os objetos de um jeito novo? Qual? Buscam a figura do professor para propor alguma tarefa? Essa etapa de exploração livre pode ser feita, também, logo no início das atividades. 

Para os bebês, foque em oferecer os objetos e deixar que eles construam um repertório de possibilidades. Uma bolinha vai rolar, outra vai ficar mais perto, uma vai quicar mais, outra menos, uma vai amassar quando eles apertarem, outra não. "O bebê vai criando a ideia de causa e efeito, notando que cada ação sua tem uma reação na bola. Isso, na prática, vai virar a primeira noção de ?se faço isso, ocorre aquilo?. Ele ainda não terá claras essas informações, mas vai experimentá-las, e isso é muito importante", explica Isabel.

1 Seleção de materiais Para começar, escolha bolas de cores, texturas e tamahos diversos. Podem ser de plástico, borracha, papel etc. Separe também três cestas plásticas e um tecido grande e colorido. 

2 Brincadeiras variadas Faça seu planejamento de modo a incluir as brincadeiras com bolas na rotina dos pequenos. Aproveite as sugestões desta reportagem e proponha outras de acordo com a turma. 

3 Exploração livre em sala Reserve um tempo para que as crianças explorem livremente os objetos usados nas outras etapas. Observe atentamente essa interação, sem intervir. Veja se elas trazem referências das brincadeiras anteriores e incluem novas ideias.

 

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