Reportagens | Tempo | Reportagens

Cada minuto conta

Como a gestão pode evitar o desperdício de tempo e ter tolerância com imprevistos sem precisar ser autoritária

POR:
Pedro Annunciato, Alice Vasconcellos e Gustavo Heidrich

Dezenas de salas, centenas de alunos, espaços limitados e currículo extenso para pouco mais de quatro horas - em dois ou até três períodos. Essa é a realidade desafiadora de ao menos 58% das escolas públicas que, segundo o Censo Escolar, não funcionam em regime integral.

Gestores dessas instituições precisam dedicar atenção ao tempo escolar, o sistema de normas que organiza os períodos dedicados a cada atividade. Quanto tempo para o intervalo? Haverá rodízio de turmas no refeitório? Permitiremos entrada após o início das aulas? "Todas as ações, das matrículas à semana de avaliação, estão condicionadas a essas padronizações. Elas surgiram com a universalização da Educação e a necessidade de regrar o atendimento de tantos estudantes", explica Rita Gallego, doutora pela USP e referência no estudo do tempo escolar.

Há dois inimigos: a rigidez excessiva dos hórários - que prejudica os ritmos individuais - e as perdas desnecessárias. As aulas brasileiras têm 32 minutos de ensino contra 18 de organização da sala, diz o Banco Mundial. Nos países desenvolvidos, a média de aproveitamento é de 85%. "A saída é o equilíbrio: algum controle para garantir que a rotina seja cumprida e a tolerância para lidar com contratempos", conta Silvana Tamassia, primeira gestora a ganhar o prêmio Educador Nota 10. Veja dicas para aliar eficiência e flexibilidade em cinco momentos.

 

SEGUE O FLUXO

Estabelecer combinados minimiza problemas na gestão do tempo

 

Entrada

Deixe claro para os pais os horários fixos de entrada e saída. Estabeleça regras para atrasos, como o tempo de tolerância, que deve ser de até 15 minutos. Converse em tom positivo, mostrando que a pontualidade evita a perda de momentos importantes da aula e colabora para que toda a classe mantenha o ritmo. Mandar o aluno de volta para a casa - especialmente se for pequeno - não é uma opção. Em casos recorrentes ou extremos, vale uma conversa com o estudante e a família.

 

Sala de aula

Dois grandes ralos são a troca de aula e o preparo de materiais. Determinar quem deve se deslocar na troca é uma decisão que depende das condições do espaço. Quando é o docente que vai à sala, o gestor pode criar meios de articular a equipe para antecipar movimentações. Um exemplo: se um professor vai fazer uma atividade em roda, ele pode pedir ajuda ao que o antecede: "Ao sair, diga para a turma mudar as cadeiras de posição para o próximo período."

 

Recreio

O recreio é o momento para que os alunos interajam e relaxem. Isso precisa ser respeitado. Por isso, é fundamental evitar filas na merenda ou no banheiro. Se a escola possui um pátio com baixa capacidade, a melhor saída é organizar recreios escalonados, para que menos alunos utilizem o espaço ao mesmo tempo. Também é importante oferecer possibilidades de lazer e descanso como cantos de leitura, música e brincadeiras mais livres no parquinho ou na quadra.

 

Reunião com os pais

Quando muitos pais atrasam, fica a dúvida: "Começar mesmo assim?" A escola precisa ser firme em combater a cultura do atraso, mas sempre com cordialidade. Comece no horário combinado, ainda que com baixa presença e só retome assuntos imprescindíveis. Por outro lado, é fundamental não estender a reunião além do combinado. A gestão precisa elaborar uma pauta clara, com tempo para cada etapa, e enviá-la aos pais já na convocação.

 

Formação e planejamento

Elabore um roteiro e um cronograma para os encontros e compartilhe com a equipe. O uso do tempo pode ser o próprio objeto da formação. Proponha um diagnóstico dos momentos em que a equipe percebe que há desperdício e elabore um conjunto de medidas para reverter o quadro. Elas podem ir desde a reorganização do almoxarifado, para facilitar a localização de materiais, até a readequação da grade.

 


Ilustração: Olavo Costa