Seções | Gestão em rede | Artigo

Saiu o resultado do Ideb! O trabalho começa agora

Em vez de fazer rankings com o resultado do Ideb, o ideal é utilizá-lo para aprimorar as propostas de ensino da escola

POR:
NOVA ESCOLA
CYBELE AMADO DE OLIVEIRA,

CYBELE AMADO DE OLIVEIRA,
pedagoga e presidente do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (Icep)

Todas as escolas públicas do Brasil receberam, em setembro, os resultados da Prova Brasil e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de seu município. Foi uma imensa alegria quando vi que os locais em que o Instituto Chapada atua obtiveram os mais altos indicadores da Bahia. Ibitiara, o melhor resultado entre as 417 cidades do estado, passou de média 4 em 2013 para 6,5 - bem acima da meta prevista, 5,3.

O bom índice é fruto de bastante trabalho, que precisa ter continuidade. Mas o intuito não deve ser a construção de rankings, comparando escolas ou municípios. Os resultados são importantes fontes de informação para fazer reflexões e organizar o planejamento, a fim de aprimorar o trabalho pedagógico e ajudar as crianças e os jovens a alcançar as aprendizagens necessárias e almejadas durante a fase de estudo.

Tudo começa com a análise dos resultados que a escola obteve o estudo dos descritores da Prova Brasil, que são o detalhamento das habilidades que o estudante deve dominar. Com a tabulação dos resultados, diretor, coordenador pedagógico e professores de cada instituição se unem para identificar os pontos em que os alunos tiveram mais dificuldade. Em encontros pedagógicos, decidem o que precisa ser revisto para suprir as lacunas. No caso de Ibitiara, um dos principais desafios era levar os estudantes a localizar informações explícitas em textos narrativos ou entender o assunto tratado.

Em resumo, precisávamos investir nos descritores ligados à compreensão de texto. Primeiro, a equipe de cada escola estabeleceu metas próprias. Em seguida, elaborou sequências didáticas que focassem a habilidade de ler para entender não apenas em Língua Portuguesa, mas nas diferentes áreas de conhecimento. Para que o plano fosse efetivo, previmos atividades de leitura tanto nas aulas regulares quanto no contraturno. Uma das iniciativas mais bacanas foi a organização de propostas de trocas entre salas. No compartilhamento de resenhas, por exemplo, os alunos tinham de contar para os colegas de outra turma - prevendo um leitor de verdade, portanto - sobre as leituras que tinham feito e o que mais gostaram.

A avaliação passou a ser constante. Professores e gestores revisitavam planilhas de acompanhamento e portfólios que mostram como os alunos estavam avançando e o que precisava ser reforçado. De três em três meses, as instituições realizavam novos exames para aferir o nível de cada turma e do conjunto da escola, fazendo as correções necessárias. Outra ação essencial foi comunicar às famílias os resultados dos estudantes. Durante as reuniões, discutiam com os pais como ajudar em casa para fazer da leitura um hábito.

Vale ressaltar que apesar de o Ideb ser um indicador relevante, há muitos saberes que ficam de fora da Prova Brasil e que devem ser desenvolvidos pelos estudantes. Esses conhecimentos também precisam ser acompanhados.


Ilustração: Adriana Komura

Compartilhe este conteúdo: