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Eleição: hora de ajudar nas políticas de Educação

Para um ensino de qualidade, a comunidade escolar deve fazer sua parte pela continuidade de boas práticas

POR:
NOVA ESCOLA
Cybele Amado de Oliveira,

Cybele Amado de Oliveira,
é pedagoga e presidente do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (Icep)

Mês que vem haverá eleições municipais. É inevitável pensarmos em todos os problemas que enfrentamos diariamente na Educação e sobre como é importante conhecer as propostas dos candidatos para votar direito. Afinal, cabe ao eleito escolher no que investir e o que abandonar em relação à gestão que se despede. Aí mora o problema: sabemos que a descontinuidade de políticas públicas é recorrente nas mudanças de governo. Por essa razão, não podemos deixar apenas nas mãos dos dirigentes o poder sobre essas decisões. Para termos um ensino decente, nós, da comunidade escolar, também precisamos nos envolver nas decisões políticas.

Na Chapada Diamantina existe um modelo bem-sucedido nesse sentido. Gostaria de compartilhar com vocês para, quem sabe, inspirar ações na sua cidade. São os Fóruns Escolares. Com essa ferramenta, as escolas tornam-se agentes de mobilização social, ajudam a garantir a perenidade das ações e a contemplar as necessidades locais. Qualquer gestor escolar pode pedir à Secretaria de Educação do seu município a criação de um fórum desse tipo. Funciona assim: a equipe gestora de cada instituição chama pais, alunos, funcionários e demais moradores do entorno para encontros na escola. A ideia é elencar prioridades para todos em relação à Educação. Normalmente, as discussões ocorrem no mesmo dia da reunião de pais. Desses momentos, sai uma lista do que cada comunidade escolar deseja para ter um ensino de qualidade. Cabe aos membros da secretaria reunirem as solicitações.

Em seguida, já durante o período eleitoral, realizamos o Dia E. Trata-se de um fórum aberto a todos e organizado pela equipe técnica da rede. Os candidatos às eleições do Executivo e do Legislativo são convidados a discutir os programas que já existem e que devem ser mantidos, ouvir as propostas levantadas pelas escolas para a área e fazer parte da elaboração de uma lista final com as prioridades, que são votadas por todos os presentes, incluindo os educadores de cada instituição. O resultado final é uma carta de intenções que os políticos assinam, se comprometendo publicamente em concretizar o que foi aprovado.

Nesse mesmo dia, forma-se uma comissão de avaliação das ações. É esse conjunto de pessoas que acompanhará o cumprimento da carta, se reunindo mensalmente para compartilhar os resultados obtidos e pensar em caminhos para as metas ainda não alcançadas. Os prefeitos recebem informações constantes da comissão além de um cartaz com as principais ações, para que não se esqueçam do combinado.

Dá certo? Ao menos nossa experiência tem sido muito positiva. Com a estratégia dos fóruns, conseguimos na Chapada Diamantina que cerca de 80% das propostas das comunidades fossem realizadas. É a mobilização social que impede que as decisões sejam tomadas somente dentro do gabinete do prefeito.


Ilustração: Adriana Komura

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