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Sua escola enviou uma solicitação de amizade

Use o Facebook com responsabilidade para se relacionar com as famílias

POR:
leonardo de sá, Fernanda Salla e Victor Malta

Em nossos perfis pessoais no Facebook, cada um de nós pode publicar o que quiser. Vale - ou deveria valer - a regra de ouro do bom senso: evitar ofensas, maneirar na superexposição, não divulgar memes ou notícias sem comprovar a autoria e a veracidade das informações, essas coisas. Quando falamos de uma fanpage institucional, tudo isso continua valendo, mas a precaução é redobrada (veja alguns cuidados nos quadros que acompanham esta reportagem). Uma comparação interessante é pensar na sua escola como uma marca. Como toda marca, ela tem uma reputação a zelar. E aí há duas medidas básicas. Primeira: planejar o que merece divulgação. Segunda: ter responsabilidade pelo conteúdo (sobretudo se envolver crianças) para não passar a mensagem errada ou causar problemas a alguém.

Comecemos pelo planejamento. Na raiz de tudo, a pergunta essencial é saber para que criar uma fanpage da escola. Esse tipo de página deve estar a serviço da democratização da informação entre ela e a família dos alunos. "Hoje, temos um grande número de celulares conectados à internet nas mãos dos 

brasileiros. É uma forma de chegar mais perto daqueles que não conseguem estar presentes na escola", afirma Jane Reolo, pesquisadora, consultora da área de tecnologias da informação e comunicação (TIC) e diretora da EMEI Alceu Maynard de Araújo, em São Paulo, que adotou o Face para se comunicar. "Eu penso nas publicações como pílulas do que os alunos fazem na escola. A intenção é que os pais criem um referencial para conversar com  os filhos em casa?, afirma Jane. Além disso, a gestora conta que eles costumam entrar na página da escola, interagir e compartilhar os posts com os conhecidos. "Assim, ampliamos e fortalecemos os laços entre essas duas esferas da vida."

Quando essa intenção é cumprida, os pais podem acompanhar o processo de aprendizagem dos filhos por meio de fotos e vídeos das atividades realizadas, além de se informar sobre os eventos, como reunião de pais, e entender os objetivos pedagógicos e os valores que regem a instituição ao fazer as leituras sugeridas para reflexão. "Uma mãe escreveu: 'Uma criança que apanhou deveria revidar'. Em nossa escola, não acreditamos nesse tipo de solução. Então, publicamos em nossa página um texto teórico para incentivar a discussão sobre o assunto", conta a diretora. 

A decisão sobre o que publicar, a linguagem e o intuito da postagem deve ser alinhada com a equipe e estar de acordo com a linha filosófica e o projeto político-pedagógico (PPP) da instituição. "É preciso construir uma política de comentários e moderação para nortear as ações", diz Carolina Terra, doutora em Interfaces Sociais da Comunicação e especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Universidade de São Paulo (USP).

Chamar para eventos

 

 

 

 

Além de informar, incentiva a participação da comunidade. Destaque os dados mais importantes, como qual a ocasião, dia, horário e objetivos do encontro. É possível criar grupos privados para postar conteúdos específicos para determinados públicos (veja como em abr.ai/gruposfacebook).
CUIDADO Apesar de efetivo, esse recurso não substitui os bilhetes físicos.

 

Repercurtir textos

 

 
 

 

Artigos, reportagens e estudos estimulam a reflexão. CUIDADOS Os textos precisam estar de acordo com o PPP e os valores da instituição. "Esse tipo de postagem requer que alguém acompanhe os comentários para mediar o debate e prestar eventuais esclarecimentos", alerta Maiko Spiess, especialista em política científica e tecnológica. Também use apenas fontes confiáveis.

Para fazer bonito no Face

Feito isso, é hora de pôr a mão na massa. Para que a página cumpra seus objetivos, o primeiro passo é mantê-la atualizada e com as informações sobre a escola: nome, endereço, telefone, e-mail, site da instituição e quem é o diretor. Não precisa ter uma única pessoa para alimentá-la - essa responsabilidade pode ser compartilhada por meio de uma divisão por assuntos, por exemplo. Mas deve-se definir quem terá permissão de publicar e ter um termo de conduta. Isso inclui saber o que postar e também o que evitar, como ofensas, erros ortográficos e imagens que constranjam os retratados. No Colégio Dante Alighieri, na capital paulista, além da página oficial, há outras relacionadas a projetos desenvolvidos por alunos, como a Oficina de Jornalismo, que possui uma fanpage própria. "Nesse caso, a administração das postagens e a produção do conteúdo é feita pelos professores em parceria com os alunos", conta Fernando Lopo Homem de Montes, um dos responsáveis pela comunicação da escola. A iniciativa é um bom exercício para os alunos aprenderem  como se portar nas redes sociais e cuidar do que escrevem e disseminam pelo mundo virtual.

Vale ressaltar que o canal não substitui os bilhetes físicos enviados às famílias (afinal, nem todas têm internet ou perfil no Face) ou os encontros presenciais, imprescindíveis para o trabalho em conjunto no desenvolvimento de crianças e jovens. Com todos conectados e inteirados sobre o uso das redes sociais, pais, alunos, docentes e equipe gestora ficam literalmente na mesma página quando o assunto é Educação.