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Seções | Eu fiz assim


Por: NOVA ESCOLA

Incluí as famílias imigrantes

Com jornal bilíngue, diretora conseguiu melhorar comunicação com pais de alunos

Lillian Ossona é diretora do CEI Jardim Hercília, em São Paulo. Foto: Raoni Maddalena. 

"Nossa escola fica em uma comunidade com muitos imigrantes bolivianos, uruguaios e paraguaios. No último ano, o número de famílias desses países com alunos matriculados aqui dobrou e sentimos dificuldades na comunicação com os pais das crianças que atendemos, até 3 anos. O idioma era uma barreira. Das poucas vezes em que os responsáveis respondiam nossos bilhetes e recados nas agendas, escreviam em espanhol. Começamos a nos perguntar se eles estavam realmente entendendo as mensagens que enviávamos.

Numa reunião com os professores, eu falei que devíamos pensar nossa comunicação de maneira que atingisse a todos. Cada um foi dando uma ideia e, no final, propus que informássemos o que ocorria na escola também em espanhol. O primeiro impasse foi a tradução dos textos, pois ninguém da equipe fala essa língua. Pensamos em pedir a colaboração de famílias que estão há um tempo maior no Brasil e, portanto, mais habituadas com o português. Uma das profissionais do CEI também disse ter uma parente na Espanha, que trabalha em uma instituiçãode Educação Infantil e poderia nos auxiliar regularmente nesse trabalho.

A partir daí, passamos a escrever alguns bilhetes em espanhol, com a ajuda de alguns pais. Além disso, transformamos o jornal que já produzíamos ? um boletim trimestral de notícias ? num projeto bilíngue e de construção coletiva. O passo inicial foi levantar possíveis pautas e pedir para os professores escreverem textos sobre o que ocorre no CEI. Entre o que relatamos, estão as atividades desenvolvidas com os pequenos na área da linguagem artística, os momentos de leitura, os cuidados na adaptação das crianças que chegam e os projetos.

Na última edição, o desafio foi inserir o olhar das crianças. Até aquele número, todas as experiências eram relatadas do ponto de vista de adultos, como docentes, funcionários e gestores. Para resolver isso, deixamos uma máquina fotográfica nas mãos dos pequenos e eles nos trouxeram imagens incríveis. Incentivamos também a colocação de falas dos responsáveis nas páginas do jornal.

Quando todos os textos estão prontos, enviamos para nossa colaboradora da Espanha, que os traduz e nos manda de volta. A versão em português e a correspondenteem espanhol são colocadas lado a lado. A Diretoria Regional de Ensino é a responsável pelo envio do jornal para a gráfica e pelos custos de impressão. Quando os exemplares chegam à instituição de ensino, os professores os folheiam e leem com as crianças. Depois, os pequenos levam a publicação para casa e entregam a seus familiares.

Percebemos que fazer a comunicação em dois idiomas aproximou os pais imigrantes de nós. Sabíamos que eles eram presentes na vida dos filhos, mas ainda ficavam acanhados conosco. Agora, estão mais falantes e integrados à rotina escolar. Estamos virando uma referência na região e atingimos nosso objetivo de fazer da instituição um espaço público, democrático e inclusivo, acolhendo toda a diversidade da comunidade."

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