Ir ao conteúdo principal Ir ao menu Principal Ir ao menu de Guias
Reportagens | Reportagens


Por: Karina Padial, Raissa Pascoal, Lucas Freire e Rosi Rico

Prepare-se para o início do ano letivo

Do calendário à manutenção da escola, deixe tudo organizado e em bom estado

Férias de dois meses. Só para os alunos! Os gestores têm muito trabalho durante esse período. É com a escola vazia, por exemplo, que os espaços podem passar por grande reforma ou manutenção. Mas engana-se quem pensa que as responsabilidades se resumem a acompanhar as obras. A preparação para receber as crianças ou os adolescentes inclui uma série de outras ações, como a organização das turmas e a pré-elaboração do calendário. Por isso, nas próximas páginas, GESTÃO ESCOLAR sugere como colocar em prática sete ações essenciais a ser realizadas antes do início do próximo ano letivo.

Para dar conta das tarefas no recesso, é importante que os segmentos envolvidos nas atividades, como as equipes da secretaria e de limpeza, tenham sempre um representante presente na instituição. Ao estabelecer um cronograma, garante-se que ninguém fique sobrecarregado com as demandas e que todos tenham um tempo de descanso. Além disso, o diretor não pode esquecer que algumas decisões devem ser tomadas conjuntamente com os professores e que, por isso, precisa esperá-los retornar ao trabalho.

Nesse processo, também é importante contar com o acompanhamento e apoio do conselho escolar. Certamente, gestores que se dedicam a organizar a instituição de maneira adequada para
a recepção da comunidade contribuem para um clima favorável na volta às aulas.

 

 

 

É com base na programação enviada pela secretaria de educação que os gestores deverão convocar a equipe para pensar no planejamento do ano, durante a semana pedagógica. em geral, o documento oficial da rede prevê a data de início e de fim das aulas, a quantidade de dias letivos (são, no mínimo, 200), os feriados, os recessos, as avaliações externas e os eventos comemorativos. ?Algumas secretarias podem, inclusive, indicar semanas para a realização das reuniões de pais, dos conselhos de classe e das provas?, diz Marília Novaes, coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa Cedac. Essa programação é, no entanto, só um modelo e cada unidade de ensino fará ajustes e propostas de acordo com sua realidade. Entre o previsto, estão também as avaliações internas, os dias reservados para o trabalho pedagógico coletivo e as atividades extracurriculares. Ao fim da confecção do documento, aprove o calendário com a comunidade e, se necessário, com a própria secretaria de educação. E não se esqueça de compartilhá-lo com todos. "Isso é fundamental. o ideal é entregá-lo em mãos aos responsáveis e afixá-lo num mural bem visível na escola", diz Marília.

 

 

A quantidade de espaços em branco numa planilha de horários pode assustar, mas o gestor deve ter em mente que a organização é regida por um princípio básico: garantir a aprendizagem dos alunos. Portanto, faça o levantamento de quantas aulas as turmas precisam ter de cada disciplina para, depois, distribuí-las ao longo da semana em parceria com os professores. O ideal é não colocar mais de duas aulas seguidas da mesma área ? isso evita uma rotina pesada para os estudantes e para o docente. Também têm de ser considerados os horários dos educadores, pois nem todos trabalham apenas numa escola. Se o docente só leciona uma ou duas vezes por semana em cada classe, como o de Arte ou o de Educação Física, por que ele viria todos os dias? "Outro ponto a ser levado em conta são os períodos destinados à formação e ao planejamento, previstos nas jornadas", diz Clécio Lima Sousa, coordenador de Gestão Escolar de Santa Inês, a 251 quilômetros de São Luís.

 

 

 

 

Tendo como referência seu próprio tempo de estudante, alguns gestores, ainda hoje, costumam separar os alunos pela data de aniversário, pela ordem alfabética dos nomes ou, pior, pelo desempenho ? esta última, uma estratégia que prejudica aqueles que mais precisam de estímulo e pode levá-los a ser rotulados. Em vez disso, vale investir na interação entre pares com saberes, vivências e ritmos diferentes, o que é mais eficiente para a aprendizagem. "Também é importante considerar a diversidade de idade e o equilíbrio entre o número de meninas e meninos e de recém-chegados e veteranos", afirma Maura Barbosa, consultora de GESTÃO ESCOLAR. Esse processo deve contar com a participação dos professores, pois são eles quem mais conhecem a turma. Outro cuidado é o de não deixar que se cristalizem certos papéis desempenhados por algumas crianças ou jovens ? o bagunceiro, o brincalhão etc. A mudança de sala pode permitir a eles a construção de uma nova identidade.

 

 

 

Grade horária pronta e turmas divididas, é hora de atribuir as aulas para cada professor. Se a escola tiver a possibilidade, o ideal é alocar docentes seguindo critérios pedagógicos e segundo o perfil dos profissionais: um pode ter mais jeito para alfabetizar, outro experiência para atuar com classes que exigem mais atenção e um terceiro tato para lidar com a indisciplina. No entanto, há redes cuja regra é a alocação por tempo de serviço e pontuação na carreira ? quanto mais cursos e formações, mais pontos. Então, os mais antigos podem escolher em quais turmas querem dar aula. "Nesse caso, o gestor faz o meio de campo, tentando conscientizar de que eles podem trabalhar melhor com tal ou tal grupo. Se um educador não se deu muito bem numa sala, pode mudar para outra no ano seguinte", diz Elaine Rabelo de Araújo Alciprete, diretora do Instituto Materno Infantil Professora Helena Vaz de Lima Soliva, em São José dos Campos, que também já foi gestora no Ensino Fundamental.

 

 

Uma lâmpada queimou, uma carteira quebrou, um cano estourou. São inúmeras as necessidades de reparos em uma escola. O ideal é que a manutenção dos espaços e dos equipamentos seja feita sempre ao longo do ano, para evitar acidentes e comprometimento da construção ou mesmo das atividades pedagógicas. No entanto, a instituição vazia é uma boa oportunidade para fazer uma vistoria completa sem colocar em risco a segurança dos alunos ou atrapalhar o planejamento. Nesse momento, alguns pontos merecem atenção, como redes hidráulica e elétrica, pintura das paredes, encanamento de gás e o estado de conservação de mobiliário e janelas. "No fim do semestre, o gestor deve levantar tudo o que não pôde ser realizado e fazer uma solicitação grande para a secretaria de Educação. Assim, à medida que a verba for liberada, será possível dar andamento às reformas", diz Elaine. Também é interessante incluir uma dedetização e uma faxina completa na lista de tarefas. Afinal, crianças e jovens merecem um local limpo e conservado ao regressarem.

 

Papéis, canetas, cadernos, tesouras, gizes, brinquedos, livros. Toda escola precisa de materiais básicos para funcionar. Portanto, é bom verificar se os estoques de alguns artigos estão prontos para atender a demanda da equipe e dos alunos no início das aulas. Mas antes de sair elaborando listas de compras, a primeira ação é levantar o que se tem. Reunir um grupo de funcionários e professores para dar uma geral no almoxarifado pode ser uma boa opção. Para completar o trabalho, vale preparar um sistema para controlar a entrada e a saída de tudo. "Muitas vezes, a instituição já possui alguns itens suficientes para todo o período letivo. Então, não precisa colocá-los entre as solicitações à secretaria de Educação, ainda mais se não houver lugar para guardar tudo. Há coisas, inclusive, que podem ser compradas ao longo do ano, conforme a necessidade", diz Leninha Ruiz, formadora de professores e blogueira de GESTÃO ESCOLAR. O mesmo vale para os livros: veja se eles estão bem conservados e se o acervo precisará ser atualizado ou ampliado. Em caso de algo ocioso ou deteriorado, reúna a equipe para decidir se será doado ou reciclado.

 

 

Às vezes carente de recurso ou sem instrumentos adequados para diagnosticar as reais necessidades, a escola se alia, sem critério, a outras instituições. Isso pode resultar em parcerias que nunca são colocadas em prática de fato ou não contribuem para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem. Por isso, é importante avaliálas periodicamente. "Algumas questões ajudam a nortear a análise. Os objetivos a ser alcançados dialogam com o projeto político-pedagógico (PPP)? As estratégias se concretizaram? A comunidade foi avisada sobre as etapas e os avanços obtidos?", diz Sálua Guimarães, orientadora pedagógica e autora da dissertação de mestrado Gestão Escolar: Parceria Empresa e Escola Pública. Caso a resposta seja não, o melhor é replanejar as ações, com nova consulta ao conselho escolar, e abrir o diálogo com o parceiro para redefinir os termos do acordo. Encerrar o apoio também é uma possibilidade quando as demandas que o levaram a procurar ajuda externa já não existem ou quando a contribuição não se mostrou eficiente para atendê-las.
 


Ilustrações: Estúdio Rufus