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Muitos envolvidos, consumo reduzido

Diretora Celina liderou ações para mudar hábitos e acabar com o desperdício

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NOVA ESCOLA
A gestora orienta as crianças sobre o uso correto da água nas atividades cotidianas. Foto: Mariana Pekin

"Atendemos 522 crianças de 4 e 5 anos, a maioria oriunda de famílias carentes. Nossas ações, muitas vezes, ultrapassam os muros da escola.

Com a séria crise hídrica que vem atingindo a cidade, fazer uso consciente de água tornou-se uma necessidade para todos e, para nós, uma obrigação. Criamos, então, o projeto Gestão de Recursos Hídricos, realizado no primeiro semestre deste ano. O objetivo era intensificar na nossa rotina a abordagem de questões relacionadas à escassez de água e também vinculadas à importância de preservar o meio ambiente.

Começamos com um levantamento sobre os impactos da falta desse recurso no cotidiano dos alunos e de suas famílias, dos funcionários e da comunidade. Durante as conversas, procuramos sensibilizar sobre a gravidade do assunto e explicar como pretendíamos abordar a questão na escola durante o ano.

Aproveitamos o primeiro dia de aula para colocar três cisternas, a fim de captar água da chuva. A atividade teve participação da equipe escolar, das crianças e dos responsáveis, que puderam acompanhar o funcionamento e verificar como é simples a instalação.

Em seguida, realizamos uma formação específica com a equipe de limpeza, para reorganizar a rotina incluindo o uso do que é captado nas cisternas. Assim, fomos introduzindo a prática do consumo consciente. Para o trabalho com as merendeiras, contamos com a ajuda de uma nutricionista, que orientou a mudança no trato com os alimentos para que toda a água fosse bem empregada na cozinha. Aquela utilizada na lavagem de frutas e hortaliças, por exemplo, foi reaproveitada para higienizar o chão. A do cozimento de alguns legumes, para fazer o arroz.

As crianças foram incluídas ao longo de todo o processo em tarefas tão simples quanto lavar as mãos e escovar os dentes. Fomos explicando a elas a importância de não desperdiçar água durante essas atividades. Cada educador também levou a questão para a sala, em ações como debates estimulados por meio de pesquisas em jornais e revistas, uso de filmes, músicas e imagens, produções coletivas e individuais, observação dos ciclos da natureza e do funcionamento das cisternas.

Sabendo que muitas famílias passaram a guardar água por causa da crise hídrica, convidamos a comunidade a participar de um momento de formação, com a presença de um representante da Supervisões de Vigilância em Saúde (Suvis), que ressaltou como é fundamental o armazenamento correto para prevenir a dengue.

Além de introduzir uma mudança positiva de hábitos - novidade que as crianças levaram para suas casas -, o projeto favoreceu a construção de valores e atitudes de cidadania, coletivamente. Ele também mexeu com a emoção das pessoas e mobilizou vontades para a concretização do ideal. No final, economizamos mais do que esperávamos. Ultrapassamos a meta inicial, de 20%, e reduzimos nosso consumo em mais da metade.

A escola funcionou como uma usina de criatividade, e as crianças, espontaneamente, passaram a agir como fiscais, orientadoras e multiplicadoras de boas práticas entre seus colegas e com seus familiares. As ações foram incorporadas com entusiasmo também pelos funcionários, que continuam promovendo o uso consciente da água no dia a dia."

CELINA LACERDA é diretora da EMEI Professora Dorina Nowill, em São Paulo.  

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