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Por: NOVA ESCOLA

Do universo corporativo para o escolar

Modelo de trabalho que prega compartilhamento pode ajudar na construção de conhecimento

Catarina Iavelberg,

Catarina Iavelberg,
é assessora psicoeducacional especializada em Psicologia da Educação

Planejamento, objetivo, avaliação, competências. Diversos conceitos sobre os quais nos apoiamos foram importados do mundo corporativo e, transpostos para a área da Educação, sofreram ajustes e alterações. Não apenas. Muitos instrumentos que usamos no nosso dia a dia (computadores, internet, intranet, aplicativos, plataformas digitais etc.) também foram produzidos para atender a organização social desse universo. Isso não significa que devemos aplicar novas experiências diretamente na escola. É preciso analisar de maneira crítica as mudanças históricas, políticas, econômicas e sociais, e o modo como elas interferem nas relações interpessoais, para que se possa avaliar o que é passível e válido de ser absorvido pelo ambiente escolar. Muitas vezes, adequando o contexto, elas podem contribuir com a produção de conhecimento.

Uma experiência interessante e atual é a noção de coworking (ou trabalho conjunto), que pode ser definida por um modelo baseado no compartilhamento do espaço e dos recursos de um escritório. Reúne pessoas que não necessariamente prestam serviços para uma única empresa ou são da mesma área de atuação.

Esse sistema luta contra o isolamento e busca o encontro entre pessoas com diferentes experiências em um ambiente propício ao surgimento e amadurecimento de ideias e projetos. Algo me diz que essa prática está ligada ao que temos buscado na escola, isto é, maior colaboração e troca entre alunos visando a construção do conhecimento. 

"A equipe gestora e docente pode listar algumas dúvidas que orientem a adoção ou não desse sistema, tendo em vista o impacto dele na aprendizagem."

Já existem instituições de ensino brasileiras elaborando espaços convidativos de coworking, onde os estudantes se encontram, em horários dentro ou fora da grade curricular, com a finalidade de estudar juntos, trocar experiências, criar e desenvolver projetos pessoais ou coletivos. Algumas reuniões ocorrem em áreas externas (como mesas ao ar livre) e outros em áreas internas (salas desocupadas). Evidentemente, por se tratar de algo coletivo, a organização demanda regras de conduta e de funcionamento. Ainda é cedo para avaliar se tais iniciativas poderão mudar a forma de produção de conhecimento entre os alunos, mas já existe curiosidade e motivação por parte deles em torno dessa possibilidade.

A equipe gestora e docente pode listar algumas dúvidas que orientem a adoção ou não desse sistema, tendo em vista o impacto dele na aprendizagem. Afinal, quais os benefícios e desvantagens da implantação do coworking na escola? Quais aprendizagens poderiam ser desenvolvidas pelas crianças e jovens em tais espaços? Como os conceitos que fundamentam o modelo colaborativo podem contribuir com a formação social dos alunos? Seria oportuno incorporar os valores desse sistema de trabalho à sala de aula regular? E de que maneira isso poderia ser feito? São questões em busca de respostas cooperativas.


Foto: Tamires Kopp

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