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Seções | Assim não dá


Por: Patrick Cassimiro, Raissa Pascoal e Rosi Rico

Selecionar quem participa das avaliações externas

Para melhorar a aprendizagem, notas precisam ser fiéis à realidade

As avaliações externas em larga escala surgiram de uma iniciativa do governo federal para apoiar a formulação e a implantação de políticas educacionais voltadas para a melhoria da qualidade do ensino, tanto da rede quanto da escola. Sempre que os resultados dessas provas são divulgados, eles ganham espaço na mídia, o que amplifica a visibilidade sobre o rendimento de cada unidade. "Hoje, existe uma pressão muito grande em cima das instituições para que tenham um bom aproveitamento, porque as notas aparecem como se fossem as únicas representativas da realidade", diz Ocimar Munhoz Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Essa tensão pode induzir a práticas de forjar condições mais favoráveis, como a seleção apenas de estudantes com melhor desempenho para participar das provas. A tentativa é de elevar as notas obtidas e impedir, assim, a construção de uma imagem negativa da escola. "Na medida em que se começa a associar os resultados à premiação ou à classificação, o próprio sentido das avaliações é distorcido. Além disso, quando gera ações competitivas e não cooperativas,  são potencializadas iniciativas de exclusão de alguns alunos e não de promoção de uma qualidade de ensino para todos", explica Sandra Maria Zakia Lian Sousa, também professora da USP.

A primeira medida para impedir a ocorrência dessa distorção é conhecer o que a prova se propõe a mensurar. "O que vai garantir que os resultados sejam bem explorados é compreender que eles trazem elementos para a melhoria do processo de trabalho", diz Sandra.

Os gestores da EEEF Mozart Donizet, em Rio Branco, têm essa clareza. Ao receber os resultados de exames como a Prova Brasil, a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) e o Sistema Estadual de Avaliação da Aprendizagem (Seape), eles e os professores realizam uma análise coletiva para identificar as habilidades e as competências que não foram atingidas pelos estudantes e debatem sobre quais foram as práticas de ensino empregadas. A ideia é verificar o que precisa ser revisto. "Em seguida, organizamos ações didáticas para melhorar o desempenho dos alunos", explica a diretora Raimunda Barros de Freitas.

Para aproveitar bem os dados provenientes das avaliações, não há espaço para selecionar quem participa. Durante os encontros e reuniões com os responsáveis e em sala de aula, a equipe da instituição acreana reforça constantemente a importância da presença dos estudantes nos dias de exame. Assim, consegue garantir o comparecimento de quase todos. "Os alunos não são obrigados a realizar a prova, mas o gestor pode acentuar o convite e explicar que a participação deles é importante para ter um retrato fidedigno da realidade da escola", explica Ocimar. Só dessa maneira os resultados se tornarão pedagogicamente úteis para a unidade de ensino. Na Mozart Donizet, as notas têm sido crescentes. "Elas são reflexo de nosso trabalho pedagógico diário", diz Raimunda.


Ilustração: Mariana Salimena

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