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O clube que conserta tudo

Oneida Fioriti organizou grupo em que adolescentes assumem reparos na escola

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Karina Padial e NOVA ESCOLA
Diretora acompanha  o trabalho realizado  por alunos do Clube  da Manutenção. Foto: Raoni Madalena

"Todo gestor se depara com a necessidade de fazer pequenos consertos. Um dia são as torneiras que não param de pingar, no outro uma lâmpada que queimou. Os armários e as portas, então, toda hora precisam de reparos, já que as trancas e os miolos vivem quebrando e, na maioria das vezes, nem é por culpa dos alunos, mas porque são frágeis e desgastam com o uso. Foi ao perceber isso que um grupo de estudantes que já tinha certo conhecimento e familiaridade com manutenção, porque os pais trabalhavam como funileiro, mecânico e chaveiro, entre outras profissões, me procurou e manifestou o interesse de ajudar com os serviços gerais da escola.

Aqui na EE Ministro Costa Manso seguimos a nova proposta da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para o Ensino Médio, que prevê aulas em tempo integral e uma matriz curricular diferente, com disciplinas obrigatórias e  outras eletivas, escolhidas pelos alunos de acordo com o objetivo de cada um. A ideia deles, portanto, era que, além dos grupos juvenis de teatro, música, esporte, leitura e outros que já oferecíamos, passássemos também a contar com o Clube da Manutenção.

Antes de aceitar a proposta, conversamos sobre como seria o funcionamento  do clube e quais tarefas poderiam ou não ser realizadas. Os consertos mais complexos e estruturais como a troca de calha ou a limpeza da caixa d'água não seriam feitos por eles, mas por profissionais contratados. Com todos de acordo, compramos ferramentas básicas ? martelo, chave de fenda, chave inglesa, fita isolante etc. ? e algumas outras peças sugeridas pelos jovens.

Em abril, inauguramos os trabalhos com 12 alunos, mas pouco tempo depois outros aderiram à proposta. Hoje, já são 30, que se reúnem semanalmente, sempre nas manhãs de quarta-feira, enquanto os professores participam do horário de trabalho coletivo. Por isso, sou eu a responsável por acompanhar as atividades desse e dos outros clubes.

É interessante ver como esse grupo tem se dedicado a essas tarefas. Eles observam a escola, anotam o que precisa de conserto, fazem um levantamento das peças que serão necessárias e me trazem um cálculo aproximado do custo para que elas sejam adquiridas. Depois, registram o que já passou por manutenção e o que ainda precisa de reparo.

Outro dia, por exemplo, o muro externo amanheceu pichado. Não tivemos dúvida: providenciei alguns sacos de lixo preto,  improvisamos aventais e em pouco tempo a garotada se juntou e a pintura estava concluída. Há algumas semanas, outra situação. Os jovens encontraram três armários com as portas enguiçadas. Eles identificaram o tipo e o modelo da fechadura necessária e pesquisaram o valor dela. Eu conferi as informações e concedi o recurso para que fossem comprá-la e fizessem o reparo.

Dessa maneira, conseguimos trabalhar o protagonismo juvenil e a corresponsabilidade, duas das premissas desse novo modelo de Ensino Médio. O Clube da Manutenção possibilita que os alunos participantes desenvolvam o sentimento de pertencimento, mudem a percepção sobre por que a instituição de ensino precisa ser cuidada e conservada. Vale ressaltar que esse movimento não se restringiu aos integrantes do grupo. Os demais estudantes se inspiraram neles e passaram a ter um maior zelo com o patrimônio da escola."

 Oneida Fioriti é diretora da EE Ministro Costa Manso, em São Paulo. 

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