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Como você organiza a entrada e a saída dos estudantes?

A seguir, apresentamos situações que permitem refletir se esses momentos acontecem de maneira adequada e analisar possibilidades de estruturá-los melhor. Clique nas opções para ler os comentários. No fim, não há tabulação dos resultados

POR:
Karina Padial
Caso 1

O estudante se aproxima do portão e o inspetor vê que ele está sem o uniforme. O que o funcionário deve fazer?

a) Deixá-lo entrar e assistir as aulas, perguntar o motivo de ele estar sem o traje e lembrá-lo das normas da instituição sobre esse aspecto.
A roupa não pode ser motivo para impedir um aluno de entrar, isso atentaria contra o direito de acesso à Educação. No entanto, o uso dela pode ser recomendado pela rede, que pode fornecê-la, ou pela escola, que deve consultar a comunidade antes de adotar tal medida e prever o que fazer no caso de ter famílias que não têm condições de adquiri-lo.
b) Barrar a entrada e pedir que ele volte para casa, afinal é de conhecimento de todos que o regimento exige o uso da vestimenta.
Ao fazê-lo perder um dia de aula, a escola se sobrepõe ao direito ao ensino, garantido pela Constituição Federal. Por isso, mesmo que o uso do uniforme seja algo desejável e incentivado pela rede ou pela instituição, o estudante não pode ser impedido de frequentar a sala por não trajá-lo.

 

Caso 2

Bateu o sinal. Hora de seguir para a classe com as crianças. Qual é o procedimento indicado para o professor adotar?

a) Organizar a fila, com um aluno atrás do outro, utilizando algum critério previamente definido, como a ordem de tamanho, e, de preferência, com as mãos no ombro para não se distanciarem.
Muitas escolas defendem que a fila é uma maneira organizada de se locomover, mas isso pode acontecer sem que os estudantes precisem estar uns atrás dos outros. A segurança, outro argumento bastante utilizado, não se justifica em um ambiente que já é seguro. Deixe as filas, portanto, para quando elas forem realmente essenciais, como em passeios externos em lugares mais perigosos.
b) Orientá-las a andar de maneira organizada, mas sem a necessidade de fila e permitindo que caminhem ao lado dos colegas que escolherem.
Quando se estabelece combinados como os de andar com tranquilidade, sem correr e respeitando o outro, evitando empurrões, todos podem se locomover de maneira organizada sem precisar de filas. Esse aprendizado pode não ser fácil, mas só acontece por meio da experiência e favorece o sentimento de pertencimento escolar e o desenvolvimento da autonomia dos pequenos. Ao se autorregular, eles ganham a capacidade de fazer escolhas mais justas para si e para o grupo.

 

Caso 3

O portão abriu e já há alunos entrando no pátio. O que eles podem fazer enquanto esperam o sinal bater?

a) Não há nada preparado para esse momento. Normalmente, eles ficam correndo até que dê o horário da aula e alguma atividade se inicie.
A escola deve ser um ambiente de aprendizagem desde a hora em que os estudantes entram nela e também quando estão de saída. Planejar ações para esses momentos favorece uma interação positiva, já que, quando não têm nada para fazer, o risco de acontecer algum conflito ou de eles se machucarem, correndo sem rumo ou brincando de luta, é muito maior.
b) Há cantos organizados como, por exemplo, espaços com brinquedos, jogos de mesa e livros, possibilitando que a garotada escolha com o que quer ocupar o tempo.
Uma das preocupações da escola deve ser, justamente, criar condições cada vez melhores para que os alunos possam interagir e tomar decisões. Atividades planejadas favorecem que eles façam escolhas do que preferem fazer, que livro vão ler, qual brinquedo interessa mais etc. É indicado que um adulto acompanhe esse momento e faça intervenções quando elas forem necessárias.

 

Caso 4

Julia tem 6 anos e acabou de entrar no 1º ano. A mãe dela, que até então a acompanhava com frequência até a porta da sala, ficou em dúvida sobre como deveria agir a partir de agora e foi consultar a equipe gestora. Qual a melhor orientação a ser dada para ela? 

a) Explicar que a partir desse momento a escola não permite mais que os pais acompanhem os filhos porque, nessa nova etapa, eles precisam aprender a enfrentar sozinhos algumas situações. Por isso, agora, ela deve deixar a Julia no portão.
Não é adequado proibir que os pais levem os filhos até a porta, ainda mais em um momento de transição como esse, em que a novidade pode gerar tensão e ansiedade. No entanto, nessa etapa, a própria criança começa a se sentir segura e a pedir para os responsáveis para não acompanhá-la mais, o que deve ser respeitado.
b) Esclarecer que a escola permite que ela acompanhe a Julia quando achar necessário, mas que a própria menina tem o direito de escolher se quer ou não a presença da mãe.
A transição entre os segmentos exige atenção e cuidado. Por isso, durante esse período não há nenhuma restrição a que os adultos façam esse acompanhamento. Apesar disso, se a criança continuar exigindo a presença deles, o orientador educacional ou o professor podem conversar com o responsável e o aconselhar a transmitir segurança para que ela possa conquistar autonomia.

 

Caso 5

No final do período da aula, quem apareceu para buscar o Gabriel, 3 anos, foi a tia dele e não a mãe como geralmente costuma ser. Como não tinha nenhum recado na agenda sobre isso, a professora precisou tomar uma decisão. Qual é a mais correta?

a) Localizar a ficha de matrícula do menino para identificar os nomes das pessoas autorizadas a buscá-lo e, se o da tia constar lá, autorizá-la a levar o menino.
Pedir ao responsável para que informe nome, telefone e RG de quem está autorizado a buscar a criança é uma boa estratégia. Os dados devem ser revistos no início e no meio do ano. Assim, diante dessa situação, o docente tem como conferir as informações e garantir a segurança do aluno. Apesar disso, vale retomar com os pais a importância de, sempre que possível, avisar sobre questões como essa na agenda.
b) Por ser a tia da criança, que até já foi na escola em alguns eventos, não há problema em permitir que o menino vá embora com ela.
Mesmo que a docente conheça o familiar, ela sempre deve confirmar a informação com o responsável. Afinal, a pessoa pode estar se aproveitando justamente do fato de já ter frequentado a escola. Nesse caso, vale ligar para os pais para se certificar de que quem está lá foi enviado a pedido deles. A agenda é o meio ideal para que esse tipo de comunicado seja dado.

 

Caso 6

Os estudantes têm se atrasado com frequência na chegada e a equipe gestora quer mudar o regimento interno para prever o que fazer nesses casos. Qual a melhor maneira de incluir isso no documento?

a) Definir que quem chegar atrasado 15 minutos perderá a primeira aula, mas poderá entrar na segunda e que aqueles que chegarem após o segundo horário não poderão mais entrar.
Normas como essas são muito comuns, mas não colaboram com a reflexão. A mensagem que se passa é a de que a pontualidade tem mais valor que a Educação. O que não quer dizer que se pode chegar toda hora atrasado. Para isso, é importante estabelecer uma parceria com a família e conversar com os alunos de uma maneira que gere um compromisso de mudança de atitude.
b) Permitir os atrasos desde que eles não sejam frequentes e estabelecer critérios para definir quando a família deve ser chamada para conversar sobre o assunto.
Muitas vezes os atrasos são justificáveis. Pode haver um acidente no caminho ou acontecer de uma consulta médica não ocorrer no horário previsto, por exemplo. Além disso, até os anos iniciais do Ensino Fundamental, esse tipo de problema, normalmente, é causado pelos responsáveis. Em todos os casos, estudantes e pais têm de entender que isso deve ser evitado não apenas pela punição que poderão sofrer mas porque ao chegar depois da hora perde-se atividades importantes.

 

Caso 7

A mãe chegou toda esbaforida, deixou o filho com os colegas e correu ao encontro do professor. Ela queria conversar sobre as últimas tarefas que o aluno levou para casa. O que o docente deve fazer?

a) Explicar que aquele momento não é o ideal para discutir assuntos como esse, mas que ele está disponível para agendar um horário adequado para ambos e tratar sobre o tema.
Os responsáveis precisam entender que os horários de entrada e saída não são adequados para conversas mais longas e que isso não é má vontade, apenas uma maneira de manter o foco do educador na turma. No entanto, informações pontuais como se a criança apresentou um sintoma de alguma doença ou como ela se alimentou naquele dia devem fazer parte da comunicação diária entre pais e professores.
b) Procurar um local tranquilo, longe da agitação que toma conta do pátio, e atender a mãe explicando a relação das tarefas com os conteúdos trabalhados, evitando que ela volte para casa sem resposta.
A atenção dos docentes, principalmente os da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, deve estar voltada à interação e a segurança das crianças. Por isso, o recomendado é agendar uma conversa e garantir que ela aconteça em um espaço adequado, com os materiais necessários e, se for o caso, a presença do coordenador. Reuniões com os gestores podem ocorrer nesse horário desde que marcadas previamente porque, muitas vezes, eles também estão envolvidos em atividades relacionadas à entrada e à saída.

Consultoria Sanderli Bicudo, membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Moral da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora da pós-graduação em Relações Interpessoais na Escola e a Construção da Autonomia Moral da Universidade de Franca (Unifran).

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