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Por: NOVA ESCOLA

Recepção aos novatos

Laudicea Farias, da EREM Professora Benedita de Morais Guerra, explica como organiza os primeiros dias de aula com a colaboração dos estudantes

DE JOVEM PARA JOVEM A diretora supervisiona a ação sem interferir na comunicação entre os alunos

"Nossa escola tornou-se, em 2009, a primeira instituição de tempo integral criada no município de Macaparana, a 120 quilômetros de Recife. O desafio era enorme, por isso ficamos especialmente atentos às diretrizes da Secretaria Estadual de Educação. Uma delas indicava que o acolhimento dos novos alunos fosse feito pelos veteranos. Essa medida é importante em qualquer instituição e, no caso das que têm o horário estendido, é o momento decisivo de informar os calouros sobre esse novo jeito de estudar e de conviver.

Em minha experiência anterior como diretora, aprendi que é essencial analisar o contexto em que se atua para o planejamento de qualquer atividade. Em Macaparana, constatamos - por meio de questionários e entrevistas - o baixo nível econômico da maioria das famílias, situação que às vezes levava à evasão e ao desconhecimento sobre o ensino integral.

Assim, junto com as equipes gestora e pedagógica, defini os dois objetivos principais para a chegada dos novos alunos. Primeiro, explicamos como funciona a carga horária estendida, incluindo aí aspectos que podem assustar como a quantidade de disciplinas por dia e as refeições coletivas. Depois, buscamos mostrar a importância da escola para eles e ressaltar o conhecimento a que terão acesso e que também favorece a preparação para o vestibular. Isso faz com que os jovens valorizem a instituição, se sintam parte dela e sigam firmes em busca dos seus objetivos, sem pensar em abandonar os estudos.

Baseados nesses princípios, todos os anos, entre os meses de outubro e novembro, começamos a definição de quem serão os líderes da recepção aos que chegam em fevereiro. Os professores selecionam alguns alunos com base na facilidade que têm para se comunicar e liderar e os outros podem se candidatar para participar voluntariamente. Durante as férias de janeiro, esses estudantes têm encontros com a gestão e os docentes.

Nessas reuniões, lemos e debatemos um guia sobre o tema produzido pela secretaria. Em seguida, definimos as equipes de trabalho, bem como as atividades que elas terão de desenvolver. Os jovens produzem uma pauta com a descrição das ações e dos materiais necessários e a especificação do local e do cronograma. Reflito com eles sobre as propostas, fazemos ajustes e, depois, providencio tudo o que é necessário.

Recebemos cerca de 120 alunos novos por ano. Nos dois dias de acolhimento a eles, cada líder - uniformizado e acompanhado de alguns voluntários - recebe os novatos na entrada da escola. Levados pelos veteranos, eles conhecem as salas de aula em que vão estudar, os outros ambientes, os professores e os funcionários. Todos se alimentam juntos e participam de jogos e rodas de conversa sobre os temas elencados como prioritários.

A programação inclui vídeos, palestras, oficinas e jogos. Ao final, há uma roda de conversa, em que os veteranos compartilham as experiências. Eu e os docentes supervisionamos tudo, sempre com o cuidado de não interferir naquilo que é mais bem-sucedido nessa proposta: a comunicação de jovem para jovem.

Há o ditado que diz que a primeira impressão é a que fica. No caso da vida escolar, isso se confirma. Se o aluno não se sente acolhido nos primeiros dias de aula, ele pode criar uma aversão àquele local, perder o interesse e achar que não quer passar o dia inteiro nesse ambiente. Isso é bem diferente do que acontece na EREM Professora Benedita de Morais Guerra. Em 2011, tivemos três abandonos e entre 2013 e 2014 só houve mais dois casos. Outro indício de que estamos no caminho certo é a taxa de 94% de aprovação alcançada no ano passado e o fato de 80% dos estudantes do 3º ano terem conseguido ingressar em universidades públicas."


Laudicea Farias é diretora da EREM Professora Benedita de Morais Guerra, em Macaparana, a 120 quilômetros de Recife.

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