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Monitoria aluno-aluno: uma conversa paralela positiva

Colaboração entre estudantes é uma boa ferramenta para aprimorar a aprendizagem

POR:
Caroline Ferreira
leia mais sobre o trabalho dela aqui). Para ser monitor, o aluno deveria demonstrar comprometimento com a iniciativa, gostar de compartilhar conhecimento, ter um bom desempenho nessa disciplina e estar disponível para comparecer às reuniões de orientação no contraturno.

Formar para cooperar 
Depois que o grupo de tutores é formado, o trabalho do docente não termina. Ele precisa continuar atento aos desdobramentos e contar com o apoio da gestão para planejar e implementar melhorias. A escola também precisa tomar cuidado para que não haja rótulos para quem é monitor ou não. A atividade tem de ser vista como algo colaborativo e não como uma disputa. O rodízio constante de integrantes do grupo ajuda a evitar esses problemas. 

Independentemente do formato, um aspecto essencial para o sucesso dessa prática é a preparação dos alunos, tanto no que diz respeito aos conteúdos quanto ao entendimento sobre o que é ser monitor. "Deve-se promover reuniões periódicas de estudo para fornecer subsídios aos participantes, além de estabelecer a dinâmica para ações como a correção de tarefas e a divisão de quem ficará sob a responsabilidade de cada um", destaca Mara. Além disso, de acordo com Júnior, os estudantes precisam entender a função dessa iniciativa, que vai além de uma simples ajuda a um colega de classe. "Quando se colabora, há um exercício de dedicação mútua, ou seja, todos trabalham juntos para resolver um problema", diz o pesquisador. 

É nessa perspectiva, acrescida da ideia de incentivar o protagonismo juvenil, que a EREM Professor Trajano de Mendonça, em Recife, tem estruturado a monitoria desde o início de 2014. O coordenador pedagógico da instituição, Paulo Alexandre Filho, conta que é importante acolher e valorizar iniciativas que colocam os alunos na condição de participantes ativos. "Ao se ver como um agente relevante, o jovem percebe que a gestão, a equipe pedagógica e os estudantes ensinam e aprendem juntos", considera. 

Algumas ações sistematizadas na instituição são a revisão de conteúdos em grupos, realizada no contraturno, os estudos preparativos para as avaliações e o acompanhamento durante a aula, todos monitorados por alunos, com orientação prévia dos professores. Em reuniões periódicas, os docentes ajudam os alunos-tutores a elaborar as atividades de apoio, sugerem materiais e explicam o que será realizado em classe. "Com algumas dessas ações iniciadas há quatro anos, nossos resultados vêm sendo progressivamente melhorados em avaliações externas e em metas pactuadas com a Secretaria de Educação", comemora o coordenador.

Acompanhamento e avaliação

Durante a implantação da monitoria, é indispensável seguir de perto o processo, mensurar os resultados e garantir a continuidade, com as mudanças que forem necessárias. Seguindo esses princípios, a EE Dom Orione, em Curitiba, completa quatro anos dessa iniciativa. "Os alunos-monitores têm uma reunião mensal com a direção, os docentes e os pais para relatos, sugestões e críticas", conta a diretora Maria Ivonete Favarim Vendrametto. "Os apontamentos feitos são analisados e avaliados para ver o que deu certo ou não e, assim, melhorar o que for necessário. Além disso, recolhemos informações desse encontro para levar ao conselho de classe." 

Na instituição, há várias modalidades de monitoria. Em uma delas, os estudantes servem de apoio para o professor na organização da sala de aula. Na iniciativa voltada à melhoria de aprendizado, os monitores são chamados de padrinhos e os demais são os afilhados. No início do segundo bimestre, os que querem ser tutores se candidatam e passam a receber orientação e acompanhamento da gestão da escola. 

O atendimento é individualizado (um padrinho é responsável por um afilhado) e há uma troca intensa entre os dois todos os dias. É comum que a dupla chegue antes do horário da aula para conversar sobre algum conteúdo e que mantenha contato quando está fora da escola para lembrar de prazos e estudos importantes. A prática faz parte do projeto político-pedagógico (PPP) da instituição. O resultado, segundo a diretora, foi muito positivo: a média de aprovação, que era em torno de 60%, alcançou, após a implantação do projeto, em 2010, o índice de 94,6%.

Projeto Institucional 

MONITORIA ALUNO-ALUNO

OBJETIVO GERAL

Implantar a monitoria entre estudantes e melhorar a qualidade da aprendizagem.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

  • Para a equipe gestora Colaborar com a elevação do nível do ensino e a redução da evasão e do insucesso escolar.
  • Para os professores Aproveitar melhor o tempo de aula e colocar a heterogeneidade da sala a favor da aprendizagem.
  • Para os alunos (monitores ou não) Aprofundar a compreensão dos conteúdos e desenvolver competências de relacionamento pessoal e comunicação.

TEMPO ESTIMADO

Um ano letivo, com manutenção permanente após esse período.

DESENVOLVIMENTO

1ª ETAPA Planejamento

Em articulação com os professores, elabore o planejamento das atividades de monitoria. Avalie se há estrutura e recursos suficientes para que todas as disciplinas sejam contempladas. Em caso de limitações, conceda prioridade às áreas com maior índice de reprovação e repetência. Nesse momento de preparação, contemple os aspectos abaixo:

a) Inclusão no projeto político-pedagógico (PPP)

Ao contemplar o tema no PPP da escola, garante-se a aplicação e a continuidade da prática.

b) Escolha dos participantes

Estabeleça com os professores que critérios os alunos precisarão atender para integrar o projeto. Você pode se basear, por exemplo, na lista feita por Simone Carvalho da Silva, uma das vencedoras do Prêmio Educador Nota 10 em 2013. Acesse aqui a reportagem que relata o trabalho desenvolvido por ela. Abra inscrições para os interessados e informe também os pais sobre como a atividade funcionará.

c) Reunião com os candidatos

Combine com os docentes para que exponham os objetivos e os benefícios do projeto para todos os envolvidos. Eles também devem reservar algum tempo do encontro para a apresentação de sugestões e dar um prazo para que os estudantes reflitam sobre a proposta. Depois de alguns dias, organizem um novo momento para a confirmação de interesse.

d) Formação

Identifique, com a ajuda dos professores, as principais dificuldades e dúvidas apresentadas pelos monitores, tanto em relação aos conteúdos como a atitudes. Com base nisso, peça que os docentes elaborem um plano de formação e acompanhamento para os alunos. Garanta o espaço e o horário necessários para que os estudantes recebam referenciais teóricos e também sugestões práticas de como atuar nessa função. Sempre que possível, promova um rodízio dos participantes.

2ª ETAPA: Implementação

a) Sensibilização dos alunos

Oriente os professores para promover conversas constantes sobre a prática com o objetivo de eliminar receios associados ao fato de um estudante ser apoiado por outro. Reitere que essa é uma ação importante, necessária, comum e natural no ensino. A monitoria precisa ser vista como uma atividade colaborativa, em que todos aprendem juntos. Cuide, com os demais educadores, para que essa prática não gere nenhum tipo de competição ou segregação entre os alunos.

b) Início das atividades

Se a ação for feita em sala de aula, durante o turno regular, aconselhe os docentes a ficar atentos para evitar dispersão ou exclusão de estudantes que correm o risco de não ser atendidos nem pelo professor nem pelo monitor. Caso a prática seja realizada no contraturno, o ideal é que ela aconteça pelo menos duas vezes na semana. Em ambos os casos, o educador responsável pela disciplina deve supervisionar o trabalho. 3ª etapa Avaliação Promova reuniões para consultar os professores e os alunos e verifique se os objetivos anteriormente planejados estão sendo alcançados. Além disso, converse com os pais sobre possíveis percepções de mudança na aprendizagem dos filhos. Selecione alguns parâmetros para comparar a evolução dos resultados antes e depois da implantação do projeto, como a evolução dos índices de aprovação ou reprovação. Faça registros da experiência e use-os para mobilizar a escola para a continuidade do projeto.

3ª ETAPA Avaliação 
Promova reuniões para consultar os professores e os alunos e verifique se os objetivos anteriormente planejados estão sendo alcançados. Além disso, converse com os pais sobre possíveis percepções de mudança na aprendizagem dos filhos. Selecione alguns parâmetros para comparar a evolução dos resultados antes e depois da implantação do projeto, como a evolução dos índices de aprovação ou reprovação. Faça registros da experiência e use-os para mobilizar a escola para a continuidade do projeto. 


Consultoria Alexandrino Nunes Mpanzo, mestrando em Educação na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

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