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Parceria premiada

Confira a experiência de duas coordenadoras e uma diretora que desempenharam papel importante em projetos vencedores do Prêmio Educador Nota 10

POR:
Wellington Soares e Camila Camilo

A lista dos dez vencedores da edição 2014 do Prêmio Educador Nota 10, promovido pela Fundação Victor Civita (FVC) em parceria com a Fundação Roberto Marinho, pode ser conferida aqui. Nela, há professores de Educação Infantil e de Língua Portuguesa, Matemática, História, Alfabetização, Arte e Geografia no Ensino Fundamental. Os projetos foram selecionados entre mais de 3,5 mil inscritos de todo o Brasil. São trabalhos desenvolvidos com cuidado e que possuem resultados comprovados. Em muitos deles, o professor não atuou sozinho, contou com uma rede de apoio em que a gestão da escola desempenhou papel fundamental. Conheça mais detalhes sobre três desses projetos vencedores em que a parceria foi um diferencial.

A professora Monique Godoi Gomes Lescura propôs ao 8° ano da EM CAIC, em Lorena, a 190 quilômetros de São Paulo, um estudo sobre desastres naturais. Um dos temas das formações oferecidas em 2013 pela gestão da escola havia sido a organização do tempo didático. Por isso, ela estruturou as aulas em uma sequência didática. 

O planejamento foi discutido e analisado com a coordenadora pedagógica Margareth Souto Fonseca. As educadoras fizeram leituras sobre o assunto e debateram os encaminhamentos mais adequados. Margareth indicou, por exemplo, que a docente formasse equipes produtivas. 

As reuniões de acompanhamento continuaram sendo feitas semanalmente. Em uma delas, as duas elaboraram a visita a instituições que trabalham com o tema em questão e também definiram a melhor maneira para orientar a turma para a pesquisa que seria feita nos locais. 

 

"Ao longo da sequência, Monique refletiu sobre juntar estudantes de níveis conceituais diferentes, mas próximos. Assim, eles podiam avançar juntos." 
Margareth (em pé), coordenadora pedagógica

"Achei que a divisão em grupos favoreceria o aprendizado desse conteúdo. A Margareth discutiu comigo a melhor maneira de organizá-los." 
Monique (sentada), professora
 

Foto: Ramón Vasconcelos

 

Olhar mais para fora 

No CEI Odorico Fortunato, em Joinville, a 186 quilômetros de Florianópolis, a diretora, Roseli Antão da Costa, incentiva os docentes para que olhem para a vizinhança. Próximo ao CEI, há um manguezal, que não era visto com bons olhos pela comunidade. Para mudar essa percepção, a professora Paula Aparecida Sestari transformou a área no tema de um projeto desenvolvido com a turma de 4 e 5 anos. As crianças visitaram o local, pesquisaram quais animais fazem dele seu berçário e compreenderam que ali há o encontro das águas do rio com o mar. 

Roseli acompanhou as etapas desenvolvidas por Paula. Graças às negociações feitas pela gestora com parceiros, os pais também participaram do passeio de escuna pela Baía de Babitonga. Diante do sucesso da visita, a diretora e a educadora ainda buscaram financiamento para construir um observatório voltado para o mangue.

"A escola já é um ambiente da criança. Por isso, sempre incentivo que os professores procurem oportunidades de aprendizado no entorno." 

Roseli, diretora

"Chegamos a esse resultado graças ao trabalho em equipe. Atuamos juntas para as crianças aprenderem mais." 
Paula, professora

Foto: Marcelo Almeida

 

Mesmo tema, outra sequência 

Na Escola da Vila, na capital paulista, a coordenadora do Núcleo de Práticas em Matemática, Lilian Ceile Marciano, usou o planejamento com as docentes do 2º ano para propor que repensassem a maneira de trabalhar o conteúdo dos instrumentos de medida. Ela sugeriu, ainda, que aproveitassem a organização em cantos de atividades e oferecessem utensílios de cozinha em um deles. 

Uma das professoras do grupo, Andréa Dias Tambelli, estruturou o espaço e ampliou o tema. Planejou, então, uma sequência didática. Com a ajuda de Lilian e da nutricionista da escola, selecionou receitas que poderiam colaborar com a reflexão. As crianças trabalharam em grupos e, enquanto cozinhavam, discutiram questões como a diferença de massa entre alimentos de mesmo volume e qual o instrumento mais adequado para medir os diferentes ingredientes.

 

"O que me encanta nesse trabalho é a possibilidade de as crianças relacionarem experiências que elas já têm com um conteúdo formal de Matemática." 
Lilian, coordenadora do Núcleo de Práticas em Matemática

Foto: Arquivo Pessoal

 

 

 

"As reflexões feitas junto com a Lilian colaboraram para ajustar a sequência. Com isso, ampliamos os conhecimentos dos alunos em relação ao tema." 

Andréa, professora

Foto: Ramón Vasconcelos