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Atenção à diferença

Para considerar os direitos de todos, é preciso reconhecer, sempre, a diversidade e as características e necessidades individuais

POR:
NOVA ESCOLA
Terezinha Azerêdo Rios,

Terezinha Azerêdo Rios,
graduada em Filosofia e doutora em Educação

O professor Celestino Alves da Silva Júnior, num encontro com um grupo de educadores, afirmou que a expressão "relação professor-aluno", que usamos com frequência, deveria ser, na verdade, "relação professor-alunos". Ele chama a atenção para o fato de que "a escola pretende ensinar a todos como se fossem um só". Numa reação imediata, poderíamos dizer: "É assim mesmo que deve ser, é preciso procurar a igualdade nas relações". Mas, refletindo sobre o conceito de igualdade, percebemos que tratar um conjunto de pessoas como se elas fossem uma só é deixar de levar em conta a diferença, exatamente o que constitui os indivíduos. Portanto, se o docente não considerar a diversidade existente entre os estudantes, sua atitude pode ser geradora de desigualdades. Nem sempre notamos isso. 

O diretor que trata como iguais os educadores de sua equipe pode estar deixando de reconhecer os limites e as possibilidades de cada um.

O que se afirma sobre uma relação específica vale para todas que existem na escola. O coordenador pedagógico que não percebe as características individuais dos professores com quem trabalha e o diretor que julga tratar como iguais os educadores de sua equipe podem estar deixando de reconhecer os limites e as possibilidades de cada um e de criar situações para que se destaquem as capacidades diversas que ajudam a construir uma instituição de boa qualidade. 

A ética nos diz que é necessário o tratamento igual para todos, garantindo a consideração e o respeito devidos àqueles com quem nos relacionamos. Então, os professores devem atentar para os direitos de todos os alunos e os gestores para os direitos de todos os que constituem a comunidade escolar. E para isso é essencial reconhecer as diferenças e as identidades deles. 

Em encontros com educadores de algumas redes de ensino, tenho notado, com alegria, que, com base em propostas de caráter democrático e em um trabalho articulado de equipes de gestores, essa atitude de respeito vai se ampliando. Vejo crescer a disponibilidade dos docentes em ouvir os colegas e em considerar o ponto de vista deles, ainda que sejam diferentes, fazendo um esforço para realizar efetivamente um diálogo. E percebo, também, experiências bem-sucedidas, que têm em sua origem exatamente o respeito e a generosidade. 

Isso remete à noção de competência que venho procurando explorar. A ética é a dimensão fundante da competência dos educadores. Não pode ser de boa qualidade um professor que domina bem conteúdos da disciplina que leciona e métodos para ensinar, mas não procura conhecer os alunos com os quais se relaciona e não os tem como pessoas que devem ser respeitadas, isto é, reconhecidas em suas características peculiares e portadoras de direitos. O mesmo vale para uma escola que pretende acolher a todos, mas que, por isso, julga que todos são um só, como afirma Silva Júnior. 

Aprendi que a primeira coisa que há de igual nos seres humanos é que cada um é diferente. Isso constitui um desafio para a organização das sociedades, para o desenvolvimento de um processo educacional e para o trabalho na instituição escolar. Que os esforços para a transformação que começamos a ver nos ambientes de ensino sejam partilhados e se multipliquem.


Foto: Tamires Kopp

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