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Por: NOVA ESCOLA

Contra a invisibilidade

Estudantes discretos, que geralmente recebem pouca atenção, precisam ser envolvidos na aula

Catarina Iavelberg,

Catarina Iavelberg,
assessora psicoeducacional especializada em Psicologia da Educação

Você se lembra de refletir sobre aquele aluno que tem um desempenho escolar mediano, não causa problemas e costuma participar pouco das aulas? Esse perfil raramente é discutido nas reuniões pedagógicas. Preocupamo-nos com as dificuldades de aprendizagem daqueles com baixo rendimento ou com o comportamento dos indisciplinados, criamos desafios para os mais ativos, mas não dedicamos muito de nosso olhar aos discretos, que não levantam a mão para falar. Como será que esse grupo se relaciona com o saber? O que o mobiliza? Como podemos ajudá-lo a avançar? 

Um conhecido me disse certa vez que se sentia invisível na escola. Ele era inteligente e curioso, mas, por ser tímido, não explicitava as dúvidas e inquietações em sala. Jamais era selecionado para ser representante de classe e as atividades que entregava nunca eram lidas coletivamente. Só foi percebido pela equipe docente quando a mãe faleceu. Aquele estudante desconhecido se transformou no "menino órfão" e o status lhe garantiu visibilidade. As produções passaram a ser elogiadas e expostas no mural, ele foi escolhido para hastear a bandeira e os professores solicitavam sua participação na aula. Nesse período delicado da vida, seu desempenho melhorou.

A maioria das pessoas desabrocha quando é valorizada. O reconhecimento público é algo significativo e não deve ser negligenciado.

Quantos outros poderiam nos surpreender se tivessem uma chance de mostrar de que são capazes? A maioria das pessoas desabrocha quando é valorizada. O reconhecimento público é algo extremamente significativo e não deve ser negligenciado. Às vezes, para fazer alguém se envolver na aula, basta um comentário positivo ou a oportunidade para comunicar um saber sobre um interesse pessoal. 


Há muitas maneiras de engajar os alunos imperceptíveis. Primeiro, é preciso identificá-los e investigar como se relacionam com o conhecimento. Isso pode ser feito com o levantamento dos centros de interesse deles e na análise das produções, da qualidade das participações na aula e das atitudes na sala, na quadra e nos intervalos. O passo seguinte é planejar intervenções que favoreçam a troca de ideias com os outros colegas. Finalmente, deve-se criar situações em que eles sejam protagonistas e coletivamente reconhecidos. 

Deixar a invisibilidade social pode fazer toda a diferença para alguém que está construindo a identidade de estudante-cidadão. Além disso, nossa responsabilidade, como educadores, é com todos. Inclusive com aqueles que precisam ser descobertos.


Foto: Tamires Kopp

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