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Por: NOVA ESCOLA

Módulo 3: O meu corpo e o dos outros

Mostre aos professores que a investigação é uma etapa central na construção do conhecimento científico e indispensável para aprender Ciências

 Por Que Comemos Isto?, com o relato do trabalho desenvolvido pelo professor José Maria Rodrigues Soares. Oriente todos a ler a experiência, individualmente ou em duplas, e destacar os aspectos que consideram interessantes e possíveis de realizar com a faixa etária com a qual atuam, apontando as adequações necessárias. Promova um debate e mostre a relação entre o que foi realizado pelo docente e os dados coletados na tabela de propaganda de alimentos trazida por eles. Incentive-os a indicar quais orientações do eixo temático Ser Humano e Saúde se relacionam com as aulas de Soares. 

4. Organize os educadores em grupos e entregue o rótulo de um alimento industrializado para cada um. Explique que todos deverão ler as informações contidas no material e analisar quais ajudam a orientar o consumo. Devem refletir se aquilo é bom para a saúde ou não e se pessoas com restrições alimentares podem consumir e avaliar se os dados permitem saber o que realmente estará sendo ingerido. Informe que todos deverão construir uma nova tabela, com o nome do produto, a composição dele, o uso industrial de seus componentes e os efeitos para a saúde. 

5. Socialize algumas das tabelas feitas e converse com os professores sobre o que essa atividade permitiu que aprendessem. Pergunte o que eles descobriram sobre cada alimento, quais informações foram novas e quais desconhecem a função e sentido. Questione, também, se já realizaram atividade semelhante com os alunos e, caso alguém tenha feito, qual foi a reação. Caso nunca tenham feito, pergunte se consideram válido propor algo semelhante à classe deles e porquê. Aproveite para conversar sobre o sentido de usar fontes de pesquisa para ampliar conhecimentos e obter informação para resolver um problema. Ressalte que, em ações como essa, a melhor maneira de obter informação sobre aquilo que não se sabe e a terminologia que se desconhece é perguntando a um especialista ou buscando em outras fontes escritas. Portanto, em sala de aula, o docente pode levar a turma a essas investigações complementares. 

6. Sugira a leitura da entrevista da educadora argentina Delia Lerner para NOVA ESCOLA.

3ª REUNIÃO: Investigação com imagens

1. Providencie revistas que possam ser recortadas ou computadores com acesso à internet. Peça que os grupos selecionem um conjunto de imagens que possa ser analisado pelos alunos e em que eles possam separar aquelas que reflitam situações saudáveis e não saudáveis. 

2. Durante a atividade, caminhe pela sala para observar os indicadores que utilizam para a classificação e as ideias que apresentam sobre o conceito de saúde e sobre o uso de imagens em aulas de Ciências.

Coordenador É interessante que as seleções incluam imagens de pessoas muito magras, anoréxicas, obesas, com obesidade mórbida e aparentemente saudáveis. Ressalte que a discussão se torna mais interessante se todos os estudantes tiverem imagens iguais. Assim, as possíveis diferenças na classificação enriquecem a análise.

 

3. Durante a socialização, discuta as diferenças de classificação que aparecerem. Problematize os critérios que cada grupo utilizou na separação das imagens. Discuta o fato de a aparência ter sido tomada como um critério de classificação e lembre que isso também pode ocorrer ao realizar a atividade em sala de aula. Explique que classificação é um dos conceitos estruturantes da ciência e que a subjetividade deve ser evitada. Portanto, para separar imagens saudáveis e não saudáveis deve-se considerar um conjunto de características relevantes e possíveis de ser compreendidas por todos. 

4. Distribua ou leia para todos a apresentação do volume Saúde dos PCN (páginas 65, 66 e 67). Reforce que saúde e alimentação saudável são temas tradicionalmente presentes no trabalho de Ciências com turmas do Ensino Fundamental. Entretanto, as estratégias adotadas não têm se revelado suficientes para garantir a abordagem dos conteúdos relativos aos procedimentos e às atitudes necessárias à promoção da saúde. Isso mostra que o acesso à informação não promove a mudança de hábitos e a adoção de comportamentos favoráveis ou desfavoráveis à saúde. Informações isoladas como a pirâmide alimentar, comumente afixada no mural da sala ou no refeitório da escola, não têm efeito na construção de valores e na aquisição de hábitos e atitudes. O mais importante, então, é trabalhar uma visão ampla de saúde, analisando as mudanças históricas, as diferenças geográficas e socioculturais, as preferências individuais e as necessidades de cada indivíduo relacionando-as a ritmos e hábitos de vida, tendo em vista as práticas de promoção, proteção e recuperação da saúde. 

5. Distribua para cada grupo uma cópia do plano de aula O que é um prato bem-feito?. Peça que leiam a sequência proposta, discutam e respondam o que essas propostas permitem que os alunos aprendam. Deixe que socializem as respostas e destaque que as duas atividades criam condições para a turma aprender a medir o índice de massa corporal e a tomar consciência do que estão consumindo, refletindo sobre o cardápio pessoal de cada um. 

6. Entregue aos grupos o texto indicado na sequência, que ensina a medir o índice de massa corporal (IMC). 

Incentive que cada professor calcule o seu índice. Construa uma tabela no quadro e anote o IMC daqueles que se sentirem à vontade em revelar. Faça a tabulação para levantar quantos estão com peso baixo, normal, sobrepeso e obeso classe I, II e III, segundo as definições da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

7. Lembre que, de modo geral, no trabalho com este eixo, o corpo humano não é visto de forma integrada. Discuta quanto, algumas vezes, expõe-se o tema pautado no repasse de informação com uma abordagem moralista e até simplista. Volte a conversar sobre a classificação inicial das imagens e os conceitos de saudável e não saudável utilizados para separá-las. É muito provável que só tenham sido considerados conceitos subjetivos, como aparência e estética. Explique que no Brasil, segundo a OMS, o índice de crianças obesas e desnutridas é bastante alto, principalmente nas classes sociais menos privilegiadas. Reforce que o objetivo do trabalho nesta área deve ser que os alunos entendam a saúde como um estado de bem-estar físico e mental. A meta é ajudá-los a adquirir interesse pelo cuidado com o corpo e reconhecer a si mesmos como agentes responsáveis pelo próprio bem-estar. O trabalho deve ajudar todos a fazer escolhas adequadas e a praticar hábitos saudáveis. Essa é a contribuição e o diferencial que o estudo na escola pode e deve oferecer. 

8. Pensando e considerando o que foi discutido e aprendido nesta reunião, solicite que revisem as propostas e práticas que têm desenvolvido e as tragam modificadas no encontro seguinte. Quando entregarem, recolha, analise e faça uma devolutiva posteriormente. 

9. Indique como leitura complementar o artigo Obesidade e Desnutrição: Males Que Afetam Nossas Crianças.

4ª REUNIÃO: Pesquisa e leitura direcionadas

1. Se for possível, é interessante realizar este encontro em uma sala que tenha ao menos um computador por grupo com acesso à internet. Caso contrário, providencie material de pesquisa. Retome os pontos principais da reunião anterior. Informe que agora vocês voltarão a pensar sobre a promoção de saúde e hábitos saudáveis. Explique que realizarão uma atividade similar a muitas que poderiam ser propostas aos estudantes: trabalharão na construção de um cardápio ideal para pessoas descritas em uma ficha, com características (sexo, idade e condições físicas) diferentes. Durante a realização da tarefa, todos deverão buscar informações e trocar impressões sobre o que aprenderam com a leitura dos textos.

Paciente 1 Ana Maria Pedroza 
Idade: 23 anos 
Sexo: feminino 
Problema de saúde diagnosticado: doença de Crohn 
Hábitos: sedentária 

Paciente 2 Miguel Artemis 
Idade: 4 anos 
Sexo: masculino 
Problema de saúde diagnosticado: diabetes 
Hábitos: não observado 

Paciente 3 Antonio Gouveia 
Idade: 63 anos 
Sexo: masculino 
Problema de saúde diagnosticado: doença renal 
Hábitos: sedentário 

Paciente 4 Ana Julia Pederneira 
Idade: 8 meses 
Sexo: feminino 
Problema de saúde diagnosticado: doença celíaca 
Hábitos: não observado

 

2. Apresente cada paciente chamando a atenção para os aspectos que devem ser considerados na construção do cardápio. Sorteie as filipetas e distribua para os grupos. É provável que os detalhes de algumas doenças não sejam conhecidos. Essa escolha foi intencional para que a situação se apresente como um problema a ser resolvido pelos professores. Uma boa situação-problema deve fazer sentido no campo de conhecimento das pessoas envolvidas, mas não pode ser resolvida apenas com o que já se sabe. Ela deve se basear nisso para construir novos aprendizados. Também é conveniente que o problema seja rico e aberto e que coloque o sujeito diante da necessidade de tomar decisões que lhe permitam escolher procedimentos ou caminhos diferentes (Douday, 1986; Inhelder, 1992. In Emilia Ferreiro, Delia Lerner e Marta Kohl de Oliveira. Piaget-Vigotsky - Novas Contribuições para o Debate. Editora Ática.) 

3. Acompanhe a realização da pesquisa e a construção dos cardápios caminhando entre os grupos. Quando todos terminarem, solicite que cada equipe apresente o paciente, as características da doença e o cardápio elaborado. 

4. Lembre que o propósito da pesquisa estava claramente colocado pela situação apresentada (construir um cardápio com base nas características do paciente). Saliente que o fato de ter uma pergunta autêntica atua como guia e motivador dos esforços intelectuais que precisarão ser realizados para cumprir a tarefa. Os bons cientistas buscam perguntas boas, interessantes e contestáveis. Nas aulas de Ciências, tal qual na ciência profissional, é importante fomentar nos estudantes a arte de levantar questões que conduzam a investigações. 

Nesse sentido, a maneira como as dúvidas são apresentadas também é muito importante. Uma pergunta gera um processo de exploração que se converte em observação, troca, experimentação e, muitas vezes, outros questionamentos. Portanto, ao encontrar uma resposta, novas perguntas se abrem. Esse é o jogo e o encantamento de estudar Ciências. 

5. Encerre a reunião indicando a leitura dos textos É Essencial Ensinar a Ler Textos de Ciências e Foco na Pesquisa Científica, de Ana Maria Espinoza.

 

5ª REUNIÃO: Coleta e análise de dados

1. Apresente para todos o jogo Quem Realizou o Delito? Peça que tomem nota, pois, depois, vão planejar como fazer algo semelhante com sua turma. A atividade é composta das seguintes etapas:

a) Introdução do caso para a turma: o professor diz que alguém da classe cometeu um delito. A polícia já investigou e coletou alguns dados e evidências. Cabe aos estudantes descobrir quem são os suspeitos. 

Para isso, vão realizar alguns testes, coletar dados para comparar com os que a polícia possui e elencar os suspeitos. 

b) Apresentação da ficha de caracterização do suspeito (feita antecipadamente com base nos dados de um integrante da classe, que deverá manter segredo): 

Nome: desconhecido 
Idade: não foi possível identificar 
Sexo: não foi possível determinar 
Altura: entre 158 e 177 centímetros 

Dados coletados: 
- impressão digital 
- fio de cabelo 
- tamanho da caixa torácica expirando e inspirando 

c) Investigação em grupos: o docente deve entregar a cada aluno um pedaço de cartolina com os quatro dados coletados antecipadamente. Depois, precisa explicar que eles vão averiguar as características dos integrantes da equipe para poder compará-las com as do suspeito.

 

2. Organize os professores em grupos e peça que discutam como essa atividade poderia ser operacionalizada com a turma de um deles. Indique que planejem como os estudantes coletariam cada um dos dados para poder comparar com a ficha do suspeito e que antecipem que tipo de dúvidas e dificuldades eles podem ter durante o processo. Avaliem, também, o que os alunos podem aprender sobre o conteúdo corpo humano com essa proposta. 

3. Destine algum tempo para que compartilhem suas ideias com os demais. Depois, se necessário, você pode explicar como os dados podem ser coletados seguindo os procedimentos abaixo: 

a) Coleta de impressões digitais 
Desenhar, em uma folha de papel sulfite, um quadrado para cada integrante do grupo. Recortar um pedaço de aproximadamente 5 centímetros de fita dupla face para cada integrante. Em um papel rascunho, rabiscar com o lápis grafite várias vezes em uma mesma área e esfregar o polegar de quem vai tirar a impressão sobre essa área. Retirar a proteção de um dos lados da fita dupla face e pressionar o polegar sujo sobre a superfície adesiva, sem esfregar. Extrair a proteção do outro lado da fita e colar no papel, deixando a impressão à mostra. Repetir a mesma operação para todos. Para que a fita não grude em outras folhas de papel, deve-se colar um pedaço de fita adesiva transparente sobre cada impressão. Identificar, com nome, o registro de cada pessoa. 

b) Coleta de altura 
Com uma fita métrica, os alunos podem medir a altura de cada integrante e anotar o resultado no quadrado da folha de sulfite junto à impressão digital. Você pode optar por conversar sobre formas e procedimentos para realizar a medição ou deixá-los livres para decidir como fazer. 

c) Medição do tórax 
A pessoa deverá expirar o máximo de ar que conseguir e, com uma fita métrica, um colega mede o contorno do tórax dele na altura do peito. Em seguida, a mesma pessoa deve inspirar profundamente e prender a respiração. A medida do tórax deverá ser novamente realizada. Anote o resultado das duas medidas no quadrado da folha de sulfite de cada um. Comparar a medida do tórax ao expirar e ao inspirar e buscar explicações para a diferença entre as medidas encontradas nas várias pessoas pode ajudar a evidenciar a relação entre entrada de ar e aumento do tamanho do tórax. Se compararem a diferença entre a medida da expiração e da inspiração encontrada em um ou outro perceberão que elas mudam, pois isso depende da capacidade pulmonar de cada um. 

d) Análise do fio de cabelo 
Retirar um fio de cabelo e colar uma das pontas, com fita adesiva, no quadrado da folha de sulfite de cada integrante. Analisar as características de cada fio e comparar com a do suspeito. 

4. Chame a atenção para o fato de nosso corpo apresentar características de estruturas e funcionamento próprias da espécie e compartilhadas por todos os seres humanos. Mas, ao mesmo tempo, o corpo de cada pessoa é único e sempre apresenta alguma característica que o identifica como indivíduo. Essa individualidade não se restringe às impressões digitais. Há, por exemplo, a íris, a parte colorida do olho, e o DNA, que são únicos em cada ser humano. 

5. Para finalizar, solicite que os docentes elaborem uma sequência didática, com no mínimo seis etapas, que ajude os alunos a conhecer a individualidade deles e compreender que cada corpo é único. Ressalte a necessidade de encadeamento entre as etapas, conforme o que foi visto e discutido na primeira reunião deste módulo.

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