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Momentos produtivos e cheios de sentido

Conheça diversas propostas para o encontro com a família e saiba como planejar e tirar o melhor proveito de cada uma delas

POR:
Karina Padial

Praticamente toda escola organiza reuniões de pais. No entanto, frequentemente, elas resultam em baixo número de participantes ou em discussões improdutivas. Assim, não são atendidas as expectativas dos educadores nem dos responsáveis. Se você está passando por uma situação como essa, é hora de revisar os mecanismos utilizados para planejar e realizar os encontros com as famílias. 

"As reuniões devem ser momentos de integração em que os pais tenham oportunidade de conhecer sobre o que as crianças fazem e aprendem e em que os educadores respondam às dúvidas deles, criando um clima de debate e crescimento", afirma Sonia Kramer, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), no livro Com a Pré-Escola nas Mãos: Uma Alternativa Curricular para a Educação Infantil (110 págs., Ed. Ática, tel. 11/4003-3061, edição esgotada). 

A preocupação com o planejamento das reuniões e o propósito que elas terão deve estar presente desde a elaboração do projeto político-pedagógico (PPP). Para operacionalizá-las com sucesso, é preciso conhecer a realidade e as necessidades das famílias. Isso inclui, por exemplo, ter ciência do horário de trabalho dos responsáveis. Também é essencial envolver os pais no planejamento das atividades, permitir que opinem na definição de temas a ser contemplados e promover momentos de avaliação em que possam fazer sugestões e críticas. Depois do evento em si, uma síntese do que foi discutido ajuda a reafirmar o espaço de participação e a manter informados os que não puderam comparecer. 

A presença nos encontros ainda exige outros cuidados, como organizar um ambiente acolhedor, garantir espaço para todos os participantes e convocar os interessados com antecedência. Os convites precisam ser claros (veja a análise de alguns modelos), usar linguagem acessível e conter informações precisas sobre o tema e o objetivo. "A participação dos familiares é mais efetiva quando ela é relacionada à aprendizagem. Por esse motivo, o evento deve ser uma oportunidade para eles se inteirarem do progresso e do desenvolvimento dos alunos", aponta o documento Hojas de Consejos para las Reuniones de Padres y Maestros para Directores, Maestros y Padres de Familia (Páginas de conselhos para as reuniões de pais e mestres para diretores, professores e pais, em tradução livre), publicado pelo Projeto de Pesquisa Familiar da Universidade de Harvard.

Ao se aterem a informações burocráticas, entrega de notas e críticas ao desempenho e ao comportamento do aluno, os encontros se afastam da intenção inicial. "Para evitar isso, diretores, coordenadores pedagógicos e professores devem trabalhar juntos no planejamento das reuniões, atentos às necessidades da escola e do grupo de pais para que elas não se restrinjam ao período de fechamento de bimestre nem sirvam apenas para que o boletim ou uma produção sejam retirados", afirma Heloísa Helena Genovese de Oliveira Garcia, autora da tese Família e Escola na Educação Infantil: Um Estudo sobre Reunião de Pais

Ao realizar uma preparação mais cuidadosa desses encontros, nota-se que é possível diversificar formatos de acordo com o que se deseja alcançar. O começo do ano letivo, por exemplo, exige um momento de socialização do regimento interno e de informações relativas ao funcionamento da instituição e de apresentação de docentes e funcionários. As dúvidas ou queixas sobre as mordidas na Educação Infantil ou os casos de bullying, por sua vez, podem ser esclarecidas em reuniões temáticas com a presença de especialistas. Agora, se o assunto for relacionado ao desempenho de um estudante, é válido convocar uma conversa individual com os responsáveis. Já na transição de etapas, como a passagem do 5º para o 6º ano do Ensino Fundamental, é importante esclarecer as mudanças que vão ocorrer. E há outras oportunidades - como a entrada no ciclo de alfabetização - em que cabe uma explicação sobre o processo de aprendizagem e as concepções de ensino. Por fim, para aproximar os pais dos avanços da turma e da maneira como os conteúdos são trabalhados em sala de aula, o ideal é compartilhar as produções dos alunos. 

Confira a seguir como seis escolas ganharam na presença e no envolvimento das famílias ao diversificar o formato e a proposta da reunião e veja a orientação de especialistas para cada tipo de encontro.

Reunião de começo de ano

Parceria firmada desde os primeiros dias de aula

Resultados  Em Ipixuna do Pará, avaliações externas e outros indicadores são analisados em fevereiro

Os pais precisam conhecer o local em que os filhos vão estudar e os professores e funcionários com quem eles vão conviver e entender as regras e concepções que regem o ensino ali. Por isso, o primeiro encontro do ano com os responsáveis é estratégico. 


Nele, um representante de cada área deve estar presente, incluindo a secretaria e as equipes de limpeza e cozinha. "Esse também é o momento para que o diretor e o coordenador pedagógico, juntos, falem com todas as famílias sobre o PPP", afirma Ana Paula Araújo Fonseca, doutora em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). 

O funcionamento da escola e a rotina dos alunos em relação ao horário de entrada, de saída e dos intervalos, assim como o regimento interno, que traz as regras de convivência, também devem estar na pauta. Essa discussão pode servir, inclusive, como um espaço de integração. Beate Althuon, consultora do programa Gestão Escolar de Qualidade, da Fundação L?Hermitage, em Belo Horizonte, sugere que sejam formados grupos em que os pais com mais tempo de escola apresentem e discutam as normas com os mais novos. "Isso colabora para que os gestores identifiquem quais regras já foram internalizadas e quais precisam ser retomadas", afirma. 

Se algum projeto institucional estiver previsto, essa é a hora para informar os familiares sobre como as classes serão envolvidas e quais objetivos se quer alcançar. Compartilhar a maneira como se avalia a aprendizagem dos estudantes e a periodicidade com que isso ocorre é outra função dessa reunião. 

Na EMEF Antonio Marques, em Ipixuna do Pará, a 255 quilômetros de Belém, a coordenadora pedagógica Luciana de Brito socializa os resultados das avaliações externas e os índices de aprovação, reprovação e evasão na primeira reunião do ano, em fevereiro. Com base nesses dados, ela apresenta as ações desenvolvidas para melhorar a aprendizagem, como a formação continuada dos professores e as aulas de reforço para quem possui alguma dificuldade. Ela ainda retoma a importância da colaboração da família com o acompanhamento da lição de casa, a garantia da frequência do aluno à escola e a organização dos materiais e dos tempos de estudo. "Sempre separamos um espaço para que todos tirem dúvidas e deem sugestões. Assim, valorizamos a presença e a participação deles", diz Luciana. 

A reunião em Ipixuna do Pará, no entanto, não acaba aí. Depois dos informes gerais, os presentes são divididos e cada um segue com o professor da turma do filho. Na sala de aula, o docente faz um resumo dos conteúdos que serão abordados durante o ano, dos materiais e recursos que serão utilizados e dos resultados esperados. O formato tem dado tão certo que a cada vez a lista de presença é maior. Em fevereiro deste ano, mais de 220 pais compareceram.

Preste atenção

Se a escola não tiver um espaço confortável para acomodar todos de uma vez, divida o grupo e faça o encontro em duas ou mais datas.

 

Ouça o depoimento de Maria Silva Lemos, mãe de Myllena Silva Lemos, 10 anos, e de Kallena Silva Lemos, 8 anos, alunas, respectivamente, do 3º e do 4º ano da EMEF Antonio Marques:

 

 

Reunião individual

Momento particular para casos específicos

Um dia para cada um  O baixo desempenho e também as boas notícias motivam conversa em Londrina

Não se deve esperar a reunião geral para expor os problemas ou os avanços que um aluno vem apresentando nem permitir que os pais dominem os encontros coletivos com comentários e dúvidas sobre uma criança. Casos particulares, tanto os positivos quanto os negativos, devem ser tratados em atendimentos individuais. 


"Os responsáveis precisam saber que podem procurar a escola sempre que houver necessidade. Isso mostra a preocupação da gestão com o desenvolvimento de cada aluno e transmite segurança ao pai", ressalta Selma Inês Campbell, autora do livro Reunião de Pais e Mestres - Organização e Planejamento (116 págs., Ed. Wak, tel. 21/3208-6095, 26 reais). Ao identificar algo que está prejudicando o desempenho ou os relacionamentos do aluno, como problemas de saúde, mudanças de atitude, dificuldades emocionais ou de aprendizagem, é fundamental que a equipe gestora marque um momento com a família. Mas essa reunião não pode se transformar em um espaço de confronto e punição. 

Culpar os pais não traz mudanças. Ao contrário, isso gera sentimentos de fracasso e angústia nos adultos e tensão na relação deles com a criança. Por essa razão, a conversa precisa fugir dos julgamentos e se concentrar em compartilhar a questão e compreender os motivos que têm levado a ela. 

Os gestores da CE Professor José Carlos Pinotti, em Londrina, a 388 quilômetros de Curitiba, sabem disso. "Temos muito cuidado para que os alunos e os responsáveis não achem que é uma oportunidade para briga ou retaliação. Nossa postura é a de buscar uma solução em conjunto com todos os envolvidos", explica a diretora Evelice Maria Bueno. 

Quando, por exemplo, um aluno está com baixo desempenho em Matemática, a equipe indica as aulas de reforço no contraturno. No caso de os mecanismos internos não darem conta da situação, parceiros externos podem ser acionados se todos concordarem com o encaminhamento. Se um aluno tem dificuldade de visão, a escola ajuda a buscar um oftalmologista. 

É preciso ficar atento, no entanto, para não preencher esses horários apenas com problemas. "É interessante que coordenadores pedagógicos e professores apresentem dados positivos sobre o avanço da criança", defende Beate Althuon. Nos encontros em Londrina, as boas notícias também são compartilhadas. Por isso, a conquista de um prêmio, a melhora no rendimento em uma disciplina ou a mudança positiva de comportamento podem justificar a ida dos pais à escola. 

As reuniões têm sempre a presença de um representante da equipe diretiva e outro da coordenação pedagógica. O envolvimento de professores e alunos é avaliado a cada caso. Depois, a ficha de acompanhamento do estudante é atualizada. "Essa prática teve impacto positivo no desempenho e no comportamento dos estudantes. É raro ter de tratar duas vezes do mesmo assunto", afirma Evelice.

Preste atenção

Organize-se para chamar todos os pais para um encontro individual pelo menos uma vez ao ano, além, é claro, de quando houver um tema urgente a tratar, e não só quando há um ponto negativo.

 

Ouça o depoimento de Maria Vereni, avó de Ana Caroline Gomes, 15 anos, e Rafael Gomes da Silva, 13 anos, alunos, respectivamente, do 1º ano do Ensino Médio e do 6º ano do Ensino Fundamental da CE Professor José Carlos Pinotti:

 

 

Reunião temática

Assunto e local adequados aos interesses dos pais

A escola no bairro  Diretora e assistente social colaboram com a formação das famílias em centro comunitário

São vários os temas que afligem os pais ou que a escola sente que poderia abordar com eles. "Contemplar as demandas das famílias é uma maneira de se aproximar delas e ajudar a lidar com suas dúvidas e a enfrentar dificuldades que surgem diariamente na Educação dos filhos", afirma Cisele Ortiz, coordenadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. 


Para mapear essas necessidades, as equipes gestora e docente devem estar atentas a questões colocadas pelos familiares no dia a dia. Também pode-se criar estratégias para que eles opinem em relação aos assuntos que gostariam de discutir. Enquetes no site, pedidos de sugestão por e-mail ou questionários enviados para casa pelo aluno auxiliam a identificar as principais angústias. 

Com o assunto definido, vale avaliar o envolvimento de um especialista no encontro. Além de abordar aspectos que não são do domínio dos educadores, o palestrante apresenta estudos e pesquisas sobre a área que ajudam a embasar o trabalho da instituição e a reflexão dos pais. "Mas é preciso que ele seja orientado em relação às características e expectativas do público. Palestras muito teóricas, que pouco se relacionam com a experiência dos responsáveis e que não utilizam linguagem acessível desestimulam a participação", alerta Selma Inês Campbell. Definir um mediador, como o coordenador ou um professor, dá a oportunidade para que os presentes se expressem e tirem dúvidas, além de evitar desvios de assunto. 

Desde o ano passado, o CE Arnaldo Busato, em Coronel Vivida, a 404 quilômetros de Curitiba, passou a realizar reuniões temáticas. A primeira questão abordada foi a evasão escolar, algo que vinha sendo discutido pelos órgãos públicos do município. Um evento inicial tratou do assunto com todos. A ele seguiram-se outros três com um grupo de familiares que estava enfrentando o problema. Representantes do Conselho Tutelar e da Promotoria Pública do município participaram das discussões. 

"Esses encontros foram os mais produtivos do ano. Por se tratar de algo que de fato interessava aos pais, houve um envolvimento muito maior, a ponto de revertermos alguns casos de abandono. Por isso, resolvemos manter a proposta este ano", conta a diretora Erozane Pizzoni Casagrande. 

O primeiro debate de 2014 foi sobre a importância da parceria da família com a escola e contou com a presença de uma assistente social do munícipio, que relatou casos em que o acompanhamento mais sistemático dos pais se mostrou fundamental para a melhoria do desempenho dos filhos. A novidade, no entanto, ficou por conta da organização dos encontros em centros comunitários de quatro bairros diferentes. "A instituição fica na região central da cidade, que possui uma área rural muito extensa. Por isso, há certa dificuldade de os pais se deslocarem até aqui. Em vez de ficarmos reclamando, resolvemos nos movimentar e levar a reunião até eles", explica Erozane. A iniciativa foi um sucesso. Em cada noite, 120 pessoas, em média, estiveram presentes. Agora, a equipe já se prepara para definir a próxima pauta.

Preste atenção

Os encontros temáticos não precisam envolver todos os pais. Como cada faixa etária demanda um tipo de atenção, você pode abordar um assunto específico para os responsáveis de cada segmento ou turma.

 

Ouça o depoimento de Leonice Graff Inácio de Lima, mãe de Daniela Graff Inácio de Lima, 15 anos, aluna do 2º ano do Ensino Médio da CE Arnaldo Busato:

 

 

Reunião sobre a aprendizagem

Por que e como se ensina o que se ensina?

 

 

Apagar as respostas da criança na lição de casa, não permitir o uso da calculadora para resolver uma atividade ou realizar uma tarefa no lugar do filho. Ao não ser apresentada à maneira como a escola ensina e como o aluno aprende, a família age como acredita ser o certo. Por isso, é fundamental explicar quais as concepções de ensino seguidas e mostrar as condições oferecidas para que a aprendizagem ocorra da melhor maneira. "Ao entender o percurso educativo, os pais passam a confiar no progresso dos filhos e se sentem seguros para auxiliá-los", afirma Paula Stella, da ONG Laboratório da Educação, em São Paulo. 

Para alcançar esse objetivo, o ideal é organizar reuniões que permitam aos responsáveis compreender o trabalho feito em sala de aula e que mostrem que ele possui uma linha evolutiva, embasada cientificamente. A promoção de vários encontros no ano colabora com isso e ajuda a demonstrar os resultados alcançados em cada período, bem como a orientar os pais sobre como acompanhar o desenvolvimento dos filhos. 

Um momento adequado para realizar esse tipo de evento é o ciclo da alfabetização. "Procuramos explicar, de forma clara e simples, a questão das hipóteses de escrita e das produções de textos. Assim, eles passam a ter subsídios para acompanhar o avanço dos alunos, ajudá-los em casa e entender que os erros, inclusive os que eles veem nos cadernos, fazem parte desse processo", conta Eduarda Diniz Mayrink, blogueira do site de GESTÃO ESCOLAR e coordenadora pedagógica da EM Murillo Garcia Moreira, em Rio Piracicaba, a 142 quilômetros de Belo Horizonte (veja o vídeo acima). 

Ao organizar um encontro desse tipo, a coordenação pedagógica precisa selecionar, junto com os docentes, algumas produções para mostrar aos presentes. Fotos e vídeos do dia a dia em sala, realizados pelos próprios educadores, devem ser compartilhados. Os pais podem, ainda, contar como a aprendizagem de determinados conteúdos repercutiu em casa. 

Outra possibilidade é propor aos familiares que eles façam atividades similares às que os estudantes realizam em classe. "É importante preservar a condição do adulto e não infantilizar o trabalho proposto, já que isso pode causar constrangimento", diz Cisele Ortiz. Além disso, a especialista alerta para o fato de os educadores terem a sensibilidade de encontrar uma solução para aqueles que não quiserem ou não conseguirem fazer a tarefa.

Preste atenção

Ao apresentar os avanços obtidos, tenha muito cuidado para não comparar os resultados dos alunos. Questões relacionadas ao desempenho de cada um devem ser discutidas em encontros individuais.

 

Reunião de transição entre etapas

Mais atenção, menos problemas de adaptação

Mudança assistida Horários, materiais e avaliações do 6º ano são esclarecidos em Belo Horizonte

As crianças vão trocar de turma? Elas terão mais lição de casa? Quantos são os novos professores? Quantos cadernos os alunos terão de levar por dia? Eles serão preparados para o vestibular? São inúmeras as perguntas que afligem os pais quando os filhos passam da pré-escola para o 1º ano do Ensino Fundamental, do 5º para o 6º do Ensino Fundamental ou do 9º ano do Ensino Fundamental para o 1º ano do Ensino Médio. 


"As famílias ficam mais ansiosas que os estudantes. Por isso, essas fases necessitam de uma atenção especial. Quanto mais cuidado se dispensar a elas, menos dificuldades de adaptação as crianças e os adolescentes terão", ressalta Beate Althuon. 

A abordagem pode começar na última reunião do ano que precede a transição. O diretor deve apresentar o coordenador pedagógico que trabalha com a nova etapa e ambos precisam falar sobre as características do segmento e antecipar algumas mudanças previstas. Outra possibilidade é convidar pais que já passaram por esse processo para conversar com os que vão vivenciá-lo agora. 

Tópicos relacionados à rotina em classe, à dinâmica da aula e às formas de avaliação costumam ser comuns. Na mudança para o 6º ano do Ensino Fundamental, por exemplo, quando os alunos passam a ter um professor por disciplina e várias aulas por dia, é interessante que os pais sejam instruídos a colocar o horário na parede de casa e ajudar na organização do material para que eles não carreguem sempre todos os livros e cadernos ou para que, ao contrário, não se esqueçam de levar algo. 

Além de abordar assuntos mais práticos, é preciso estar atento a aspectos comportamentais que marcam essas transições. "Na chegada aos anos finais do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio, deve-se abordar com as famílias e com os estudantes, em momentos distintos, temas como drogas e sexo porque nessa idade eles estão mais suscetíveis a experimentações. Além disso, passam a estar mais expostos à violência urbana, uma vez que deixam de ir acompanhados à escola", diz Cisele Ortiz. 

A discussão sobre as mudanças deve se estender para o início do ano. Dessa vez, a coordenação pode esclarecer os resultados obtidos pelas turmas que acabaram de concluir a série em que os estudantes vão entrar. Na EE Doutor Simão Tamm Bias Fortes, em Belo Horizonte, o diretor, Elck Marra Neto, a vice-diretora, Marilac das Neves Mourão, a coordenadora, Analéria Cota Pascoal e o corpo docente participam da primeira reunião com os pais do 6º ano. No encontro, a equipe gestora aborda questões como os horários de entrada e saída, o uso do material e as formas de avaliação. "Aos professores cabe informar a quantidade de aulas de cada disciplina e explorar o currículo daquele ano", explica Elck. 

O momento também serve para tratar temas como a afetividade. Isso porque, até o 5º ano, os alunos têm apenas um professor, o que favorece o vínculo entre eles. "Todos ficam receosos de que os filhos poderão não se dar bem com algum docente e que será cada um por si. Então, abordamos esse processo do ponto de vista das relações interpessoais", conta o diretor. Ainda são desenvolvidas ações pensando nos alunos. Além de passar orientações para eles no final do ano anterior à transição, os educadores do 5º ano produzem um relatório de cada estudante que é entregue aos seus pares do 6º ano.

Preste atenção

Para que as dúvidas dos pais cheguem ao conhecimento das equipes gestora e docente e sejam sanadas por elas, peça aos responsáveis que enviem perguntas antes do encontro.

 

Ouça o depoimento de Elizângela Almandes dos Reis, mãe de Maria Alice Almandes dos Reis, 11 anos, aluna do 6º ano do Ensino Fundamental da EE Doutor Simão Tamm Bias Fortes:

 

 

Reunião de exposição das produções

Uma amostra do que tem sido feito em sala

 

 

A apresentação de atividades realizadas pelas crianças permite mostrar para as famílias os conteúdos desenvolvidos, o trabalho realizado pelo professor, o que os alunos têm aprendido e quais os avanços conquistados pela turma. Portanto, trata-se de uma estratégia potente para envolver os responsáveis no processo pedagógico. 

Mas, como em todos os formatos de reunião, deve-se ter cuidado com a preparação. "É preciso selecionar bem as atividades que serão mostradas porque, para os pais, o que mais chama a atenção são os erros e aquilo que os estudantes ainda não aprenderam. Para enxergar os progressos, eles precisam da orientação e da intervenção do professor ou do coordenador pedagógico", esclarece Paula Stella. 

Deve-se, então, reservar um momento em que o docente explique coletivamente o objetivo de algumas atividades, quais os resultados obtidos e o que eles representam dentro do percurso educativo. Diante de uma série de desenhos feitos pelas crianças da Educação Infantil, por exemplo, é importante mostrar como, gradualmente, os pequenos se aproximam das noções de perspectiva e escala, passando a compor cenas que não misturam elementos de diferentes contextos. 

As produções podem ser apresentadas em projetores, para que todos acompanhem a análise, e ainda ficar expostas na parede. "Nesse caso, é interessante que os familiares sejam convidados para uma visita guiada, em que receberão explicações sobre o material", sugere Beate Althuon. Fotos e vídeos também colaboram para comparar e mostrar que os alunos estão fazendo coisas diferentes do início do processo. 

Após esse momento, é possível programar outro, mais individual, em que cada um poderá analisar o que foi desenvolvido por seu filho com base no que foi dito antes. Na EMEB Professora Judith Almeida Curado Arruda, em Jundiaí, a 60 quilômetros de São Paulo, é assim que a reunião se desenvolve. Depois de uma conversa coletiva, na qual são expostos os principais conteúdos trabalhados, as didáticas utilizadas e algumas produções, os presentes têm a oportunidade de ver os portfólios preparados pelo professor em conjunto com a coordenadora pedagógica. "Encontramos nesse formato a possibilidade de as famílias verem o avanço real de cada criança", afirma Eliana Aparecida da Silva Corradin, coordenadora pedagógica do 4º e do 5º anos. Veja o vídeo acima. 

Preste atenção

Faça uma seleção cuidadosa para que as produções apresentadas não sejam de apenas um aluno ou daqueles com melhor desempenho e representem as diferentes etapas da aprendizagem.