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Uma comunicação 360 graus

Para deixar alunos e comunidade por dentro das atividades, diretora organiza um calendário coletivo e o exibe na porta de entrada principal

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NOVA ESCOLA
Agenda pública Maria de Fátima adotou o cronograma mensal para que todos acompanhem a rotina da escola. 
Foto: Marina Piedade

A EE Alexandre von Humboldt é uma das escolas do estado de São Paulo que implantou o Ensino Médio em tempo integral em 2012. Quando assumi a direção, no início deste ano, percebi que a carga horária estendida exige disciplina com a rotina escolar. Durante as nove horas que nossos mais de 400 alunos ficam na instituição - quatro horas a mais do que no modelo tradicional -, eles estão sempre envolvidos em alguma atividade. Os professores trabalham em regime de dedicação exclusiva e, além de dar aulas, participam de reuniões pedagógicas, saídas para estudo do meio e diversos projetos. Por isso, decidimos implantar ferramentas a fim de organizar a agenda e facilitar a comunicação. A primeira delas está prevista no modelo de ensino integral, mas não havia sido implantada. 

Trata-se da adoção de uma agenda por segmento, que fica disponível na diretoria, na secretaria e na sala dos professores, da coordenação pedagógica e das coordenações de área. Essa estratégia foi útil para um início de planejamento coletivo e para que eu acompanhasse o cronograma, promovendo a sincronização das respectivas rotinas. Todos os alunos ganharam uma agenda própria que indica a data das avaliações, as reuniões de pais e os feriados e na qual eles podem incluir as próprias anotações. 

Apesar de ser um instrumento eficiente, achamos que só esse tipo de organização por segmento não era suficiente. Seria necessário que a comunidade escolar também ficasse bem informada sobre o nosso cotidiano. Então, bolamos uma segunda ação: a agenda pública - um quadro branco dividido em forma de calendário mensal que fica na entrada da escola. Nele anotamos as principais atividades previstas para o período. Ao consultá-lo, é possível saber quando haverá palestra, confraternização, visita da equipe técnica da Secretaria de Educação e saídas de membros da equipe para participar de formação externa. Incluímos também compromissos periódicos - aulas de trabalho pedagógico coletivo (ATPC) de todas as disciplinas; reunião com representantes de classe, funcionários e equipe gestora; atendimento às famílias; encontros do conselho escolar; e a data de provas dos alunos. 

Para elaborá-lo, na última semana de cada mês consulto os cronogramas das áreas e seleciono os eventos importantes. Por causa desse planejamento, quase não temos alterações na nossa agenda - quando há alguma, logo faço a atualização.

Durante a implantação do projeto - que batizamos de Comunicação 360 Graus -, conversamos com os estudantes sobre a importância dessas ferramentas na comunicação. É interessante ver como eles foram se apropriando da proposta. A consulta ao quadro virou um hábito e todo dia encontro alunos conferindo a própria agenda e checando possíveis mudanças. Recentemente, um grupo veio à diretoria conferir se a escola estaria fechada no dia 12 de outubro - apesar de não ter nenhuma atividade programada, as agendas não indicavam que a data era um feriado (houve um erro na produção do material e o quadro, assim, ajudou a divulgar o calendário correto). 

Como forma de fazê-los participar da elaboração e mantê-los envolvidos no processo, discuto o cronograma geral na reunião semanal com os líderes das turmas e retomo as atividades que precisam ser lembradas aos colegas. Juntos, também avaliamos as datas dos próximos eventos e se há necessidade de alterar o calendário para adequá-lo à rotina. 

Apresentamos às famílias o projeto em uma das primeiras reuniões do ano. Agora, não é raro ver um pai ou uma mãe em frente ao quadro fazendo anotações, geralmente conferindo data de saídas pedagógicas ou de festividades. Além do contato direto entre todos os segmentos, ganhamos transparência na comunicação interna: nem sempre podemos atender pessoas que chegam pedindo para falar com algum de nós da equipe gestora - e o quadro serve para mostrar que não é má vontade, pois atestamos que estamos em compromisso interno ou externo. 

A experiência conquistou o reconhecimento da rede e em novembro a apresentamos no Seminário de Boas Práticas Pedagógicas e de Gestão organizado pela Diretoria de Ensino - Região Centro-Oeste. Como se trata de um projeto replicável, esperamos que sirva de modelo para outras escolas.

Maria de Fátima Braz de Aragão Rizzo é diretora da EE Alexandre von Humboldt, em São Paulo.


Foto: Marina Piedade

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