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Reformar só a diretoria

Ao deixar de lado espaços que precisam de obras mais urgentes, o gestor se aproveita do cargo em detrimento do investimento no ensino

POR:
Karina Padial
Ilustração: Andre Rocha

Muitas vezes há um descompasso entre a conservação e a manutenção da sala do diretor e das salas de aula e demais ambientes de aprendizagem: enquanto a primeira está montada com vidros antirruído, piso novo e paredes recém-pintadas, os outros espaços demandam reparos nas janelas e nos equipamentos usados pelos alunos. Por vezes a Secretaria de Educação só constata essa realidade após a obra estar pronta. Não é difícil encontrar escolas que, ao receberem verbas para reforma, privilegiam o espaço dos gestores, deixando de lado necessidades mais urgentes. 

A diretoria é o lugar onde se costuma guardar documentos importantes e receber pais e alunos. Isso não quer dizer, no entanto, que ela mereça atenção especial. "As decisões do gestor devem ser tomadas para garantir as condições de ensino e de aprendizagem. A instituição é pública e os interesses pessoais não devem ser levados em consideração", afirma Joscely Bassetto Galera, professora da pós-graduação em Educação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e autora da pesquisa A Gestão do Espaço Físico Escolar: Um Desafio Social. 

Jussara Paschoalino, professora do curso de Gestão Escolar do Ministério da Educação (MEC), feito em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz que além de uma vantagem indevida, a prática reforça a visão de uma instituição pautada pela hierarquia - em que o lugar com melhor aparência é reservado ao cargo mais alto.

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