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Aprendizagem em família

Alunos levam para casa uma sacola com publicações para eles e para os pais, além de brinquedos e jogos para se divertirem juntos

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NOVA ESCOLA
Elza, da EM Vila Aparecida, usa recursos de programas do governo para comprar livros e brinquedos. Foto: Tamires Kopp

Na EM Vila Aparecida, os livros estão em todos os espaços. Em cada sala de aula, da Pré-Escola ao 5º ano do Ensino Fundamental, existe um cantinho da leitura. A biblioteca, mesmo pequena, está sempre aberta à comunidade. Até no pátio, em que todos ficam na hora da merenda, há um carrinho-baú com diferentes títulos, que podem ser apreciados durante o intervalo. Como gestora, sei da importância de a escola ser um ambiente que estimula e favorece o hábito da leitura e sempre desejei que as nossas crianças também tivessem em casa o mesmo incentivo. 

Foi pensando nisso que apresentei à equipe pedagógica, em 2007, o projeto Um Pedacinho da Escola na Minha Casa. A proposta foi montar uma sacola com diferentes livros para crianças, jovens e adultos, revistas e edições recentes do jornal da cidade para que pais e alunos pudessem ler e tomar gosto pela leitura. 

A ideia foi muito bem recebida por todos. O primeiro passo foi definir os critérios para selecionar as publicações. Privilegiamos temas interessantes e gêneros relevantes para cada turma, evitando os títulos trabalhados em sala de aula, justamente para ampliar e enriquecer o repertório dos estudantes. 

Coletivamente, decidimos que a coordenação pedagógica acompanharia de perto a iniciativa e daria todo o suporte necessário às professoras no momento da escolha das obras. Com o tempo, a equipe se envolveu e dela partiram muitas sugestões. Foi assim que demos um passo adiante, incorporando às sacolas jogos de tabuleiro, quebra-cabeças, brinquedos educativos, blocos para desenho e giz de cera. Este ano, os pequenos da Educação Infantil levaram, além de livros literários, bonecos de pano e bichinhos de pelúcia. Recentemente, a coordenadora pedagógica, Vanessa Quilim, elaborou um questionário para avaliar a satisfação dos pais, saber quais os materiais de que mais gostam e perguntar se sentem falta de algum item. Foi uma forma também de pedir sugestões para melhorar.

Para ter sempre novidades, todo ano ampliamos o acervo. Com recursos do Ministério da Educação (MEC), via Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), adquirimos livros de literatura. Já com os recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), compramos os outros itens. Também realizamos alguns eventos em parceria com a comunidade para arrecadar verba especialmente para essa finalidade. 

No dia a dia, o funcionamento do projeto é bastante simples: cada turma organiza um rodízio. Toda terça-feira um estudante leva a sacola para casa e a devolução ocorre na segunda-feira da semana seguinte. O kit passa pela residência de cada um pelo menos duas vezes por ano. Entre os títulos infanto-juvenis estão as coleções Comecinho, de Ruth Rocha, e Como Eu Me Sinto, de Nancy Cote. Para os adultos são enviados textos de Paulo Freire (1921-1997), Cecília Meireles (1901-1964) e Machado de Assis (1839-1908), entre outros autores. 

No início do ano, os pais são apresentados ao projeto. Explicamos que a leitura compartilhada e a interação com os filhos são fundamentais para o processo de aprendizagem. Mostramos que nosso objetivo é, principalmente, despertar neles também o prazer pelo mundo das letras, fazendo com que, pelo exemplo, eles influenciem os pequenos. 

Antes da devolução da sacola, os pais registram as experiências de leitura e dos momentos de lazer em um caderno. Eles contam como usaram o material, citam as histórias que mais agradaram a eles e aos filhos e os jogos e brinquedos mais divertidos. Contam também sobre a ansiedade que as crianças ficam até que chegue a vez delas no rodízio. 

Já recebemos depoimentos emocionantes, como o de Cátia Cristina Coelho, que relatou com orgulho os momentos de leitura com o filho, Bernardo, de 7 anos, hoje no 2º ano do Ensino Fundamental. No ano passado, quando ele ainda não estava totalmente alfabetizado, foi com os livros enviados na sacola da escola que ele se arriscou a ler as primeiras frases para ela - com muito sucesso. 

Todos são cuidadosos com o material, pois sabem que na semana seguinte um colega levará o kit para casa. Em sala de aula, as crianças compartilham com a turma como usaram a sacola na roda de leitura ou fazendo desenhos e relatos - até os pequenos escrevem, da melhor forma que sabem.

Elza Aparecida Pereira é diretora da EM Vila Aparecida, em Portão (RS).

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