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Crescimento interno e coletivo

O desenvolvimento das pessoas e das instituições vai muito além do que se encontra nos indicadores numéricos

POR:
NOVA ESCOLA
Terezinha Azerêdo Rios,

Terezinha Azerêdo Rios,
graduada em Filosofia e doutora em Educação

Quando meu filho era criança, ao voltar de um período de férias, a professora comentou que ele havia crescido bastante. E ele a surpreendeu, dizendo que tinha crescido mais por dentro. Essa afirmação encontra ressonância no que nos traz o escritor mineiro Murilo Cisalpino no belo livro O Tamanho da Gente (32 págs., Ed. Autêntica, tel. 0800-28-31-322, 34 reais): Dizem que um dia a gente chega ao tamanho que é aquele tamanho que a gente vai ter na vida. E pronto, acabou-se. Não cresce mais. Será?! Pode até ser... Só tem uma coisinha: eu acho que a gente pode até parar de crescer por fora, mas a gente continua crescendo por dentro. Pra dizer a verdade, eu acho que por dentro é onde a gente mais cresce.

Na escola de meu filho, naquela ocasião, conversamos sobre o crescimento das crianças e dos adolescentes, nas férias e nas aulas. Será que os alunos sentiam que cresciam por dentro ao realizar as atividades didáticas? Quanto a instituição estava contribuindo para um desenvolvimento que não se dava apenas no interior dela, também se expandia para a vida inteira dos estudantes?

Quando refletimos sobre a busca do crescimento e o significado de que ela se reveste no mundo contemporâneo, percebemos que tem sido marcada por valores muitas vezes discutíveis e problemáticos. Nosso olhar é desviado para aspectos físicos e quantitativos: estamos atentos aos indicadores numéricos, aos resultados das avaliações, à superação de etapas, às porcentagens. Nem sempre lembramos que progredimos, efetivamente, quando temos consciência de nosso papel na construção da história, quando percebemos os valores que norteiam nossas ações e relações e procuramos caminhos que permitam a realização do bem comum.

O crescimento por dentro se revela nas palavras, nos gestos e nas atitudes das pessoas no contexto social. Podemos perceber esse processo nas crianças e nos jovens quando se empenham em participar das decisões que são tomadas na família, na escola, nos grupos, quando mostram que aprendem aquilo que faz parte do currículo e também o que ultrapassa esse universo e tem a ver com o exercício da cidadania e da convivência democrática.

Portanto, é no convívio que se dá o crescimento. A equipe gestora, os professores, os alunos, os funcionários e a comunidade progridem juntos. Há ritmos diferentes, em cada pessoa e em cada grupo, e é na harmonia desses tempos que se vai construindo a fisionomia da instituição educacional, em um movimento desafiador e sempre surpreendente. Assim, altera-se o sentido da expressão Quando eu crescer.... Esse processo continua por toda a vida e só esbarra na finitude da condição humana.

Volto a Murilo Cisalpino: Dentro da gente, a gente cresce em lembranças, cresce em esperança, em vontade, em desejo de realizar sempre alguma coisa a mais. Se tivermos consciência de que estamos crescendo juntos e de que o desenvolvimento de cada um deve implicar o crescimento de todos, na certa voltaremos nossos esforços para que a escola e o mundo que construímos sejam maiores por dentro!

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