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Por: NOVA ESCOLA e Nairim Bernardo

TIC nas aulas: onde estamos

Reportagem da edição especial Guia de Tecnologia, publicada em 2012, indicada por Kika Alves

"Sou assinante da NOVA ESCOLA há 16 anos. Já conhecia a revista bem antes disso, por causa da minha mãe, que também é professora. Lembro de ler as reportagens e me imaginar compartilhando meus projetos um dia. Em 2012, fui procurada para integrar o Guia de Tecnologia na Educação. Foi uma grande surpresa. Todo professor sonha com isso e, de repente, eu estava na capa! Isso mudou muita coisa na minha vida e na minha carreira. Passei a ser chamada para dar palestras e o projeto de que estava participando se tornou ainda mais conhecido."

Kika Alves, professora no Sesi Petrópolis, a 72 quilômetros do Rio de Janeiro.

 

TIC nas aulas: onde estamos

Os equipamentos chegam às escolas, mas ainda há muitos desafios para que a inclusão da tecnologia nos processos de ensino e de aprendizagem alcance resultados positivos

Há 30 anos seria impossível imaginar uma sala de aula sem o quadro ou uma pesquisa escolar feita sem uma enciclopédia. Muito menos, que esses instrumentos consagrados seriam substituídos por modernas lousas digitais e inúmeras obras virtuais disponíveis na internet. Mas os tempos mudaram, sim, e a presença da tecnologia na Educação avança a cada dia. 

"A grande contribuição desses recursos e o que de fato eles mudam é o envolvimento do estudante com a aprendizagem, produzindo e investigando os conteúdos", destaca Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, docente do Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Essa interatividade representa o fim do antigo modelo educacional, no qual cabia ao aluno apenas ouvir passivamente o que o docente lhe transmitia. "Aquele que não se adaptava a isso era carimbado como ruim ou preguiçoso. Hoje, temos a possibilidade de oferecer a esses estudantes outras portas de acesso ao conhecimento. Há uma série de novas mídias para representar e entender o mundo", diz Paulo Blikstein, doutor em Educação e professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. 

Diante de tamanha transformação, as expectativas com a inclusão das TIC na Educação foram e ainda são enormes. No início dessa modernização, houve quem acreditasse que sozinhas as novidades seriam capazes de melhorar a qualidade do ensino. Atualmente, já se sabe que isso é mito, e a tecnologia é apenas um meio para alcançar processos educativos mais eficazes. Ela aproxima a escola da realidade desta geração que praticamente nasceu sabendo usar tudo o que é tecnológico e se transforma em um intermediário atraente, que ajuda a motivar os alunos. 

Os equipamentos estão chegando a cada vez mais instituições. O Censo Escolar 2010 mostra que 60,45% das escolas brasileiras possuem computador. Mas apenas 23% das escolas urbanas entrevistadas pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) contam com manutenção preventiva. 

Além dos técnicos especializados no maquinário, é preciso que haja um professor qualificado orientando a utilização dessas ferramentas e direcionando-as para um conteúdo predeterminado. Ou seja, os equipamentos devem servir ao trabalho pedagógico e educadores e técnicos precisam atuar em conjunto para alcançar esse objetivo. Aí está o grande desafio. Será que a maioria dos educadores sabe como tirar bom proveito desses instrumentos? Eles recebem uma formação adequada para isso? Infelizmente, a resposta para essas perguntas é "ainda não". A pesquisa O Uso do Computador e da Internet na Escola Pública, realizada pela Fundação Victor Civita (FVC) em parceria com o Ibope Inteligência e o Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico, em 2009, mostrou que 70% dos professores entrevistados sentiam-se pouco ou nada preparados para o uso da tecnologia na Educação. 

Para Sérgio Amaral, coordenador do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas na Educação (Lantec) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o principal benefício dessas mudanças na prática pedagógica é que o professor tem a possibilidade de ser autor do material que utilizará nas aulas, sem precisar de outros profissionais para desenvolvê-lo. Dessa forma, ele ganha autonomia para traçar seus objetivos e para medir a eficácia de uma determinada metodologia. Mas com a grande oferta de materiais e ferramentas online, esse modelo só trará resultados positivos se o docente souber escolher criticamente o que e quando deve ser utilizado. E isso esbarra novamente na formação. 

"As universidades, que deveriam ser o centro de disseminação desse conhecimento, simplesmente não o fazem. Os profissionais se formam sem nunca ter aprendido como utilizar as TIC na classe de maneira adequada", diz Amaral Carvalho, pesquisador da Universidade de Aveiro, em Portugal. "Um curso de alguns dias ou semanas não mudará esse cenário. A capacitação nessa área precisa ser contínua." 

Como resultado, o professor César Coll, da Universidade de Barcelona, constata que na maioria dos cenários de Educação formal o acesso e a aplicação da tecnologia ainda são limitados e, muitas vezes, inexistentes. "Os usos atuais das TIC têm reforçado práticas já existentes em vez de buscar por inovação. Elas não garantem automaticamente dinâmicas de melhoria educativa, mas podem gerá-las se aplicadas no contexto correto", afirmou em seminário neste ano em São Paulo. Como se vê, ainda há muitos obstáculos. Este guia, um convite para gestores e docentes dispostos a enfrentá-los, está repleto de ideias para aproveitar tantas possibilidades. Boa leitura e lembre de compartilhar os seus aprendizados.

 

Eu fiz assim

Organizei videoconferências semanais com Moçambique

POR SKYPE
Professores promoveram troca de informações sobre a língua e a cultura dos dois países com seus alunos do 2º ano

"Realizei o projeto Conexão Brasil e Moçambique em parceria com o professor João Carolino, da Escola Portuguesa de Moçambique, em Maputo. Fizemos videoconferências por Skype e MSN com a participação dos alunos das nossas turmas de 2º ano pelo menos uma vez por semana. Todos os encontros foram dirigidos, com base no conteúdo que estava sendo trabalhado em classe ao longo de seis meses. Trocamos várias informações sobre a língua, contamos histórias dos dois países e buscamos semelhanças entre eles. Depois, as crianças continuaram se correspondendo por e-mail e carta. Como utilizamos a internet, conversei com elas sobre a segurança e, durante todo o processo, mostrei quais deveriam ser os cuidados ao realizar contatos desse tipo."

Cristiane Pereira Alves (Kika Alves), professora do 2º ano do Sesi Petrópolis, em Petrópolis, a 72 quilômetros do Rio de Janeiro.

 

Curti

"Aprendi muito com o projeto. Conversamos com professores e alunos na África. Embora eles também falem português, vimos que algumas palavras têm um significado totalmente diferente lá."

José Vitor Gonçalves, 8 anos, hoje aluno do 3º ano.


Glossário
TIC: sigla de tecnologias de informação e comunicação, inclui as máquinas e os programas que geram a difusão e o acesso ao conhecimento


Fotos: Elisa Mendes

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