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Falar bem em público se aprende na escola

Reportagem da edição 230, de março de 2010, indicada por Claudio Bazzoni

POR:
NOVA ESCOLA e Monise Cardoso

"Grande parte dos professores não possui elementos para trabalhar o eixo da oralidade na área de Língua Portuguesa. Então, o esclarecimento desse tema se torna uma ferramenta para o docente. A importância da reportagem está no potencial agregador que ela representa."

Claudio Bazzoni é coordenador de Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Santa Cruz, em São Paulo, e professor de pós-graduação na Universidade Padre Anchieta.

 

Falar bem em público se aprende na escola

Seminário, debate e entrevista são conteúdos curriculares. Para que todos aprendam a tomar a palavra, é essencial orientar a pesquisa, discutir bons modelos, refletir sobre simulações e indicar formas de registro

Texto Beatriz Santomauro

Quem não apresenta suas ideias com clareza ou defende mal seus argumentos diante um grupo enfrenta problemas tanto na sala de aula como na vida profissional. A escola, no entanto, não tem se dedicado à questão como deve. Embora o ensino da língua oral esteja previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) há mais de uma década, essa prática está longe de ser prioridade. Ela é confundida com atividades de leitura em voz alta e conversas informais, que não preparam para os contextos de comunicação. 

"Comunicar-se em diferentes contextos é questão de inclusão social, e é papel da escola ensinar isso", explica Claudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. O que todo professor precisa incluir em seu planejamento são os chamados gêneros orais formais e públicos, que têm características próprias, pois exigem preparação e apresentam uma estrutura específica.

A língua oral está organizada em gêneros (entrevistas, debates, seminários e depoimentos) e o empenho do professor nas aulas deve ser o mesmo dado aos gêneros escritos (contos, fábulas, crônicas, notícias e outros). Assim como não há um texto escrito sem propósito comunicativo, tampouco existe uma só maneira de falar. É preciso criar contextos de produção também para os gêneros do oral - em que se determinam quem é o público, o que será dito e como. "É isso que permite aos alunos se apropriarem das noções, das técnicas e dos instrumentos necessários ao desenvolvimento de suas capacidades de expressão em situações de comunicação", explica Bernard Schneuwly, da Universidade de Genebra, na Suíça, no livro Gêneros Orais e Escritos na Escola

A diferença entre a língua falada e a língua escrita é uma questão antiga. Até a década de 1980, elas eram consideradas opostas. Enquanto a primeira aparecia como incompleta e imprecisa, a segunda simbolizava formalismo e planejamento. Os debates recentes apontam para um caminho bem diferente. "O oral e o escrito têm pontos de contato maiores ou menores, conforme o gênero", defende Roxane Rojo, docente de pós-graduação em Linguística Aplicada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

É necessário, portanto, ensinar a preparação de situações de comunicação oral com base num planejamento que requer quatro condições didáticas: orientação da pesquisa, discussão de modelos, análise de simulações ou ensaios e indicação de formas de registro. Veja nas páginas seguintes como desenvolvê-las na produção de entrevistas, seminários e debates.


 

Seminário

O essencial é selecionar as informações mais importantes e transmiti-las ao público com clareza.

Para que um seminário seja eficiente, o aluno precisa se sentir um especialista sobre o assunto que vai expor e ser claro ao apresentar suas ideias. Ele deve passar ao público o que considera mais importante e, ao tomar o lugar que geralmente é do professor, pensar na melhor maneira de fazer isso. 

De acordo com Schneuwly, essa atividade é "um instrumento privilegiado de transmissão de diversos conteúdos", mas, para que seja realmente eficiente, é necessário que "estratégias concretas de intervenção e procedimentos explícitos de avaliação sejam adotados". O pesquisador chama a atenção para essas funções do professor porque, mesmo sendo o seminário um dos gêneros orais mais comuns em classe, ele não recebe a atenção devida a um conteúdo de ensino. "Muitas vezes, o professor propõe um tema e pede que se faça um seminário sobre ele. Esquece-se, no entanto, de que não é possível adivinhar como prepará-lo de maneira adequada", reforça Maria Aparecida de Freitas Cuer, coordenadora pedagógica da EMEF Paulo Duarte, em São Paulo. 

Uma boa apresentação começa com a introdução, em que o estudante delimita o que será tratado, legitima as razões de suas escolhas e mobiliza a atenção e a curiosidade dos ouvintes. Ao planejar o que será dito, o apresentador deve tentar antecipar algumas reações da plateia, prevendo o que fará mais sucesso ou será de difícil assimilação e, por isso, necessita de apoio escrito, como números - que devem estar registrados nos cartazes ou slides (conheça na próxima página a experiência da professora Regina Pereira da Silva, que promoveu com a turma um seminário sobre o meio ambiente). 

Considerar os conhecimentos e o interesse do público é uma característica dos seminários. É por isso que não basta dizer para o aluno seguir um roteiro e falar continuamente, sem nem sequer notar quando alguns parecem interessados no tema e outros mostram que estão cheios de dúvidas. Provocar os colegas em busca de uma reação, questionar se todos estão entendendo ou colocar uma questão chamando para um debate são maneiras interessantes de interagir. 

Não se esqueça de que a turma toda precisa ser orientada quanto à estrutura do seminário, ou seja, a organização do tempo de fala de cada integrante e as regras para a participação dos ouvintes - se podem pedir esclarecimentos durante a fala do colega ou apenas no fim, por exemplo (nesse caso, quem está na plateia anota o que deseja saber e espera para retomar a ideia mais adiante).

 

Na produção do seminário, o registro tem destaque

Foto: Tarso Sarraf

Nas aulas de Ciências para uma turma de 5º ano, a professora Regina Pereira da Silva, da EMEF Professora Sônia Maria Terzella Nogueira, em Paragominas, a 323 quilômetros de Belém, ensinou conteúdos relacionados ao meio ambiente. Em seu planejamento, considerou que uma forma eficiente de as crianças aprenderem seria o trabalho com seminários. Cada grupo escolheu um enfoque: poluição visual, sonora e dos rios, animais em extinção e desmatamento foram os eleitos. 

Para que as crianças dominassem a apresentação oral, a professora orientou uma série de atividades preparatórias: fez com que elas pesquisassem sobre os temas e produzissem textos, mostrou vídeos de seminários considerados eficientes e orientou a preparação de esquemas que guiaram a apresentação oral para os colegas de uma escola vizinha (leia os destaques abaixo). "A turma compreendeu a necessidade de dominar o assunto e organizar bem os dados para conseguir falar com clareza", conta. A apresentação terminou com a abertura para perguntas da plateia. "Se o grupo não sabia a resposta, já estava preparado para dizer: '?Vamos anotar a questão, fazer uma pesquisa e esclarecê-la em breve'". 

 

  1. Pesquisa 
    Na teoria 

    Ao buscar em diferentes fontes as informações a ser apresentadas em seminários, é necessário distinguir entre o essencial e o secundário. Além disso, os dados devem ser traduzidos para a linguagem do público, favorecendo a transmissão da informação com clareza. 
    Na prática 
    Para aprender sobre o meio ambiente, a turma de Paragominas se dividiu. Cada grupo ficou responsável por um tema e consultou internet, livros didáticos e jornais nacionais e regionais em busca de dados sobre os rios que cruzam a cidade e o corte de árvores nativas.
     
  2. Modelo
    Na teoria 

    A turma precisa conhecer produções da mesma natureza para ter referências e poder refletir sobre esse gênero do oral. Como focar um tema, que informações destacar nos registros de apoio e como interagir com o público e chamar a atenção para os dados mais importantes é primordial. 
    Na prática 
    A professora Regina mostrou à classe trechos de gravações de seminários realizados por turmas mais velhas e por outros professores da escola. Sua intenção era levar a sala a pensar tanto sobre a postura de quem fala quanto sobre as formas de participação de quem ouve. 
     
  3. Ensaio ou simulação 
    Na teoria 

    Muito mais do que um treino, esse é um momento de reflexão sobre o trabalho que está sendo organizado. Para que todos notem os pontos altos e baixos da apresentação, é interessante gravar ou filmar o grupo. Dessa maneira, fica fácil determinar como a fala pode ser aprimorada. 
    Na prática 
    Antes de apresentar os trabalhos para turmas de outra escola, os grupos ensaiaram bastante, tendo como plateia os próprios colegas de classe e a diretoria. A atividade serviu para apontar as dúvidas mais frequentes dos ouvintes e o que ainda precisava ser aprofundado. 
     
  4. Registro
    Na teoria 

    Da pesquisa ao dia da apresentação, pequenas anotações, relatórios e esquemas são a base de organização do seminário. O apoio exibido na parede serve para guiar aquele que fala e para a turma acompanhar seu raciocínio - mas não apenas para ser lido. 
    Na prática 
    Os registros escritos acompanharam todas as etapas do trabalho em Paragominas. De cada fonte, as crianças retiraram o que consideravam importante e tomaram notas. Em duplas e individualmente, determinaram os tópicos a ser usados como apoio no seminário.

 

Entrevista

O resultado é o esperado quando o aluno se aprofunda no tema com base nas respostas dadas.

A entrevista é resultado de um diálogo. A participação de um e outro na conversa varia conforme o direcionamento feito por quem pergunta e a reação de quem responde. O objetivo é obter informações a ser transmitidas a ouvintes, leitores ou telespectadores. Para que tenha um bom resultado, o "repórter" deve conhecer o assunto abordado, além de formular perguntas precisas e instigantes. É ele quem orienta a interação. 

Ensinar a fazer entrevistas na escola é importante por ser essa uma maneira de aprender sobre um assunto ou esclarecer uma questão obscura, o que serve para toda a vida acadêmica ou mesmo fora dela. "Mais do que apenas perguntar, o estudante adquire as habilidades de compreender o que está sendo dito e de se aprofundar sobre um tema aproveitando as respostas dadas", explica Ana Amélia Inoue, coordenadora do Instituto Acaia, em São Paulo, e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. 

O entrevistador tem outra função: "É o mediador de um conhecimento pelas perguntas que faz a seu convidado", afirma Joaquim Dolz, pesquisador da Universidade de Genebra, no artigo Entrevista Radiofônica, Lugar de Mediação Entre Conteúdos e Dinâmicas da Situação Comunicativa. Essa interação com o entrevistado permite identificar o que precisa ser mais bem explicado para atender o público. Por isso, é preciso ter claros alguns pontos: quem lerá ou ouvirá a entrevista, qual o nível de formalidade da linguagem exigido e qual o propósito do trabalho. 

O resultado será mais eficiente se a garotada pensar na melhor organização das perguntas para que os temas afins sejam explorados de uma só vez, evitando interromper o pensamento que está sendo desenvolvido. Ensinar a trabalhar esse gênero do oral inclui também mostrar como evitar respostas como "sim" e "não". Um meio de solucionar o problema é atuar como bons profissionais, que podem usar frases do tipo "fale-nos sobre..." e "conte mais desse episódio", que ajudam a alongar a conversa (conheça na próxima página a experiência da professora Iara Rodrigues Alho Lopes, que trabalhou o conteúdo durante um trabalho sobre a história local). Outra atividade rica é apresentar somente as respostas dadas por um entrevistado e pedir que a turma descubra quais foram as perguntas feitas. 

As experiências da garotada com o gênero podem ser coletivas - do planejamento à sistematização -, feitas em pequenos grupos ou individualmente. O importante é que progressivamente todos adquiram segurança na atividade e tenham a oportunidade de trabalhar em situações desafiadoras, com temas mais complexos e com pessoas distantes do seu convívio.

 

Analisar modelos é um meio de aprender a entrevistar

Foto: Fernanda Preto

Resgatar a história da vila de Paranapiacaba, em Santo André, região metropolitana de São Paulo. Essa foi a proposta apresentada à turma de 2º ano da EMEIEF Paranapiacaba para a qual Iara Rodrigues Alho Lopes leciona. Para saber o que os moradores sentiam e conheciam sobre o passado do local onde vivem, a meninada deveria entrevistá-los para as aulas de Língua Portuguesa. "A história oficial é lida nos livros e jornais. Mas as impressões individuais são captadas nas conversas", explica Iara. 

Com base numa pesquisa inicial, as crianças escolheram como entrevistado o senhor Gersino Luis da Silva, motorista de um trenzinho que percorre as ladeiras da vila histórica transportando turistas. Para dar conta do trabalho, analisaram bons modelos de entrevistas escritas ou mostradas em vídeo, o que permitiu verificar como as questões eram feitas (leia os destaques abaixo). 

O próximo passo foi a divisão de funções: alguns ficaram responsáveis por fazer as perguntas e outros por anotar as respostas e manejar o gravador. 

Na hora da conversa, os estudantes surpreenderam a professora: "O roteiro elaborado em sala foi usado como base para a entrevista, mas eles souberam criar perguntas com base nas respostas dadas por seu Gersino". 

 

  1. Pesquisa 
    Na teoria 

    Se o tema da conversa é a vida de uma pessoa, conhecer sua biografia e trajetória ao longo dos anos é a primeira tarefa. Se é um acontecimento histórico, entender o contexto e os protagonistas dos fatos faz a diferença. Isso evita perguntar sobre os dados já conhecidos. 
    Na prática 
    A turma de Paranapiacaba visitou a biblioteca e pesquisou em livros e jornais o que havia sido escrito sobre o passado da vila histórica e quem eram as pessoas envolvidas com turismo na cidade. Escolhido o personagem, os meninos procuraram informações sobre ele com outros moradores. 
     
  2. Modelo
    Na teoria 

    Assistir a uma entrevista permite observar o comportamento dos participantes: que gestos fazem? Como o entrevistado demonstra nervosismo ao não querer falar sobre uma questão? De que forma o entrevistador volta a uma pergunta mal respondida? 
    Na prática 
    Iara mostrou programas gravados, como as entrevistas feitas por professores da escola, as veiculadas pela TV e as publicadas em revistas. Assim, a garotada refletiu sobre essa situação de interação, percebendo a fala titubeante de um entrevistado e a insistência de quem faz as questões. 
     
  3. Ensaio ou simulação 
    Na teoria 

    Em algumas situações, aplicar o questionário de uma entrevista com outra pessoa pode fornecer pistas sobre o que vai ser dito na situação real. Com esse procedimento, fica claro que questões podem ser acrescentadas ou suprimidas (no caso das que levam a respostas como "sim" e "não"). 
    Na prática 
    Durante os ensaios, as crianças refletiram sobre o roteiro elaborado e notaram que precisavam fazer ajustes. Além da série de perguntas sobre a vida pessoal e a rotina do trabalho de seu Gersino, acrescentaram ao questionário também as dúvidas a respeito do funcionamento do trem. 
     
  4. Registro
    Na teoria 

    As anotações acompanham todo o trabalho. Na pesquisa, sublinha-se e anota-se o que já é conhecido. Em seguida, são redigidas as perguntas a fazer e o que mais chama a atenção em relação aos modelos. No momento da entrevista, o que é dito deve ser gravado ou anotado. 
    Na prática 
    Os primeiros registros da turma de Iara foram retomados para a elaboração de um roteiro mais completo. Durante a entrevista, alguns alunos gravaram e os demais tomaram nota. No fim, o registro oral foi passado para o escrito e transformado em texto narrativo, escrito em terceira pessoa.

 

Debate

Essa situação desenvolve a argumentação e a capacidade de defender ideias.

O debate é um espaço de reflexão sobre um tema. Permite desenvolver a habilidade de argumentar, escutar opiniões, compreender o colega e confrontar os próprios pontos de vista. Para garantir que a troca de ideias seja produtiva, algumas regras devem ser colocadas, como a possibilidade de todos se expressarem, o tempo de fala, o momento de tomar a palavra e o da réplica. 

Um primeiro passo para o sucesso nesse desafio é realizar uma pesquisa eficiente. Afinal, sem dados consistentes, fica difícil sustentar uma opinião (conheça no quadro na próxima página a experiência da professora Dulcemar Therezo Esteves Martins, que organizou um debate sobre as relações de trabalho). Não é de um dia para o outro que a turma passa a dominar as habilidades relativas a esse gênero do oral. Mas, se ao longo dos anos encontra propostas desafiadoras, o avanço ocorre. 

A intervenção do professor durante atividades desse tipo varia conforme a confiança dos alunos em relação à forma de participar das discussões. Ele pode servir como moderador, retomando e reiniciando as discussões, ou regulando as participações. Se os estudantes conseguem argumentar com base nas informações que têm, o objetivo deve ser levá-los a outro patamar. Aí entra a capacidade de refutar os dados do debatedor oponente e retomar em seu discurso a fala dele. Esse tipo de troca de opiniões deve ter como intenção o convencimento do outro. Ao confrontar seus argumentos com os dos demais debatedores, o jovem reforça sua posição, muda de ideia ou constrói em conjunto com os demais uma resposta mais complexa para a questão. 

Não se deve esquecer que um debate só tem sentido se mobiliza os participantes. Por isso, ao planejar se esse conteúdo vai virar um tema da atividade, é necessário pensar se ele é polêmico e permite respostas variadas. 

O fim de um debate pode indicar as conclusões de um grupo ou o aprofundamento das opiniões. Um possível acordo final ou os diversos pontos de vista defendidos podem ser registrados pelo professor ou pelos alunos individualmente. Assim, cada um pensa sobre suas conclusões. 

O trabalho com debates e outros gêneros do oral, de acordo com as condições didáticas apresentadas nesta reportagem, leva à formação de pessoas que se expressam adequadamente em situações variadas - função de toda escola.
 

Ao fazer a pesquisa, a turma se prepara para o debate

Foto: Fernanda Preto

Dulcemar Therezo Esteves Martins, professora da CEMEJA Professor Dr. André Franco Montoro, em Jundiaí, a 63 quilômetros de São Paulo, promoveu um debate sobre as relações de trabalho durante as aulas de História para uma sala de pós-alfabetização de Educação de Jovens e Adultos (EJA). A preparação da turma envolveu uma pesquisa extensa, que incluiu a leitura de textos e depoimentos de personagens de diferentes épocas sobre a história do trabalho no Brasil (leia os destaques abaixo). Dessa forma, os alunos conheceram as mudanças ocorridas ao longo dos anos. Alguns pontos levantaram mais polêmica. O que é melhor: ganhar menos e ter benefícios ou receber um salário maior sem ser funcionário registrado? O que deve melhorar no relacionamento entre colegas e entre empregados e patrões? "Ao defender seus pontos de vista, os alunos usaram uma linguagem mais formal e formularam argumentos precisos", diz a professora. 

 

  1. Pesquisa 
    Na teoria 

    Ao ler o que já existe a respeito do assunto a ser debatido e assistir a programas sobre o tema, a turma amplia o repertório e consegue argumentar, sustentar o que se considera correto e fazer contrapontos às opiniões contraditórias. 
    Na prática 
    Os jovens e adultos de Jundiaí leram textos em jornais antigos e ouviram depoimentos de pessoas sobre a história do trabalho no país em diferentes épocas. Também foram muito úteis para a turma publicações que continham legislações antigas e atuais. 
     
  2. Modelo
    Na teoria 

    Debates na TV ou no rádio, como os travados entre políticos e comentaristas esportivos, não são novidade para a garotada. Mas ao analisá-los na escola é possível notar as expressões mais usadas para tomar a palavra e a exigência de sempre manter uma atitude ética e respeitosa. 
    Na prática 
    Ao discutir sobre debates promovidos por programas esportivos, os estudantes de EJA concluíram que deveria haver um tempo definido para cada um falar e ouvir o que o outro diz. Além disso, viram que não basta mostrar opiniões, mas argumentos confiáveis sobre o tema. 
     
  3. Ensaio ou simulação
    Na teoria 

    Ao promover a atividade com a participação de grupos menores, por exemplo, os alunos que têm mais dificuldade de se comunicar em situações desse tipo passam a ter mais coragem para falar em público. Os mais expansivos, por sua vez, têm a oportunidade de pensar nos melhores argumentos a usar. 
    Na prática 
    Os alunos de Dulcemar se reuniram em pequenos grupos e discutiram antes de iniciar a conversa com o restante da turma. Dessa forma, conseguiram perceber quais são os elementos mais importantes para sustentar sua opinião e como derrubar argumentos apresentados pelos colegas.
     
  4. Registro
    Na teoria 

    As anotações são feitas durante a pesquisa para destacar as ideias mais relevantes ou polêmicas e reunidas para o momento do debate, quando servem para a consulta de dados mais precisos, como leis, números e datas. Alguém pode pôr no quadro os pontos divergentes e convergentes. 
    Na prática 
    Os estudantes produziram textos para organizar as informações pesquisadas e, coletivamente, elaboraram um painel com uma linha do tempo contendo os fatos que mudaram as relações de trabalho no Brasil. Na hora do debate, a professora registrou no quadro os principais pontos levantados pelos alunos.
     

Quer saber mais?

CONTATOS
EMEF Professora Sônia Maria Terzella Nogueira, tel. (91) 3729-8069 
EMEIEF Paranapiacaba, tel. (11) 4439-0024

BIBLIOGRAFIA 
A Língua Falada no Ensino de Português, Ataliba Castilho, 160 págs., Ed. Contexto, tel. (11) 3832-5838, 27 reais 
Da Fala para a Escrita: Atividades de Retextualização, Luiz Antônio Marcuschi, 136 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3611-9616, 26 reais 
Gêneros Orais e Escritos na Escola, Bernard Schneuwly e Joaquim Dolz (orgs.), 278 págs., Ed. Mercado de Letras, tel. (19) 3241-7514, 58 reais 
Letramentos Múltiplos, Escola e Inclusão Social, Roxane Rojo, 128 págs., Ed. Parábola, tel. (11) 5061-9262, 20 reais


Reportagem sugerida por três leitoras: Salma Marinho Rodrigues, de Bela Vista do Maranhão, MA, Edneia Dias da Rosa, de São Paulo, SP, e Juliana Maria do Rosário, de São Paulo, SP

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