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No escurinho da classe

Reportagem da Edição Especial Arte, de abril de 2007, indicada por Heloisa Ramos

POR:
NOVA ESCOLA e Monise Cardoso

"Achei o título muito divertido. Usava no meu trabalho como formadora de docentes e gostava de indicar os filmes citados na reportagem. Tenho a edição guardada até hoje!"

Heloisa Ramos, autora de livros didáticos e consultora pedagógica da Fundação Victor Civita (FVC).

 

No escurinho da classe

Professora explora a linguagem cinematográfica e turma começa a apreciar e produzir filmes

 

Pessoas voando e se movimentando devagar, em slow motion, objetos que adquirem vida e voz, outros planetas, outros mundos. A linguagem audiovisual (explorada por TV, cinema, videogame etc.) nunca esteve tão presente no universo da molecada. Por isso, ela deve estar integrada ao currículo e, para que os jovens não a consumam sem critério, precisa ser conhecida a fundo. Pensando nisso, a professora Regina Célia Gomes de Rezende, da EE Professor Oscar Salgado Bueno, em São José do Rio Preto, a 450 quilômetros de São Paulo, elegeu o cinema para tratar do tema. Seus alunos de 6ª a 8ª série reviveram parte da história dessa arte, produzindo objetos mágicos que na época colaboraram com sua criação, como o taumatrópio e o zootrópio (respectivamente disco e cilindro desenhados, que, ao girar, dão a ilusão de imagem em movimento) e o flip book (bloco de papel que dá a mesma sensação ao ser folheado).

Ao assistir ao filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, às primeiras animações dos estúdios Disney e a alguns curtas e longas-metragens atuais, como Matrix, os estudantes discutiram a relação entre arte e tecnologia e conheceram os elementos que compõem essa linguagem, como efeitos especiais, enquadramentos, sonoplastia e planos. Nessa etapa, Regina colocou em jogo os conhecimentos adquiridos em cursos de capacitação e em leituras sobre o tema. A produção de filmes foi inevitável. "Deu trabalho, mas a recompensa apareceu em cada comando de ?luz, câmera, ação!?", festeja a professora. 



Sequência de atividades 

  1. O CINEMA TEM HISTÓRIA 
    Para entender como surge uma linguagem artística, é preciso conhecer um pouco sobre a evolução da tecnologia e as manifestações culturais da época. A maioria dos alunos de Regina, por exemplo, passava grande parte do dia em frente da TV sem ter a mínima idéia de como aquelas imagens são produzidas e qual a relação dessa mídia com o cinema. Pesquisas na internet e em livros, junto com sessões de cinema com projeções primitivas - tais como cinema mudo, teatro de sombras e análise de fotografias e fotogramas (quadros que compõem um filme) -, foram os recursos usados pela professora nessa etapa. 
     
  2. COMO AS IMAGENS SE MOVIMENTAM 
    Teoria e prática devem se alternar para tornar mais significativa a aprendizagem. Nas artes visuais, a apreciação apura o olhar e amplia as referências dos alunos. Por isso, antes de assistir a grandes produções cinematográficas, os alunos criaram histórias e produziram engenhocas que remontam aos primórdios da sétima arte, como o taumatrópio, o zootrópio e o flip book. Até teatro de sombras eles fizeram, já que essa foi uma das primeiras formas que o homem encontrou para movimentar imagens. Nesse ponto, eles notaram como fazem falta a sonoplastia e os efeitos sonoros. A seguir, a professora apresentou musicais, curtas-metragens e animações. 
     
  3. APRENDIZES DE SPIELBERG 
    Não é preciso ser especialista para tratar dos elementos que compõem a imagem nem para entender as mensagens dos audiovisuais. Mas, para produzir um filme, o professor deve trabalhar com o que fazem o diretor, o roteirista e o sonoplasta (além de fotógrafo, figurinista e atores). Regina chamou a atenção aos créditos para que as crianças notassem a quantidade de pessoas que compõem a equipe de filmagem e identificassem o trabalho de cada uma delas. A seguir, os alunos dividiram as funções e produziram 11 curtas, que foram apresentados no escurinho da sala de aula.

Quer saber mais?

 EE Professor Oscar Salgado Bueno, R. Orozimbo Miguel de Abreu, s/nº, 15013-170, São José do Rio Preto, SP, tel. (17) 3234-6680


Fotos reportagem: Reprodução | Foto entrevistada: Marina Piedade

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