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Múltipla escolha

Tendo por base a resolução de problemas, as atividades devem levar a garotada a debater e criar estratégias para chegar a uma resposta

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O ensino de Matemática avança apoiado em pesquisas didáticas na área. O professor já tem disponíveis atividades cientificamente reconhecidas em diferentes blocos de conteúdo, como o de Números e Operações e o de Geometria e Medidas - aos quais as situações aqui apresentadas estão relacionadas.

No centro dos estudos, aparece a resolução de problemas. Cada vez mais, pesquisadores reforçam o pensamento de que a disciplina não pode ser reduzida a um mero conjunto de procedimentos mecânicos e repetitivos. "Atualmente a base das aulas está em levar a turma a construir diversos caminhos para chegar aos resultados", explica Daniela Padovan, autora de livros didáticos. O mais importante é que durante esse processo haja registro, discussões e explicações sobre os trajetos encontrados.

O debate sobre diferentes formas de resolução está sempre presente na aula de Simone Maria da Silva Corrêa, professora de 4ª série da EEIEF Salmonozor Brasil, em Paragominas, a 305 quilômetros de Belém. "Os próprios estudantes, nos debates em grupo, analisam a questão e percebem se o resultado a que chegaram está correto. Eles passam a compreender, de verdade, o que estão fazendo", relata. Daniela afirma que, quando a classe é chamada a resolver desafios e discutir ideias, o trabalho começa a fazer sentido para todos. "É essencial entender a operação e o porquê dos procedimentos adotados", recomenda. Outras atividades que aproximam os conteúdos da Matemática da vida real são o cálculo mental e as estimativas (veja a seguir).

1 Definição de estratégias de cálculo
O que é Atividades em que são desenvolvidos caminhos próprios para chegar ao resultado de uma operação. A garotada pode fazer estimativas, decompor, arredondar e aproximar números. A escolha entre a calculadora e o algoritmo (conta armada) deve ser intencional. Muitos dos problemas em que se usa a estimativa são vinculados a questões do dia-a-dia. Por exemplo: quanto tempo se leva para chegar a algum lugar ou quanta gasolina é necessária para o percurso. No que se refere ao cálculo mental, tanto o exato quanto o de resultado aproximado, a memória é uma ferramenta importante.
Quando propor Em sequências didáticas específicas, atividades de sistematização e como trabalho permanente, vinculado aos conteúdos vistos em sala.
O que a criança aprende A construir estratégias pessoais de cálculo e se decidir, em várias situações, pela mais eficaz. Ela adquire ainda hábitos de reflexão sobre os cálculos e dispõe de meios permanentes de aproximação e controle sobre o que obtém usando técnicas como o algoritmo. Ao estimar resultados, consegue fazer a autocorreção: se a resposta fica muito distante da estimativa, algo está errado.

2 Dicussão e resolução de problemas
O que é Situação em que o aluno coloca em jogo os conhecimentos de que dispõe. Ela sempre oferece algum tipo de dificuldade que força a busca de soluções e resulta na produção de conhecimento, no enriquecimento do já existente ou no questionamento do anterior. É necessário refletir, produzir uma solução, registrar, justificar, explicar e discutir o que foi feito, revisar, corrigir e validar no grupo a solução. As discussões são momentos de grande importância para confrontar, questionar e defender possibilidades de resolução, sempre se valendo de argumentos vinculados aos conhecimentos matemáticos.
Quando propor Sempre. Essa é a base de todo ensino de Matemática.
O que a criança aprende A utilizar os conhecimentos que já possui e a consultar as informações possíveis para resolver novas situações.

3 Registros oral e escrito
O que é Trabalho em que são explicitados os procedimentos e as formas de pensamento empregados na resolução de um problema, desafio ou operação. Também são atividades relacionadas à escrita e à leitura numéricas, em que se interpreta e produz o registro matemático. Isso pode ser feito tanto oralmente, em discussões e exposições em sala de aula, como por escrito. Os percursos pessoais de registro, que aparecem num primeiro momento, são posteriormente substituídos pela escrita formal dos procedimentos matemáticos, com a utilização de números, sinais e símbolos.
Quando propor Regularmente, de forma vinculada às sequências didáticas.
O que a criança aprende A sistematizar o conhecimento e a socializá-lo, apropriando-se da linguagem matemática.

4 Construção, reprodução e identificação de figuras
O que é Atividades para trabalhar com reconhecimento das propriedades de formas e volumes. Algumas possibilidades: o ditado, em que o professor ou um estudante descreve as características de uma figura e o restante da classe faz a interpretação e a representação somente com essas indicações, a construção de figuras se valendo de instrumentos (réguas, compassos e esquadros), a cópia, utilizando ou não modelos presentes, e a identificação, que pode ser feita com o uso de jogos de adivinhação.
Quando propor Uma vez por semana, de forma vinculada às sequências didáticas. Desde o início do primeiro ano.
O que a criança aprende A analisar as propriedades e as características de diversas figuras planas e não planas e a relacioná-las com outras.

5 Reconhecimento e análise de corpos geométricos
O que é Nos primeiros anos de escolaridade, o trabalho com grande variedade de formas para conhecer diferenças e semelhanças entre as faces, a quantidade de vértices, as diagonais e os lados. Posteriormente são estudadas com mais profundidade as propriedades de quadrados, retângulos, cubos, círculos e esferas. É necessário fazer o relacionamento entre as características de uma figura geométrica com as de outras.
Quando propor Em média, uma vez por semana, vinculando ao conteúdo.
O que a criança aprende As propriedades das figuras planas e não planas e a relação entre elas.

6 Medição e comparação de medidas
O que é Situações de medição efetiva, comparação e determinação de comprimentos, capacidades, pesos e durações. Em todas as atividades, a turma precisa saber o que será mensurado, fazer a escolha do instrumento mais adequado e decidir sobre a unidade mais eficiente para expressar o resultado. O trabalho pode ter início com a utilização de medidas não convencionais e depois passar para as unidades padronizadas, como centímetros e minutos. A partir do 4º ano, é possível aprofundar o estudo dos sistemas de mensuração.
Quando propor Em média, uma vez por semana, vinculando a outras sequências didáticas, até das demais disciplinas.
O que a criança aprende A comparar grandezas da mesma natureza, utilizar diferentes métodos e sistemas de medição e lidar com eles.

Quer saber mais?

Contatos

  • Daniela Padovan
  • EEIEF Salmonozor Brasil, Av. Presidente Castelo Branco, 270, 68626-355, Paragominas, PA, tel. (91) 3729-1460


Bibliografia

  • Ensinar Matemática na Educação Infantil e nas Séries Iniciais
    , Mabel Panizza e colaboradores, 188 págs., Ed. Artmed, 40 reais

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