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Livros para se aventurar

A experiência de ler sozinho é uma grande conquista, já que as crianças desta idade acabam de se apropriar do sistema de escrita. Super-heróis, piratas e bravos cavaleiros invadem o universo dos meninos, enquanto histórias de amizades, princesas e garotas sabidas agradam as meninas

POR:
NOVA ESCOLA

"A infância é quem inaugura a gente", dizia o escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós (1944-2012) para explicar por que escolheu as crianças como público-alvo de suas obras. Ele, que era um mestre no uso das palavras, gostava de lembrar que o "escritor escreve porque não sabe, escreve para saber" e que a escola precisa descobrir que a literatura é "o terreno da dúvida, o mistério do não saber", por isso não deve encarar a leitura literária como mais uma "lição de casa", mas como uma possibilidade de a criança experimentar emoções, sensações, descobertas, identificando-se com os textos lidos.

Na formação do leitor, o desafio também entra como um incentivador. "Não se pode negar o prazer que a leitura produz em uma pessoa que superou a dificuldade para se tornar leitor, ou melhor, que supera diariamente o enfrentamento com um texto considerado complexo", comenta a especialista Silvia Castrillon. Quando a dificuldade se mostrar como obstáculo entre a criança e o gosto pela leitura, a escritora paulistana Ruth Rocha diz que uma boa maneira contorná-la é ler textos curtos ou pequenos trechos de histórias mais longas. Ela é contra facilitar demais, pois o leitor deve sempre ter a possibilidade de ampliar seu vocabulário e seu repertório, tanto do ponto de vista do conhecimento formal, como emocional, cultural e social.

Aos 6 anos, a criança está iniciando o Ensino Fundamental e avança na apropriação da leitura e da escrita, o que amplia suas possibilidades de acesso aos livros. Nesta fase, segundo Silvia Oberg, os que exploram a repetição de palavras, rimas ou frases fáceis de memorizar apresentam bons desafios. As ilustrações e a identificação com heróis e temas narrados auxiliam a formular hipóteses sobre o escrito. Histórias de ficção contemporâneas, quadrinhos, poesias, lendas, contos de fadas, contos populares, livros de imagem e os que propõem brincadeiras com a linguagem são adequados.

É com muito orgulho que a criança lê um livro sozinha, contando a história para o professor, os pais ou os colegas, mostrando que compreendeu. Mas não é porque ela está plenamente alfabetizada e se apropriou da leitura que os adultos devem deixar de ler em voz alta. Nesta fase, meninos e meninas conseguem perceber a estrutura narrativa das histórias e também se envolvem na resolução de conflitos e desafios propostos ao longo dos textos. Gostam de contos verídicos ou que poderiam ser verdade e se interessam pela biografia de escritores e ilustradores e seu percurso de criação.

Lições de casa e pesquisas escolares estimulam a procura por dados em títulos informativos. Para além dos sites de busca na internet, a tarefa proporciona descobertas, pois ao folhear os livros muitas vezes se tropeça em curiosidades, em fatos surpreendentes e enriquecedores. É também nesta faixa etária que se torna familiar a leitura em capítulos e que se iniciam as preferências literárias. Por esse motivo, vale sugerir que o jovem leitor descubra um autor, um gênero ou sua temática preferida.


Literários

 

  • Meu Material Escolar

Ricardo Azevedo, escritor, ilustrador e pesquisador de contos de tradição oral também sabe o que é escrever poesia para crianças, já que trabalha o jogo sonoro e a plurissignificação em temas ligados ao cotidiano infantil. O melhor desta obra, além da proposta lúdica e dos poemas em si, é o uso das ilustrações para ampliar essa rede de significados. Compartilhar com as crianças quais as alternativas sugeridas pelos desenhos pode levar a resultados interessantes. Outros livros do autor: O Livro dos Pontos de Vista (Ed. Ática) e Uma Velhinha de Óculos, Chinelos e Vestido Azul de Bolinhas Brancas (Cia. das Letrinhas).
Ricardo Azevedo (texto e ilustrações), Ed. Moderna, 48 págs.

 

  • Coração Não Toma Sol

Falecido em janeiro de 2012, Bartolomeu Campos de Queirós foi um dos grandes autores da literatura infantojuvenil brasileira. Ganhador de diversos prêmios de expressão, entre eles o Jabuti, era um mestre das imagens e das palavras. Dizia que elas "expressam o espanto que temos diante da vida". Em Coração Não Toma Sol, brinca com um coração que guarda na memória todas as lembranças, segredos, sentimentos, sofrimentos e sonhos de um castelo. Outras obras do autor: O Fio da Palavra (Ed. Record), O Olho de Vidro do Meu Avô (Moderna), ABC... até Z! (Larousse do Brasil) e Tempo de Voo (Comboio de Corda).
Bartolomeu Campos de Queirós, ilustrações de Mário Cafieiro, Ed. FTD, 39 págs.

 

  • O Cavaleiro do Sonho: As Aventuras e Desventuras de Dom Quixote de La Mancha

Reconhecida internacionalmente - só ela e Lygia Bojunga ganharam o maior prêmio da categoria, o Hans Christian Andersen - Ana Maria Machado tem uma obra marcada pela narrativa fluida e inteligente e pela temática adequada ao jovem leitor. Desta vez, ela fez uma homenagem a dois grandes artistas: Miguel de Cervantes (1547-1616), escritor espanhol do século 17, e Candido Portinari (1903-1926), grande pintor brasileiro do século 20. Para isso, reuniu as aventuras e desventuras do personagem Dom Quixote de Cervantes, que sonhava com um mundo mais justo, às pinturas de Portinari, que também partilhava das ideias do escritor. Outros livros da autora: Bisa Bia, Bisa Bel (Ed. Moderna) e Menina Bonita do Laço de Fita (Ed. Ática).
Ana Maria Machado. ilustrações de Candido Portinari, Ed. Mercuryo Jovem, 56 págs.

 

"Eu estudava numa escola de madeira, que não tinha biblioteca e o banheiro era bem longe. A professora estava sempre grávida, comendo banana, pensando longe. O centro de São Paulo era tão longe que nem existia. Meu pai era caminhoneiro e vivia longe, minha mãe sofria de asma e às vezes ficava longe, os amigos jogavam bola lá longe onde eu, tímido, não chegava. A vida era longe, qualquer livro era longe.Foi então que Rosa pôs O Pequeno Príncipe na minha carteira. Li o livro em silêncio, de uma vez. Fiquei dentro da história, amigo do príncipe que vinha de um outro mundo e era tão próximo, com a cabeça viajando perto da fantasia, junto com a fantasia, dentro da fantasia. Foi a primeira vez que eu toquei a vida bem de perto e fiquei bem dentro de mim."
Jorge Miguel Marinho é professor de Literatura, roteirista, coordenador de oficinas de criação literária, ator e autor de diversos livros premiados, inclusive com o Prêmio Jabuti.
Saint-Exupéry (texto e ilustrações), tradução de Dom Marcos Barbosa, Ed. Agir, 96 págs.

 

  • A História de Despereaux

Vivem num castelo um ratinho chamado Despereaux, uma princesa chamada Ervilha e vários outros personagens que participam de uma grande aventura em nome do amor, da amizade e da solidariedade. Obra bem estruturada e divertida - de autoria de uma exímia contadora de histórias -, tem um narrador que conversa com o leitor explicando palavras e passagens do enredo. Outras obras da autora: A Extraordinária Jornada de Edward Tulane e O Elefante do Mágico (Ed. WMF Martins Fontes).
Kate DiCamillo, ilustrações de Timothy Basil Ering, tradução de Luzia Aparecida dos Santos, Ed. WMF Martins Fontes, 262 págs.

 

  • Coisas de Onça

Contribuir para a preservação de culturas de tradição oral é papel de todo educador e, com a ajuda deste livro, isso fica mais gostoso! Daniel Munduruku tem feito esse trabalho com muita competência e encantamento, apresentando, em sua obra, histórias dos povos indígenas. Aqui, pajés e uma velha sábia narram aventuras numa roda de histórias em que adultos e crianças estão juntos, aprendendo que os seres humanos, os animais e a natureza fazem parte do mesmo universo e que tudo está integrado.
Daniel Munduruku, ilustrações de Ciça Fittipaldi, Ed. Mercuryo Novo Tempo, 40 págs.

 

  • O Fazedor de Amanhecer

Um dos grandes representantes da poesia brasileira, Manoel de Barros brinda os leitores em formação com esta obra, enriquecida pelas ilustrações singelas de outro grande autor infantojuvenil: Ziraldo. "Com as palavras se podem multiplicar os silêncios", escreveu o poeta, ele mesmo um fazedor de amanheceres, entardeceres, anoiteceres. Barros é um artífice das palavras, que têm cores, sabores, texturas, aromas, sons e recordações. Vale desvendar, junto com as crianças, o mundo de imagens que ele criou.
Manoel de Barros, ilustrações de Ziraldo, Ed. Salamandra, 48 págs.

 

  • Histórias para brincar

Como o próprio título sugere, as 20 pequenas narrativas contidas nesta obra possibilitam um divertido jogo imaginativo. Gianni Rodari, escritor italiano especialista em literatura infantojuvenil, coerente com sua proposta de incentivar a criatividade, convida o leitor a escolher um fim entre os três sugeridos para cada conto, além de estimular a criação de outros desfechos. As histórias são muito bem-humoradas, e sua leitura compartilhada na escola pode ser um instrumento eficaz para a produção de narrativas.
Gianni Rodari, Ilustrações de Andrés Sandoval, tradução de Cide Piquet, Ed. 34, 216 págs.

 

  • O Gênio do Crime

História policial com todos os ingredientes do gênero e protagonizada por um grupo de crianças, envolvente também pelo humor e pelos assuntos próximos do universo infantil: a falsificação de figurinhas e um campeonato de futebol. O Gênio do Crime é um clássico da literatura infantojuvenil, e Marinho tem uma legião de fãs que se renova a cada ano. Suas histórias com os personagens da turma do Gordo atraem até os menos chegados à leitura, o que não é pouca coisa! Enquanto O Gênio... possui um estilo convencional, linear, O Caneco de Prata (Ed. Global) se destaca pelas inovações na linguagem e na estruturação do texto. O que permeia a obra do autor é a crítica às convenções do mundo adulto, à sociedade de consumo ou à violência.
João Carlos Marinho, ilustrações de Mauricio Negro, Ed. Global, 144 págs.

 

  • Sete Histórias para Sacudir o Esqueleto

Angela-Lago é uma autora e ilustradora que consegue, brilhantemente, unir seu traço delicado a uma narrativa divertida e inteligente. Escreve para crianças e encanta também os adultos. Neste livro, ela conta sete histórias de assombração com muito humor e só um pouquinho de medo. Os causos, que segundo ela foram contados por seu pai, têm assombrações de verdade e de mentira e mortos de verdade e de mentira. Outras obras da autora e ilustradora: Uma Palavra Só (Ed. Moderna), A Festa no Céu: Um Conto do Nosso Folclore e ABC Doido (Ed. Melhoramentos) e João Felizardo, o Rei dos Negócios (Ed. Cosac Naify).
Angela-Lago (texto e ilustrações), Ed. Companhia das Letrinhas, 64 págs.

 

  • Garranchos

Este é um livro-CD com 24 poemas, 14 deles musicados, em que o autor brinca com as palavras, ora testando a sonoridade delas ora as inventando. Pela riqueza literária e rítmica, a obra recebeu o selo Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Chico dos Bonecos, educador e pesquisador da cultura popular, também é o organizador de O Lenhador, de Catullo da Paixão Cearense (Ed. Peirópolis). Da mesma coleção de Garranchos, faz parte Clave de Lua, de Leo Cunha e Eliardo França.
Francisco Marques (Chico dos Bonecos), ilustrações de Eliardo França, produção musical de Renato Lemos (CD), Ed. Paulinas, 24 págs.

 

  • A História sem Fim

Fantasia está desaparecendo, e com ela desaparecerão também os personagens que a habitam e a alegria gerada por sua existência. Bastian, um menino sensível, solitário e um tanto desajeitado, é o herói que, ao penetrar de corpo e alma numa narrativa, pode salvar Fantasia. A História sem Fim é uma aventura, mas também uma grande metáfora sobre a leitura literária e a importância do imaginário para o ser humano. Com base no livro, foi feito um filme, que também faz sucesso com a criançada.
Michael Ende, tradução de Maria do Carmo Cary, Ed. Martins Fontes, 400 págs.

 

  • Chapeuzinho Amarelo

Esta obra tornou-se um clássico da literatura infantil e tem inúmeras qualidades reconhecidas por críticos e atestadas pelo gosto das crianças. Poderíamos enumerá-las todas, da mais evidente, a relação intertextual com Chapeuzinho Vermelho, até a mais complexa, que diz respeito às intenções metafóricas do autor. Todavia, a maior justificativa para oferecer este livro aos pequenos está na inserção deles em um repertório comum que há pelo menos duas gerações vêm lendo e gostando desta história.
Chico Buarque de Hollanda, ilustrações de Ziraldo, Ed. José Olympio, 34 págs.

 

  • O BGA - O Bom Gigante Amigo

Sofia é raptada por um gigante "quatro vezes mais alto do que o mais alto ser humano". Ao contrário do que ela pensa, esse é um gigante do bem: o negócio dele é, à noite, soprar sonhos nas janelas das pessoas. Ele leva a menina para a Terra dos Gigantes, e se tornam amigos. Juntos, bolam um plano para derrotar os gigantes malvados, e até a rainha da Inglaterra entra na aventura. Uma trama sobre amizade, fantasia e solidariedade. Outras obras do autor: Matilda e A Fantástica Fábrica de Chocolate (Ed. WMF Martins Fontes).
Roald Dahl, tradução de Angela Mariani, ilustrações de Quentin Blake, Ed. 34, 288 págs.

 

  • Marcelino Pedregulho

O menino que dá nome a esse livro enrubesce com extrema facilidade, o que acaba complicando sua vida e isolando-o da maioria dos colegas. Porém, um dia, Marcelino conhece Renê Rocha e uma grande amizade se estabelece. Um detalhe: Renê espirra o tempo todo. O que torna esta história saborosa é a competência do autor em expressar o que todos nós sentimos de uma forma que só os verdadeiros artistas conseguem: simples e ao mesmo tempo contundente.
Jean-Jacques Sempé (texto e ilustrações), tradução de Mario Sergio Conti, Ed. Cosac Naify, 128 págs.

 

  • O Mistério do Coelho Pensante e Outros Contos

É um privilégio poder apresentar uma grande autora como Clarice Lispector (1920-1977) aos pequenos leitores com uma obra tão significativa. Nesta história, que traz animais como personagens, há um coelho chamado João que pensa com o nariz, uma galinha às voltas com seu orgulhoso marido, seus pintinhos e suas vizinhas, um cachorro narrador e uma assassina involuntária de dois lindos peixinhos. Além disso, o leitor é fisgado pelo mistério que envolve o coelho até depois do fim da história, pelo tom coloquial da linguagem, que se assemelha a uma conversa, pelo humor presente principalmente na história de Laura e pelo afeto que transpassa os enredos.
Clarice Lispector, Ed. Rocco, 80 págs.

 

  • A Marca de uma Lágrima

Pedro Bandeira é um dos grandes autores da literatura infantojuvenil nacional. Suas obras atravessam gerações agradando pelas aventuras fluidas, pelos personagens bem construídos, que levam o leitor a se identificar com eles, e pela temática sempre atual. Para criar A Marca de Uma Lágrima, um de seus livros mais conhecidos, o autor se inspirou na peça Cyrano de Bergerac, clássico francês de Edmond Rostand. Contudo, a trouxe para os dias atuais, complementando a história de amor com assassinato e suspense. Recomendado para crianças a partir de 10 anos, que começam a se interessar pelos conflitos amorosos. Outras obras do autor, também publicadas pela Moderna: A Droga do Amor: Mais Uma Aventura dos Karas (Série Os Karas), O Fantástico Mistério de Feiurinha e Cavalgando o Arco-íris.
Pedro Bandeira, Ed. Moderna, 184 págs.

 

  • Conto de Escola em Quadrinhos

O conto de Machado de Assis (1839-1908) ganha nova versão na coleção Clássicos em HQ. É a história de Pilar, um menino dado a cabular aulas. Um dia, resolve comparecer à escola e acaba conhecendo, por meio dos colegas, duas facetas sórdidas da alma humana: a corrupção e a delação. A quadrinização de Silvino é fiel à obra. Com texto integral, é uma boa forma de aproximar as crianças dos autores clássicos. Dica: a edição da Ed. Cosac Naify, com ilustrações de Nelson Cruz, também vai agradar a turma.
Machado de Assis, quadrinhos de Silvino, Ed. Peirópolis 52 págs.

 

  • Flicts

Este é o livro de estreia do autor, ilustrador e quadrinista Ziraldo no universo da literatura infantojuvenil. Depois disso, ele nunca mais parou de produzir obras inteligentes, inusitadas e engraçadas, que fazem o maior sucesso entre adultos e crianças. Nesta publicação, o autor apresenta Flicts, uma cor muito diferente e muito triste, que não se encontrava no arco-íris nem em uma caixa de lápis de cor. Com muita delicadeza e poesia, Ziraldo vai apresentando esse personagem tão diferente para, no fim, revelar quem ele é. Outras obras imperdíveis do escritor, inclusive em quadrinhos, uma de suas especialidades: O Menino Maluquinho (Ed. Melhoramentos), Maluquinho por Futebol: As Histórias Mais Malucas Sobre a Maior Paixão do Brasil (Ed. Globo).
Ziraldo (texto e ilustração), Ed. Melhoramentos, 48 págs.

 

"Até hoje reina soberano dentro do meu imaginário de leitor, pai e escritor as Reinações de Narizinho, que descobri quase tão junto quanto aprender a ler e escrever. Naquele tempo, já me deleitava com o imenso leque lúdico e fantasioso que a trama proporcionava com base em um recanto bucólico inventado pela mente privilegiada do criador do Sítio do Picapau Amarelo. Anos depois, levei meu deslumbramento com o livro ao meu filho, que também se encantou com as aventuras daqueles personagens. Seu divertimento quando eu lia para ele desmentiu a falsa tese de que Lobato era datado, fruto de outra época. Eu sou de 1959, meu filho de 1988, e tantos, mais novos e mais velhos que nós, continuam a ser arrebatados pelos inventos do escritor. Sua permanência só corrobora a tese de que o que é bom fica mesmo."
Ricardo Soares é escritor, jornalista, diretor de tv e roteirista. É autor do romance Cinevertigem (Ed. Record) e do infantojuvenil Valentão (Ed. Moderna), entre outros.
Monteiro Lobato, ilustrações de Paulo Borges, Ed. Globo, 280 págs.

 

  • Contos e Fábulas

Outro clássico que encanta crianças e adultos. Nesta edição, foram publicados contos em versos, alguns bem conhecidos como Barba Azul, Pele de Asno e Chapeuzinho Vermelho, além de fábulas. Perrault recuperou da tradição oral narrativas desses dois gêneros e as escreveu para poder contar para os filhos. Isso, no século 17, mas até hoje essas histórias são contadas e recontadas sem perder seu encanto. Nesta obra, o tradutor quis apresentar os textos do autor aproximando-se dos originais em francês, o que enriquece a leitura.
Charles Perrault, tradução de Mário Laranjeira, ilustrações de Fê, Ed. Iluminuras, 224 págs.

 

  • Em Busca de Mim

Bruno descobre que é filho adotivo e se desespera. Foge de casa, passa horas difíceis no porto de Santos, litoral de São Paulo, e volta. Uma amiga da família promete ajudar a encontrar seus pais biológicos. Daí para frente são vários capítulos de pesquisas, pistas, revolta, reflexões existenciais e constatações sobre as diferenças sociais. O enredo apresenta a realidade tanto do ponto de vista da miséria, quanto do ponto de vista de uma classe média alienada, o que pode propiciar várias discussões em torno da temática.
Isabel Vieira, ilustrações de Mariângela Haddad, Ed. FTD, 104 págs.

 

  • Mitos e Lendas do Brasil em Cordel

Histórias de sacis-pererês, curupiras e boitatás povoam nosso imaginário e, neste livro, ganham nova perspectiva, sob a força literária de cordel. Iniciar as crianças no universo da cultura popular, apresentando a elas diferentes gêneros, enriquece seu repertório. O cordel é um gênero literário que prima pela musicalidade e pelas imagens que evoca por meio de suas rimas. Ler prestando atenção a sua estrutura é uma experiência e tanto! A autora é também ilustradora e enriquece a obra com suas xilogravuras, que tradicionalmente costumam ilustrar obras deste gênero.
Nireuda Longobardi (texto e ilustrações), Ed. Paulus, 56 págs.

 

  • Lampião & Lancelote

Esta premiadíssima obra une a figura lendária de Lancelote, um dos cavaleiros da Távola Redonda do chamado Ciclo Arturiano, e Lampião, nosso brasileiríssimo rei do cangaço. O encontro se dá pelas artes e pela magia de Morgana, que abre um portal no tempo e no espaço pelo qual o cavaleiro medieval chega ao sertão. A inusitada ideia é realizada por meio de texto narrativo mesclado com trechos da poesia de cordel e pelas lindas ilustrações que exprimem em ouro e cobre toda a grandeza e força dos personagens.
Fernando Vilela (texto e ilustrações), Ed. Cosac Naify, 52 págs.

 

  • O Menino de Olho-d'Água

O grande poeta José Paulo Paes (1926-1998) narra a história de uma vila construída em torno de um olho-d'água. Seus moradores presenciaram a derrubada das árvores, a extinção dos animais e a secura da nascente. Depois de muitos anos de poeira e falta d'água, um menino descobre uma pequena poça no lugar da fonte e, com a ajuda de um ancião, devolve ao lugar o verde, a vida e o significado de seu nome. Nesta obra, as crianças podem desfrutar da prosa, dos versos e das imagens de dois grandes artistas.
José Paulo Paes, ilustrações Rubens Matuk, Ed. Ática, 40 págs.


Informativos

 

  • Monstromática

Que os números são parte da nossa vida não é novidade. O problema é quando tudo vira Matemática. É a situação pela qual passa a garotinha deste livro. Obcecada, ela transforma tudo em equação: "No meu guarda-roupa tenho 1 blusa branca, 3 azuis, 3 listradas e aquela xadrez feiosa. Quantas blusas tenho ao todo?". Ilustrada com a técnica da colagem e recheada de bom-humor, a obra mostra que matemática não é um bicho de sete cabeças (se cada cabeça tiver duas orelhas, quantas orelhas são no total?).
Jon Scieszka, ilustrações de Lane Smith, tradução de Iole de Freitas Druck, Ed. Companhia das Letrinhas, 36 págs.

 

  • O Olho e o Lugar: Regina Silveira

Muitas crianças e adolescentes - e muitos adultos também - acham que a arte contemporânea é difícil de entender. O livro ajuda a derrubar esse mito. Nele, conhecemos algumas obras de Regina Silveira como se estivéssemos percorrendo as salas de um museu acompanhado por um guia experiente que comenta e dá dicas sobre como olhar e perceber as obras. Uma capa de acetato cobre a original e se transforma num livro-brinquedo. Acompanha um caderno-ateliê, com várias sugestões de atividades.
Renata Sant'Anna e Valquíria Prates, Ed. Paulinas, 30 págs.

 

  • Como Fazíamos sem

Mais que um almanaque de curiosidades, esta publicação trabalha com a relação entre tempo, cultura e tecnologia, uma noção que precisa ser construída pelas crianças. Em capítulos curtos, linguagem informal, bastante humor - e com ilustrações caricaturais -, a obra pode ajudar a tornar concreta a ideia de evolução como processo. Com a mediação de um adulto, a garotada vai contextualizar o significado da palavra "necessidade" o que, em tempo de "consumismo", pode render uma boa discussão.
Bárbara Soalheiro, iustrações de Negreiros, Ed. Panda Books, 144 págs.

 

  • Almanaque dos Sentidos

A obra reúne dados sobre a fisiologia dos cinco sentidos, saúde e algumas experiências, além de curiosidades em geral - marca de um almanaque. Há cinco narrativas muito bem relacionadas ao tema. Para o sentido da visão, por exemplo, a história de Perseu e a Medusa; para o olfato, a da Moura Torta. Bem ilustrado e bem-humorado, é um complemento rico para as aulas de Ciências e pode também demonstrar as diferenças entre a linguagem literária e a informativa nas aulas de Português.
Carla Caruso, Ed. Moderna, 96 págs.

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