Jovens protagonistas

Premiação internacional estimula estudantes a debater os direitos das crianças, como o acesso ao ensino

POR:
NOVA ESCOLA, Christiane Sampaio
PROTAGONISTAS Jovens sobem ao palco do evento para relatar sua experiência de vida. Foto: Kim Naylor
PROTAGONISTAS Jovens sobem ao palco do evento para relatar sua experiência de vida

O auditório da Feira Internacional de Estocolmo, a capital da Suécia, estava repleto de olhares ansiosos e sorrisos eufóricos naquela manhã chuvosa. Provenientes de diversos países, esses meninos e meninas tinham se deslocado até Estocolmo para participar da 10º edição do Prêmio das Crianças do Mundo, que elege personalidades de destaque na luta pelos direitos da infância por meio do voto direto e é organizado por uma organização não governamental sueca com o apoio de professores do mundo todo. "Hoje não foi difícil acordar. Eu aguardava ansiosa por esse encontro", contou Frida Lintgren, 12 anos, moradora de Uppsala, a 70 quilômetros daqui.

As crianças presentes representavam cerca de 24 milhões de estudantes, de 101 países, entre eles o Brasil, que elegeram os Heróis da Década, título concedido pela entidade a ativistas na luta pelos direitos humanos no mundo. Graça Machel, ex-ministra da Educação de Moçambique, e Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, foram os escolhidos. Ambos receberam uma premiação em dinheiro para ajudar a continuar seus trabalhos na área.

A votação, realizada pela internet, foi possível graças à participação de professores que se inscreveram pelo site oficial do evento. "Esse trabalho ampliou a visão de mundo dos alunos e os colocou diante da responsabilidade de exercer a democracia", diz Roberta Fagali, professora do 5º ano da EMEF Professora Luzia Levina, em São José dos Campos, a 97 quilômetros de São Paulo. Paralelamente à homenagem, os 15 integrantes do júri infantil da premiação subiam ao palco para relatar sua experiência de vida - todos foram escolhidos por ter vivenciado situações de violação aos direitos humanos: há desde vítimas do comércio sexual até sobreviventes de guerras e desastres naturais.

Regiões, países e culturas ganharam vida, cores e novos contornos na imaginação da meninada presente. "A Educação é o direito mais importante de uma criança. Mas como gostar de uma escola que não oferece segurança, espaço de lazer e uma rotina?", questionou o palestino Hamoodi Ahmad El Salameen, 13 anos. O brasileiro Wanderson Oliveira, hoje com 21, foi membro do júri infantil na primeira edição do evento, em 2000.Não subiu ao palco dessa vez, mas acompanhou cada lance com atenção. "Nossa missão é fazer com que os países se engajem na luta pelo direitos das crianças."

Os depoimentos sobre as realidades vividas pelos jurados infantis eram intercalados por pronunciamentos de adultos que concorriam ao título de Heróis da Década com Graça e Mandela. "Obrigado, crianças, por estarem aqui hoje alimentando nossas esperanças!", afirmou Maggy Barankitse, que já ajudou mais de mil jovens vítimas do conflito armado no Burundi. O etíope Asfaw Yemiru reforçou o coro: "Esta rede em prol das crianças é fundamental. Precisamos compartilhar uma Educação de qualidade", diz ele, que há mais de 45 anos devota sua energia para dar aos mais pobres de seu país o direito à escola. "O ensino é a melhor ferramenta que podemos oferecer. Trata-se do caminho mais eficaz para quebrar o ciclo da pobreza", emendou Betty Makoni, do Zimbábue.

Os jovens reunidos na Suécia naquele dia deixaram o evento cheios de ideais. Uma geração de protagonistas, que deseja viver em um mundo melhor, formou-se ali, nas discussões do prêmio.

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 (em inglês).

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