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Hora de aperfeiçoar

Textos de qualidade precisam passar por diferentes revisões. Pontuação e coerência estão entre os itens a serem abordados durante a produção

POR:
Beatriz Santomauro

Foi-se o tempo em que corrigir na escola significava apenas uma caça a erros ortográficos e de pontuação nos textos dos alunos feita pelo professor. Ainda bem! Hoje, sabe-se da importância de desenvolver comportamentos escritores e o processo de revisão se inclui aí. Por isso, ele também deve ser direcionado para os pontos que colaboram com os aspectos discursivos, como clareza e coerência na hora de contar uma história, e ser feito sempre com a participação das crianças (leia o quadro abaixo com trecho de uma produção individual e textos feitos em dupla e em grupo por alunos do 3º ano). "Elas precisam fazer uma leitura crítica do próprio material", diz Liamara Salamani, coordenadora pedagógica do Colégio Santo Américo, em São Paulo.

É importante desconstruir em sala o mito de que revisar é uma etapa final da produção. Em sua tese de doutorado Procesos de Revisión de Textos en Situación Didáctica de Intercambio entre Pares, a pesquisadora argentina Mirta Castedo ressalta que "os bons escritores não realizam as ações de planejar, escrever e revisar de maneira sucessiva, mas vão e voltam de uma a outra. Eles escrevem partes, releem e modificam, detectam expressões incompreensíveis e corrigem erros".

 

Como iluminar os aspectos que precisam ser revistos

Para que todos os procedimentos que visam o aprimoramento do texto possam ser feitos pelo estudante com competência e autonomia, é preciso trabalhar em grupo, em duplas e individualmente (leia o projeto didático). No processo coletivo, a turma deve se debruçar sobre um texto produzido por um dos alunos e apontar o que precisa ser repensado, como palavras repetidas e mudanças na posição do narrador. É natural que, às vezes, a garotada não identifique à primeira vista os problemas e as soluções satisfatórias. É papel do professor dar alternativas, além de trazer à tona questões já analisadas.

Ao trabalhar em duplas, revisando o texto de outro colega, as crianças exercitam o poder de argumentação a fim de fazer o autor mudar suas escolhas. Esse é um momento rico para avaliar como cada uma delas defende seu posicionamento. Lembre-se de que, em qualquer situação, a revisão fica mais proveitosa se um aspecto for ressaltado de cada vez.

A caminho da autonomia

Em diferentes momentos e com focos específicos, os alunos aprimoram o texto. Confira como isso foi feito num processo individual

  • Revisão individual Depois de produzir a reescrita de um conto, a aluna relê o próprio texto em busca de aspectos problemáticos a serem aperfeiçoados por ela mesma:

Trabalho em conjunto

A revisão também pode ser realizada em dupla ou com a turma toda reunida. Assim, a produção é analisada por outros alunos que não o autor do texto

  • Em dupla A versão de um conto popular elaborada por uma dupla é revisada por outros dois alunos. Quem revisa exercita o poder de argumentação:
  • Revisão coletiva Após todos os estudantes produzirem uma história de infância individualmente, a turma escolhe um dos textos a fim de revisá-lo coletivamente:

Revisar sempre para ser um leitor competente

O ato de rever o que foi feito deve permear todos os anos da escola. O que muda é a abordagem e os conteúdos destacados. "O esperado é que os textos estejam mais avançados com o tempo. Por isso, é importante saber o que os alunos já aprenderam e o que deve ser considerado dali em diante", diz Liamara. E o processo tem de ser estendido, pois um escritor que sabe o que precisa ser alterado em seus textos ou nos de terceiros passa a ser um leitor mais exigente.

Quer saber mais?

Contato

  • Liamara Salamani, liamara@csasp.g12.com.br
Fotos: Dercílio
Agradecimento: professora Ana Clara Bin e alunos Catarina Cilento, Pedro Alcântara, Laura Bratke e Pedro Gammardela, da Escola da Vila, em São Paulo, autores dos textos acima

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