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O que cada um sabe

Analisar detalhadamente a forma como os alunos escrevem é a primeira providência para determinar os pontos que devem ser ensinados

POR:
Anderson Moço

Aplicar atividades de diagnóstico é algo fundamental para dar o pontapé inicial ao trabalho de qualquer conteúdo. Sobretudo do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental, a prática é indispensável porque, enquanto alguns estudantes demonstram mais familiaridade com os conteúdos gramaticais e a organização textual, outros, recém-alfabéticos, ainda enfrentam dificuldades básicas em questões de ortografia, que precisam ser sanadas com o passar do tempo. É claro que nada disso é problema: erros desse tipo são parte do processo de apropriação da linguagem. Mas às vezes as dificuldades são tão alarmantes e variadas que fica a sensação de que não há nem por onde começar... Por isso, organizar atividades para descobrir o que a turma já sabe é tão importante.

A sondagem inicial serve justamente para mostrar - com o perdão do tão surrado ditado - que o diabo não é tão feio quanto se pinta. "Nos diagnósticos bem feitos, o objetivo não é contabilizar os erros um a um. O foco deles deve ser agrupar problemas semelhantes para direcionar o planejamento de atividades que vão ajudar a corrigi-los e fazer a garotada avançar mais", explica Cláudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da prefeitura de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. Em outras palavras, isso significa que entender as principais dificuldades da turma é fundamental para saber o que é mais importante ser ensinado e também para definir as melhores propostas didáticas e as abordagens mais eficazes a serem aplicadas em sala.

 

Uma lista para mapear as dificuldades da turma

Antes de começar a atividade, é preciso montar uma lista com os itens que serão analisados. Não podem faltar aspectos relacionados aos padrões de escrita e às características do texto. Do 3º ao 5º ano, o foco deve recair sobre a ortografia e a pontuação e é essencial verificar se a turma conhece e respeita os traços do gênero escolhido (veja no quadro abaixo um exemplo de diagnóstico com base em alguns dos erros mais comuns nessa fase).

Em seguida, você já pode pedir que os alunos escrevam. Não há segredo: como em qualquer proposta de produção escrita, os alunos precisam saber para que vão escrever (ou seja, a intenção comunicativa deve estar bem definida), o que vão escrever (o gênero selecionado) e quem vai ler o material (o destinatário do texto). "Também é importante explicar que essas produções servem para mostrar ao professor como ajudá-los a ser escritores cada vez mais competentes", afirma Soraya Freire de Oliveira, professora da EE Carvalho Leal, em Manaus. Em sua classe de 5º ano, ela propôs que a garotada produzisse uma autobiografia, gênero que vinha sendo trabalhado desde o ano anterior - uma opção válida, já que os estudantes tinham familiaridade com o tipo de texto. Contudo, os especialistas apontam que pode ser ainda mais produtivo sugerir que os alunos recriem, com suas próprias palavras, histórias conhecidas, como uma fábula (leia mais no plano de aula). "Assim, você pode se concentrar nos aspectos que têm de ser melhorados para aproximar o texto que os alunos fazem daquilo que é considerado bem escrito", recomenda o professor Bazzoni.

Com as produções em mãos, Soraya, a professora de Manaus, partiu para a análise, anotando na lista de aspectos sondados quantas vezes cada tipo de erro se repetia nas produções. No fim, descobriu que muitas crianças não utilizavam sinais de pontuação. "Percebi que esse deveria ser o conteúdo prioritário naquele início de ano", ressalta.

Os problemas mais comuns e as propostas para resolvê-los

Descubra como orientar a turma a enxergar e revisar os equívocos das produções. Retomar o conteúdo durante as revisões coletivas, por exemplo, é uma boa estratégia

A análise do texto foi realizada por Claudio Bazzoni, com base no documento Aprender os Padrões da Linguagem Escrita de Modo Reflexivo

Do 3º ao 5º ano, a ortografia é um dos problemas comuns

O resultado do diagnóstico de Soraya é bastante comum: ortografia e pontuação costumam ser os pontos mais críticos para as crianças dessa faixa etária. "Muitos alunos escrevem do jeito que falam e até inventam palavras", conta Bazzoni. Mesmo assim, dizer que a turma tem problemas com "ortografia e pontuação" é vago demais. Quais problemas, especificamente? Faltam vírgulas? Muitos trocam letras? Poucos sabem dividir os parágrafos? Mais uma vez, a sondagem pode ajudar: se os itens analisados forem bem determinados, você saberá com bastante precisão que pontos atacar.

É importante lembrar, ainda, que cada conteúdo deve ser abordado por meio de novas propostas de textos, sempre com etapas de revisão. Refletir sobre os aspectos notacionais (relativos às regras de uso da língua) e discursivos (relativos ao contexto de produção) é o jeito mais eficaz de levar os alunos a aprender os padrões de escrita e superar os problemas que enfrentam ao escrever.

Quer saber mais?

Contatos

  • Cláudio Bazzoni, bazzoni@uol.com.br
  • EE Carvalho Leal, tel. (92) 3216-9053, eecleal@seduc.am.gov.br
  • Soraya Freire de Oliveira, soraya.oliveira@yahoo.com.br

Internet

Foto: Dercílio

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