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Conteúdos prioritários

Indicações de bons textos

POR:
Beatriz Vichessi

Embora seja papel social da escola formar leitores e escritores autônomos, a instituição ainda não consegue desenvolver essa tarefa com plenitude. Prova disso é o índice de alfabetismo rudimentar e básico, que permanece bastante alto em todo o Brasil e na América Latina há tempos. Apenas a minoria da população é plenamente alfabetizada - quer dizer, tem a capacidade de ler e compreender textos complexos e expressar o que pensa de forma escrita.

Em Ler e Escrever na Escola - O Real, o Possível e o Necessário (128 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 37 reais), a argentina Delia Lerner discute as tensões envolvidas nessa questão e propõe soluções para transformar esse cenário. Com embasamento teórico consistente, ela ajuda os educadores, com uma linguagem clara, na compreensão do que precisa ser ensinado quando se quer formar leitores e escritores de fato. Delia também explicita a importância de o professor criar condições para que os alunos participem de forma ativa da cultura escrita desde a alfabetização inicial, uma vez que constroem simultaneamente conhecimentos sobre o sistema de escrita e a linguagem que usamos para escrever.

Com prefácio escrito pela psicolinguista argentina Emilia Ferreiro, a obra é uma leitura obrigatória para quem trabalha com Educação Infantil, professores alfabetizadores e de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental, estudantes de Pedagogia e formadores de professores alfabetizadores.

Regina Scarpa, autora desta resenha, é coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA.


Por que ler

  • É um excelente ponto de partida para promover as práticas de leitura e escrita nas escolas.
  • Porque os comportamentos leitor e escritor são conteúdos de ensino.
  • Propõe fazer da escrita mais que um objeto de avaliação.
  • Explicita a importância de o professor ser um leitor frequente e habitual.
  • Permite a compreensão do processo de alfabetização inicial como acesso à cultura escrita.
  • Revela a necessidade da formação continuada, mas ressalta que ela, por si só, não é suficiente para provocar mudanças de propostas didáticas.
  • Esclarece o quanto a produção escrita tem a colaborar para que o aluno se descubra praticante autônomo e independente e explica como ela deve ser trabalhada na escola, com revisão e rascunhos, por exemplo.

Entrevista: Delia Lerner

A educadora fala sobre o processo de elaboração do livro Ler e Escrever na Escola e os reflexos que a obra promoveu na Educação.

Qual foi a motivação para escrever este livro?
A consciência de que era preciso colocar em primeiro plano a análise das possibilidades e das dificuldades da escola em assimilar projetos de ensino de leitura e escrita.

Surgiram dúvidas enquanto trabalhava o texto?
Como elas poderiam não surgir? Escrever é se comprometer com o que é dito. Porém o mais importante durante a elaboração do livro foi analisar o real - as condições em que se trabalha na escola, a função social e as características da instituição - e ao mesmo tempo priorizar o possível, com a missão de transformar o ensino para favorecer a formação dos alunos como leitores e escritores plenos.

É possível ver avanços nessa área depois que o livro foi publicado?
Não creio que ele tenha produzido efeitos mágicos. Lamentavelmente, acho que nenhuma obra consegue tal feito. Mas espero que já tenha esclarecido alguns problemas e ajudado educadores a encontrar caminhos para avançar na difícil tarefa de ensinar.

Boas ideias para ensinar melhor

Propostas Didáticas para Aprender a Escrever, Anna Camps (org.), 220 págs., Ed. Artmed, 52 reais

Este livro é uma coletânea de artigos assinados por vários educadores e tem como linha mestra a "Pedagogia por projetos". Enquanto os capítulos iniciais oferecem um enfoque teórico sobre as diferentes concepções do ensino da linguagem escrita, o restante da obra apresenta 15 trabalhos realizados com estudantes de diferentes faixas etárias. Um deles trata da organização de um grupo de alunos espanhóis de 6ª e 7ª séries convidados a elaborar um romance policial.
Sobre a organizadora É membro do departamento de Didática de Língua e Literatura da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha.


Aprendizagem sem dificuldades

Compreensão da Leitura e Expressão Escrita - A Experiência Pedagógica, Alicia Palacios de Pizani, Magaly Muñoz de Pimentel, Delia Lerner de Zunino, 172 págs., Ed. Artmed, 49 reais

Explorar sempre o que a criança já construiu e deixar de lado a avaliação baseada no que ainda falta ser aprendido. Pensando assim, as autoras contam como trabalharam com alunos que, segundo as instituições escolares em que estudavam, tinham difi culdades na aprendizagem da leitura e da escrita. Ilustrada com os textos produzidos pelos estudantes, a obra reforça a ideia de que é preciso considerar que um estímulo só é signifi cativo se puder ser reconstruído pela turma.
Sobre as autoras Organizaram o livro analisando um conjunto de pesquisas feitas na Venezuela.


Como se classificam os textos

Escola, Leitura e Produção de Textos, Ana María Kaufman e María Helena Rodrígues, 179 págs., Ed. Artmed, 45 reais

O foco principal das autoras é apresentar uma tipologia dos textos de acordo com as funções da linguagem e as tramas que neles predominam. Porém, atentas ao contexto escolar, elas não se atêm apenas à teoria: revelam em detalhes sete propostas didáticas realizadas em escolas de Buenos Aires, na Argentina, apresentando tabelas e fi chas de análise. Nas últimas páginas, um glossário sobre comunicação, linguística e gramática, interessante e útil.
Sobre as autoras Ana María se dedica à pesquisa da psicogênese da escrita e Maria Helena estuda o uso dos textos escolares.


A língua solta e a escrita presa

Ortografia: Ensinar e Aprender, Artur Gomes de Morais, 128 págs., Ed. Ática, tel. (11) 3990-2100, 39,90 reais

Quando começar a trabalhar ortografia? O que e como ensinar? Como descobrir o que os alunos já sabem a respeito? É preciso considerar os erros para avaliar a turma? Levando essas e outras questões em consideração, o autor discute uma série de princípios e encaminhamentos didáticos sobre o conteúdo. Na primeira parte do livro, ele explica o que é e para que serve a ortografia, o que o estudante deve compreender e o que deve memorizar e como ele aprende as normas. Na segunda, analisa as práticas usuais, define princípios norteadores para o ensino e explora situações que envolvem o ensino e a aprendizagem do conteúdo.
Sobre o autor É professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e tem pós-doutorado em Psicologia pela Universidade de Barcelona, na Espanha.


Chega de dúvidas

Gêneros Orais e Escritos na Escola, Bernard Schneuwly e Joaquim Dolz, 320 págs., Ed. Mercado das Letras, tel. (19) 3241-7514, 58 reais

Explicar questões básicas e fundamentais, como o que são gêneros e qual o melhor jeito de organizar o trabalho com eles ao longo do currículo, é a proposta desta obra, que reúne diversos artigos assinados pelos autores em parceria com alguns colaboradores. Eles discorrem sobre as questões que envolvem escrita, oralidade, sequências didáticas efi cientes e validade do trabalho com gêneros de circulação escolar e extraescolar. A apresentação da obra, assinada por Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro, tradutoras e organizadoras do livro, é uma aula sobre a concepção e a prática do trabalho com gêneros.
Sobre os autores Ambos são pesquisadores de didática da língua materna.


Escrevendo é que se aprende

Psicopedagogia da Linguagem Escrita, Ana Teberosky, 152 págs., Ed. Vozes, tel. (24) 2233-9000, 30,30 reais

Com o propósito de afirmar que é muito importante a escola proporcionar uma variedade de oportunidades de uso da linguagem, esta obra esmiuça o trabalho com a escrita de nomes e de títulos, a reescrita de textos narrativos e a redação de poemas e de notícias com crianças de 5 a 8 anos de uma escola municipal de Barcelona, na Espanha. Uma ajuda e tanto para o educador interpretar as respostas dos alunos e programar situações de ensino.
Sobre a autora É doutora em Psicologia pela Universidade de Barcelona e pesquisadora da psicogênese da língua escrita e da teoria sociocultural.


Como estudar língua?

Produção Textual, Análise de Gêneros e Compreensão, Luiz Antônio Marcuschi, 206 págs., Ed. Parábola, tel. (11) 5061-9262, 40,90 reais

Essa é uma das principais questões que norteiam o autor ao longo de todo o livro. Bastante focado na teoria da produção textual, ele aborda o histórico da linguística no século 20, o ensino da noção de sujeito, subjetividade, discurso, texto e gênero sob a perspectiva sociointeracionista da língua e faz uma análise dos gêneros textuais no contínuo fala-escrita. A obra é fruto dos materiais usados na graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde o autor leciona.
Sobre o autor É doutor em filosofia da linguagem e tem pós-doutorado em questões da oralidade e da escrita.


Escrever desde cedo

Formando Crianças Produtoras de Textos - vol. 2, Josette Jolibert, 324 págs., Ed. Artmed, 64 reais

Durante toda a escolaridade, a criança deve perceber a utilidade das diferentes funções da escrita, a importância de dominá-las e o prazer de atuar como autor. Para isso, os educadores devem estar preparados para atuar como leitores e produtores de textos em desenvolvimento e exercer o papel de estimuladores, observadores e criadores de situações de ensino e aprendizagem. É com essas ideias que a autora e seus colaboradores apresentam projetos realizados com estudantes franceses, para que eles entrassem em contato com a produção de texto.
Sobre a autora É especialista em didática.


Fotos: Magdalena Gutierrez, Fernanda Preto, Marcelo Kura e divulgação

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