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Pais que seguem de perto a rotina

As famílias querem participar da vida escolar da creche e da pré-escola. Veja como garantir o envolvimento desses parceiros indispensáveis

POR:
Roberta Bencini

Sem marcar hora: professor disponível para atender a mãe favorece a tarefa de cuidar e educar. Foto: Daniel Aratangy

A relação começa no dia em que a mãe, o pai ou um responsável entrega a criança pela primeira vez no portão. Ciúme, desconfiança e culpa são os sentimentos em jogo nesse momento. Afinal, historicamente a mãe é a responsável pelos cuidados e pela Educação dos filhos. Mas os tempos mudaram, e hoje é necessário mostrar que, por trás de portas e paredes coloridas, existem profissionais competentes e um projeto bem planejado de aprendizagem para ser compartilhado entre todos.

O problema surge quando os professores e a direção não estão preparados para essa tarefa. "Cabe à escola começar esse movimento de aproximação e parceria. Ela tem de estar à disposição diariamente e não apenas em reuniões e horários determinados", explica a diretora da creche da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Eliana Bhering, que estuda há mais de dez anos o envolvimento das famílias na Educação Infantil.

Ela concluiu, entre outros pontos, que sobretudo em comunidades mais carentes é comum uma postura passiva de gratidão, o que leva a escola a ter de tomar decisões sozinha. "Isso é muito grave. Muitos pais ainda vêem essa fase da Educação como assistencialismo ou favor", afirma Eliana. O ensino público é um direito garantido desde a infância e quanto mais os pais se envolvem e cobram isso, maior a possibilidade de garantir um ensino de qualidade.

Por muito tempo, as creches apenas cuidavam de bebês e crianças pequenas. Hoje, além de cuidar, é preciso educar. Muitos pais ainda não compreendem isso e limitam sua parceria com a escola ao momento em que a chupeta e as fraldas precisam ser abandonadas ou em casos de problemas de saúde. Em contrapartida, diversos educadores acreditam que os cuidados caibam só às famílias e interpretam a falta de interesse dela pela aprendizagem como omissão. "A Educação Infantil também é fonte de formação de pais", explica Eliana.

Cláudia Araújo, diretora da UMEI Marli Sarney, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, sabe que o mais importante é o bem-estar da garotada e não se faz de rogada quando tem de dar orientação sobre uma boa alimentação, a data da próxima vacinação ou promover palestras para a comunidade.

Estudos realizados por diversos pesquisadores mostram que os pais gostariam de saber mais sobre a rotina e de receber ajuda para compreender o desenvolvimento infantil. Efigênia Mendes Junqueira Koga, diretora da EMEI Rogélio Cabeza Castro, em Barueri, na Grande São Paulo, percebeu isso quando passou a ser freqüentemente colocada diante de uma questão recorrente: "Meu filho passa o tempo todo apenas desenhando?" O projeto pedagógico da escola tem como eixo central a Arte - e ficou claro que isso não estava sendo compreendido. "As professoras pediam que eu incentivasse os trabalhos da minha filha. Mas eu só via rabiscos no papel", lembra Vera Hengles. O caminho encontrado pela diretora foi colocar os adultos em contato direto com a cultura artística. Há dois anos, uma oficina de arte é oferecida aos familiares uma vez por semestre.

 

Não à burocracia

Marcelo Cunha Bueno, diretor da Escola Estilo de Aprender, em São Paulo, é adepto da simplificação. "Dispenso a linguagem do pedagogês, que só os afasta", afirma. Outra preocupação é não estabelecer uma relação de prestação de contas ou vigilância. Na entrada e na saída, as portas estão sempre abertas. Os responsáveis podem buscar os filhos, ver as atividades realizadas durante a aula e bater um papo rápido com o professor. Nada que acontece dentro da instituição é velado. Em contrapartida, o envolvimento da família é bastante cobrado. "No início do ano, eu aviso: 'Mãe, não venha aqui só para perguntar a cor do cocô de seu filho'. É importante saber tudo o que ele está aprendendo", reforça Marcelo.

Márcia Hindrikson Golz afirma que não troca esse tipo de organização escolar por nada. Sempre que vai pegar o filho Gabriel Henrique, 4 anos, ela encontra tempo para conversar com o professor Eric Justino. Outro dia, ela descobriu que o garoto já escreve quase todas as letras do próprio nome. "Assim, sinto que faço parte dessa etapa tão importante da Educação do garoto."

Quer saber mais?

Contatos

  • Cisele Ortiz
  • EMEI Rogélio Cabeza Castro, Av. Presidente Washington Luiz, 600, 06434-000, Barueri, SP, tel. (11) 4194-1274
  • Estilo de Aprender, R. Pio XI, 678, 05060-000, São Paulo, SP, tel. (11) 3644-7958
  • UMEI Marli Sarney, R. Jandira Pereira, 866, 24141-400, Niterói, RJ, tel. (21) 2705-9887

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