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Por: Adriana Toledo

Criança também fica de luto

Acolher e conversar sobre a morte é a melhor maneira de ajudar os pequenos da pré-escola que perdem alguém próximo

Conversa franca: na roda, almofadas são usadas pela garotada para falar de sentimentos. Foto: Patricia Stavis

Se para um adulto é difícil encarar a ausência e as mudanças que a morte impõe, para a criança pode ser ainda mais complicado. A perda de um amigo, familiar ou animal de estimação é superada com compreensão e acolhimento - em casa e na escola. Para ajudar, é importante saber os sentimentos que se afloram nessa situação.

Um turbilhão de emoções pode aparecer: choro, silêncio, agressões, medo. A psicóloga Luciana Mazorra, de São Paulo, afirma que, a partir dos 6 meses, o bebê adquire a noção de que ele e a mãe são indivíduos distintos: sente apego e percebe a separação. Depois, pode aparecer a culpa: a partir dos 2 anos, muitos crêem que sentimentos como a raiva desencadeiam fatos concretos e, por isso, pensam que o parente morreu em função do que pensaram ou disseram. Entre 2 e 5 anos, o sentimento é de que a ausência é temporária e, portanto, a morte é reversível.

Por isso é muito importante não usar metáforas para explicar o que aconteceu. "Dizer que quem morreu foi viajar ou está dormindo só confunde e perturba. A criança deve saber que a morte ocorreu e que não será mais possível conviver com aquele ente querido", ressalta a psicóloga e professora Maria Júlia Kovács, do Laboratório de Estudos sobre a Morte, da Universidade de São Paulo.

Os dias que sucedem a morte de alguém próximo são difíceis para toda criança. Em sala, é importante receber o pequeno com carinho e, antes de tudo, tentar conversar a sós com ele. Depois, pode-se contar ao grupo o que houve e abordar o tema em classe. "Esconder o fato ou fingir que nada aconteceu não é bom para ninguém, independentemente da idade", orienta Maria Júlia.

 

Superação na escola

Um caso marcante para Sanderli Bicudo, professora do Colégio Salesiano Dom Bosco, em Americana, a 126 quilômetros de São Paulo, ocorreu quando um menino de 4 anos de sua turma perdeu o avô: "A família me avisou e notei sua agitação nos dias seguintes ao fato". Na roda feita no início do dia, ele disse que gostaria de rezar pelo parente falecido.

Para que a turma expressasse os sentimentos, ela dispôs diversas almofadas com rostos estampados. "Ele escolheu a triste e se emocionou com isso. Logo em seguida, todos puderam falar sobre o assunto, inclusive ele." A professora lembra ainda que a história aparecia sempre nos desenhos do garoto, que nessa época fazia figuras e grafismos em cores escuras. Com o apoio da família e da escola, ele conseguiu superar o momento difícil.

Quer saber mais?

Contatos

Bibliografia

  • A História de Uma Folha, Léo Buscaglia, 30 págs., Ed. Record, tel. (21) 2585 2000, 25 reais
  • Menina Nina, Duas Razões Para Não Chorar, Ziraldo, 40 págs., Ed. Melhoramentos, tel. (11) 3874 0880, 26,40 reais
  • O Dia em que o Passarinho Não Cantou, Luciana Mazorra e Valéria Tinoco, 24 págs., Ed. Livro Pleno, tel. (19) 3243-6441, 21 reais

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