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Um banho de atenção

Mudanças na rotina da creche permitem que bebês tenham momentos de higiene individualizados e cheios de diversão

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Festa na água: sem hora marcada, o banho é uma situação de aprendizado e de muito prazer. Foto: Gustavo Lourenção

Assim que os bebês do CEI Manoel Bispo dos Santos, em São Paulo, mergulham os pés na água é uma alegria só. O banho vai além do simples lavar o cabelo e ensaboar e enxaguar o corpo. A creche flexibilizou a rotina, privilegiando a atenção individualizada. Agora, a atividade é realizada de acordo com as necessidades de cada um. Mais do que garantir limpeza e conforto, o momento é de conversas, músicas e brincadeiras, além de aprendizado sobre cuidados.

Quando não é valorizado, o banho pode ser dado de maneira mecânica. Em vez de fixar uma hora, colocar a garotada esperando em fila e limpar todos apressadamente, a coordenação do Manoel Bispo decidiu distribuir esse cuidado ao longo do dia. "Descobrimos com a nossa experiência que não podemos organizar os horários de maneira rigorosa. Isso deixava as educadoras tensas e apressadas em cumprir a rotina", diz Vera Figueiredo, coordenadora de projetos da Grão da Vida, instituição que mantém a creche em parceria com a prefeitura.

Agora, no berçário que recebe 14 crianças de até 1 ano, o momento da higiene é flexível. Se uma delas estiver dormindo, com fome ou entretida com alguma atividade, o chuveiro fica para depois. Soraia de Cássia Rego, coordenadora pedagógica, conta que a mudança na rotina alterou a relação das educadoras com os pequenos: "A atenção e o vínculo afetivo estão muito mais presentes".

Para reforçar a interação, o caminho é conversar com os bebês todo o tempo e olhá-los nos olhos. O toque do educador deve ser calmo e sem pressa. Para Neide Noffs, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, dependendo da experiência nos primeiros meses e anos de vida, a higiene passa a ser vista como um prazer e uma maneira de relaxar, e não como obrigação ou um mal necessário.

Músicas, brinquedos e livros de borracha são bem-vindos, na opinião de Damaris Maranhão, da Universidade Santo Amaro, desde que não substituam a relação com o adulto e a possibilidade de ele mesmo participar do cuidado. "Não damos os objetos na mão dos bebês, mas os deixamos ao alcance deles para que peguem quando tiverem interesse", conta Ednalda Souza de Oliveira, auxiliar de enfermagem da creche.

 

Infra-estrutura adaptada

Para que os cuidados sejam completos, é bom fazer a manutenção periódica dos equipamentos, verificar se a quantidade de chuveiros é suficiente e se é fácil regular a temperatura da água. As torneiras devem ser instaladas de forma a permitir que quem já fica de pé consiga alcançá-las. Para os bebês, são necessárias cubas e banheiras, colocadas a uma altura tal que o adulto que cuide deles fique de pé, evitando dores lombares.

Antes de despir a criança, enxágüe a banheira com água corrente e, ao terminar, deixe a cuba ou banheira limpas para receber a próxima. Aos poucos, ela vai conquistando autonomia para se lavar sozinha. Por isso, é essencial incentivá-la a segurar o sabonete, se esfregar e enxaguar e ajudar a colocar a roupa. "Com cerca de 1 ano, o bebê imita o que a gente faz e já aprende a se cuidar", diz a educadora Jacira Rocha da Silva.

Os que têm 2 ou 3 anos aprendem a se preocupar com o outro, tomando cuidado para não molhar a professora, gastar muita água e nem atrasar os colegas.

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Contatos

Bibliografia

  • Os Fazeres na Educação Infantil, Maria Clotilde Rossetti-Ferreira e outros, 195 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3864-0111, 35 reais

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