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Primeiras acrobacias

Quanto mais se mexem, mais os pequenos de até 3 anos conhecem o próprio corpo

POR:
Cristiane Marangon

Movimentos ágeis: bebê é estimulado a mover-se de várias maneiras para ganhar força e agilidade. Foto: Teresa Maia

Os bebês têm ido para a creche cada vez mais cedo. Muitos ainda não falam e passam grande parte do dia olhando as mãos, tentando pegar os pés, sorrindo, chorando, balançando a cabeça... Essa é uma maneira de eles explorarem o próprio corpo e se comunicarem com quem está por perto. "Experiências sensoriais e motoras vividas na primeira infância desempenham papel fundamental na formação do cérebro", diz o psicomotricista André Trindade, especializado em atendimento a bebês, de São Paulo.

É por isso que ficar sentada ou deitada muito tempo atrapalha o desenvolvimento físico da criança. Nessa fase, a ação é a principal forma de linguagem. É assim que se dá a interação com o meio e o aprendizado sobre si mesma, sobre as pessoas que a rodeiam e os lugares que freqüentam. É preciso pular, rolar, dar cambalhotas e correr o máximo possível.

 

Mais ação no berçário

Na EEI Baby Mel, no Recife, a turma de até 1 ano só fica no berço enquanto dorme. "Quando um acorda, é levado para a sala de movimento", diz a diretora pedagógica Lídia Loreto. O espaço tem poucos móveis, alguns colchonetes e muitos materiais para chamar a atenção dos bebês.

A cada fase, os estímulos mudam. Os que ainda não conseguem se sentar são colocados de bruços sobre um rolinho na altura do peito ou da barriga. Em um dos exercícios, a auxiliar Alexsandra Travassos da Silva posiciona a criança sobre uma grande bola de plástico e a movimenta para a frente e para trás, ou posiciona um objeto à frente dela, estimulando-a a pegar o objeto. O esforço fortalece a musculatura e a estimula a rastejar para, mais adiante, ter condições de engatinhar.

Quem dá pistas de que está pronto para se sentar é apoiado em almofadas. Já os que querem ficar em pé, além da barra fixada na parede, têm acesso a um cavalete. "Seguro a cintura da criança para auxiliá-la a se abaixar e a levantar", diz Alexsandra, dando segurança para os que arriscam os primeiros passos".

A professora Angela Maria Pamplona, professora da rede municipal de Itajaí, a 100 quilômetros de Florianópolis, criou um recurso para auxiliar os pequenos de 1 e 2 anos, que estavam em diferentes fases de crescimento. Ela criou um brinquedo diferente: um trepa-trepa, construído com canos de PVC de 40 polegadas que mede apenas 1,20 metro de altura. Os dos parques são feitos de ferro e têm dois metros em média. O exemplar reduzido tem uma explicação. "Para brincar e se divertir fazendo as primeiras acrobacias, é necessário que todos alcancem as barras", ela lembra. Pensando na segurança, ela colocou areia dentro dos tubos para que estes ficassem firmes e não quebrassem quando alguém se pendurasse neles.

É possível preparar boas atividades para os pequenos sem depender de instalações e materiais especiais. Muitas brincadeiras tradicionais, como a amarelinha, são repletas de desafios corporais. "Crianças de até 3 anos gostam de situações que tenham um enredo, por causa do aspecto simbólico que apresentam", lembra Paula Zurawski, formadora do Instituto Avisa Lá e do Instituto Educação Superior Vera Cruz, em São Paulo.

Quer saber mais?

Contatos

Bibliografia

  • Atividade Física Adaptada, Eliane Mauerberg-de Castro, 595 págs., Ed. Tecmedd, tel. (16) 3512-5500, 89 reais
  • Giramundo e Outros Brinquedos e Brincadeiras dos Meninos do Brasil, Renata Meirelles, 207 págs., Ed. Terceiro Nome, tel. (11) 3816-0333, 63 reais
  • O Bebê e a Coordenação Motora, Marie-Madeleine Béziers e Yva Hunsinger, 80 págs., Ed. Summus, tel. (11) 3872-3322, 35,90 reais
  • O Despertar do Bebê, Janine Lévy, 144 págs., Ed. Martins Fontes, tel. (11) 3241-3677, 37,30 reais

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