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Quanta profissão legal!

Descobrir os diferentes tipos de trabalho diversifica as brincadeiras e as informações que as crianças de pré-escola têm sobre a sociedade

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Como os grandes: garotada brinca com os equipamentos profissionais, e ofícios novos são descobertos. Foto: Daniel Aratangy

Mesmo sem saber muito sobre profissões, crianças da EMEMI Fernando Soares, em Caieiras, na Grande São Paulo, sempre conversam sobre elas e as incluem nas brincadeiras de faz-de-conta. Percebendo a curiosidade da turma de 4 e 5 anos e a necessidade de ampliar o repertório sobre a comunidade, a professora Regiane Aparecida Santos de Souza elaborou um projeto que começou com uma roda de conversa, passou pela identificação de instrumentos de trabalho e por pesquisas e terminou com um desfile em que cada participante representou um tipo de ofício.

Aprender sobre carreiras desenvolve conhecimentos sobre a vida social e favorece a valorização de grupos variados - por isso é importante abordar os preconceitos nas atividades relacionadas a esse assunto. Além disso, enriquece as opções para o faz-de-conta. Isso é muito importante nessa faixa etária, em que o olhar para o entorno se amplia. "A garotada passa a explorar o mundo para entendê-lo melhor", diz Gisela Wajskop, do Instituto Singularidades, em São Paulo. Uma maneira de incentivar esse conhecimento é a brincadeira, tão antiga e presente na vida dos pequenos: "O jogo simbólico permite enfocar experiências diferentes das que eles costumam vivenciar no dia-a-dia". Ao manipular os brinquedos, todos entram em contato com formas, imagens e representações da cultura de determinada sociedade.

A turma de Regiane, por exemplo, em uma roda inicial, citou entre várias atividades a de médico, de sorveteiro, de professor e de cozinheiro. Mas como ela queria que todos conhecessem muitas outras além dessas, levou para sala um baú com instrumentos de trabalho bem diferentes, como um capacete, uma chave de fenda, uma colher de pau, uma máquina fotográfica - item que fez mais sucesso e encantou a garotada. Foi quando várias crianças descobriram que muita gente ganha a vida tirando retratos ou registrando fatos e paisagens.

Depois de pesquisar em livros, dicionários e revistas, os pequenos partiram para fazer entrevistas com os pais. "Antes do projeto, muitos não conseguiam nomear algumas ocupações, mesmo as que eles já conheciam", lembra Regiane. Uma das descrições rendeu um debate bem interessante. A mãe de uma menina coletava materiais para reciclagem e ninguém sabia como definir esse serviço. Até que, depois de muita conversa e várias sugestões, as crianças resolveram criar uma denominação para ela: recicladora. Literatura e pintura também serviram de fonte. Em contos de fadas, elas descobriram carpinteiros, mineradores, mordomos e faxineiros, entre outros (alguns tinham certeza absoluta de que ser bruxa também era uma maneira de ganhar dinheiro). Operários e lavradores foram encontrados nas reproduções de obras de Cândido Portinari (1903-1962) e de Tarsila do Amaral (1886-1973). Um texto coletivo e um mural foram produzidos para organizar as idéias.

No fim do projeto, o baú foi para o canto das profissões e os uniformes formaram um novo acervo de fantasias. O material passou a ser usado diariamente no faz-de-conta. Agora, na hora de brincar de médico, novas especialidades aparecem: uma garota quer ser pediatra; outra, ortopedista. E há ainda a recepcionista do hospital, o motorista da ambulância, o enfermeiro e o farmacêutico, que vende os remédios aos "doentes".

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Contatos

Bibliografia

  • Brinquedo e Cultura, Gilles Brougère, 112 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3611-9616, 15 reais

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