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Eta soninho bom!

Crianças de creche precisam de local tranqüilo e confortável para dormir, repor as energias e voltar a brincar

POR:
Cristiane Marangon

Parada essencial: hormônios básico sao desenvolvimento são liberados durante as horas de repouso. Foto: Gustavo Lourenção

O almoço da turminha de 3 anos no CEI Bryan Biguinati, em São Paulo, acontece às 11 horas. Logo em seguida, enquanto uma professora organiza a fila na porta do banheiro e põe pasta nas escovas de dentes, outra espalha os colchões pelo chão da sala. O ambiente está quase pronto. Depois de fazer xixi e a higiene bucal, cada um vai para a própria cama. A rotina muda com os de 4 e 5 anos. Como não querem perder um só minuto de brincadeira, eles não se deitam. Para que descansem, são convidados a fazer atividades mais tranqüilas, como manusear livros e desenhar.

A regra varia em cada escola de Educação Infantil. Em algumas, a hora de repousar vale para todos. Em outras, o que manda é a necessidade de cada um. O que se destaca em comum, no entanto, é a falta de formação e informação do professor que, em grande parte das creches e pré-escolas, não conta nem mesmo com o tema dentro das diretrizes pedagógicas. "Isso deveria fazer parte das preocupações de qualquer profissional encarregado de cuidar e educar nesse nível de ensino", diz Magda Rezende, coordenadora do grupo de pesquisas Cuidado à Saúde Infantil, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.

O sono é importante para a aprendizagem, a regulação da emoção e o crescimento, além de ser uma necessidade fisiológica. Quem dorme bem tem mais chances de se desenvolver plenamente. Quando uma criança adormece, é porque está realmente precisando. O hormônio somatotrópico, também conhecido como o do crescimento, é liberado em maior quantidade durante o sono mais profundo, estimulando o desenvolvimento das células e a deposição de cartilagem nas regiões de crescimento. 

 

Os ritmos e a saúde

O tempo de repouso necessário varia de acordo com a idade. Um bebê recém-nascido dorme várias vezes ao longo de um dia e isso vai mudando conforme ele - e o mecanismo que regula essa atividade - amadurece. Com 1 ano, ele tira apenas duas ou três sonecas - de 20 minutos a duas horas e meia - e é capaz de nem acordar durante a noite. Depois dos 3 anos, dificilmente a garotada se entrega durante o dia.

"É importante a escola conhecer os hábitos e o estado de saúde da criança para que possa dar a ela boas condições de sono e, assim, promover seu completo desenvolvimento", orienta Damaris Maranhão, formadora da Universidade Santo Amaro. Essas informações podem ser dadas pelos pais nos primeiros dias de aula. "Além de cuidar da soneca da turma durante o período escolar, é também função da equipe compartilhar o que sabe com os pais e responsáveis que, logo no primeiro encontro, podem dar informações básicas sobre esses hábitos", diz Katia Chedid, orientadora educacional do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. É importante saber quem ronca ou tem apnéia (distúrbio que faz despertar do sono profundo), chora ou geme enquanto dorme. Alteração de humor, dificuldade de socialização e atraso na fala e no crescimento são sinais de alerta para aprofundar a investigação. Nesses casos, um neuropediatra deve ser consultado.

O sono é um mecanismo fisiológico que pode ser ensinado, mas muitos adultos não sabem disso. Nem todos precisam de um ritual para adormecer. Marcia Pradella, médica responsável pelo setor de pediatria do Instituto do Sono, em São Paulo, defende que bebês, a partir de 5 meses, já têm capacidade de dormir sozinhos: "É melhor que se aprenda isso bem cedo para não recorrer a recursos como a TV ou medicamentos indutores do sono quando forem mais velhos". 

Quer saber mais?

Contatos

  • CEI Bryan Biguinati, R. Francisco Soares, 27, 05774-300, São Paulo, SP, tel. (11) 5819-1573
  • Colégio Dante Alighieri, Al. Jaú, 1061, 01420-001, São Paulo, SP, tel. (11) 3179-4400
  • Damaris Maranhão
  • Rose Mara Gozzi

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