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Criação com desafio

Fazer interferências no papel e usar uma cor intencionalmente ajuda os pequenos da pré-escola a desenharem cada vez melhor

POR:
Cristiane Marangon

Interferência: os trabalhos foram realizados somente em preto, em um papel com colagem. Reprodução

As produções de Leidiane Ianca Cruz e de Filipi da Silva Oliveira (acima) foram feitas com base em um pedaço de papel preto colado à folha sulfite, com caneta dessa mesma cor. Apesar da diferença de detalhes, ambos seguiram a mesma proposta de trabalho, em que o objetivo era aprimorar o desenho. O ponto de partida da professora de Educação Infantil Jane Sakae Machado, da EMEB Sandra Cruz Martins Freitas, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, foi o fato de a turma ter produções pouco elaboradas. "Queria que as crianças representassem melhor no espaço disponível", justifica. Com base no que aprendeu nos encontros de formação em Arte que freqüentava nos fins de semana, ela propôs um problema gráfico aos pequenos. O objetivo era que eles ampliassem o repertório de elementos gráficos.

 

Diferentes soluções

O primeiro passo foi recuperar em sua caixa de retalhos de papel e papelão vários pedaços cortados irregularmente. Entre os vários ali contidos, ela escolheu os pretos e colou-os em sulfite branco. Em algumas, o recorte ficou no centro e, em outras, no canto. Na aula, ela pediu que cada criança pegasse uma. Todas teriam de usar giz de cera preto e considerar a colagem feita. "Ao restringir o uso de cores, a turma prestou mais atenção ao aspecto gráfico", acrescenta Jane.

Leidiane, por exemplo, investiu nos detalhes, repetindo um mesmo elemento (as estrelas). Filipi optou por acoplar uma forma à outra, em procedimento conhecido como diagrama. Outra garotinha desenhou a figura humana: na folha com um trapézio central apareceu uma figura com tronco, braços, pescoço e cabeça. "Isso porque ela relacionou a forma inicial a uma saia", explica a professora.

Para finalizar, Jane ofereceu o giz de cera branco para que a turma interferisse sobre o preto. No dia seguinte, a proposta foi invertida: papéis pretos com colagens brancas e giz dessa cor. "As crianças passaram a fazer arte já considerando a presença de um elemento e a monocromia, além de aproveitar melhor o espaço do papel", lembra.

Os pequenos só conseguem aprimorar as criações quando a prática educacional favorece. Isso significa que eles precisam de atividades artísticas diariamente. É necessário ainda considerar que há muitas maneiras de estimular o percurso criador. Uma delas é oferecer suporte ou papel com intervenção. Outra, é produzir sons e sensações táteis, pedindo que a turma desenhe com base no que sentiu ao ouvir um barulho ou ao tocar diferentes texturas. "Cada faixa etária percebe as interferências de acordo com suas possibilidades, assim como cada criança tem um modo de aproveitá-las. Os desafios propostos devem ser significativos, por isso é necessário considerar as características da faixa etária e as marcas pessoais presentes nas obras dos pequenos", orienta Marisa Szpigel, formadora de professores em Arte do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo e selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota Dez.

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Contatos

Bibliografia

  • O Desenho Cultivado da Criança: Prática e Formação de Educadores, Rosa Iavelberg, 112 págs., Ed. Zouk, tel. (51) 3024-7554, 19 reais

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