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Reportagens | Artigo | Sérgio Roberto Kieling Franco | Reportagens

Desafio: aprender e ensinar com a TIC

Estimular o estudo e a reflexão sobre o uso das tecnologias com a mediação digital é uma das principais vocações da EaD

POR:
NOVA ESCOLA
Sérgio Franco,

Sérgio Franco,
Secretário de Educação a Distância da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Projetos pedagógicos que encaram a tecnologia como mero meio de transmissão, predomínio de material impresso e de interações presenciais. Currículos que não contemplam disciplinas relacionadas à tecnologia. Essas foram algumas das descobertas da pesquisa Educação a Distância: Oferta, Características e Tendências dos Cursos de Licenciatura em Pedagogia, tema desta edição especial.

O estudo também mostrou um cenário pouco alentador no que se refere à apropriação de ferramentas tecnológicas por parte dos alunos. Os cursos estudados não só deixam de fazer o "letramento digital" dos estudantes - de modo a levá-los a adquirir a fluência necessária para interagir por meio de ambientes virtuais de aprendizagem - como também não promovem sua "inclusão digital". Ou seja, não introduzem o uso das tecnologias e, portanto, não capacitam os futuros docentes a utilizá-las durante o curso e, mais adiante, em sua vida profissional.

O panorama identificado, infelizmente, não é uma surpresa. Em duas décadas trabalhando com EaD, já vi uma grande quantidade de cursos a distância que não exploram todo o potencial interativo das tics para aproximar as pessoas e promover a interação social, a produção de conhecimentos, a colaboração e a aprendizagem. Em vez disso, informatizam o ensino, espelhando-se no pior tipo de aula presencial (que é exclusivamente expositiva, sem abertura para debates e reflexões) e usando a tecnologia apenas para transmitir aulas ou para enviar textos simplificados.

 

Ora, a EaD depende da tecnologia e não se pode esquecer de dar a devida ênfase a ela. As características específicas das TIC, entre as quais a interação multidirecional e síncrona, a busca, a organização e a reelaboração de dados, por exemplo, são elementos distintivos da modalidade atualmente. É fundamental, portanto, ensinar sobre ela com a mediação de recursos tecnológicos, incluindo estudos e práticas sobre o uso das TIC. Assim, a formação deve incluir o experimentar, o vivenciar, o refletir e o discutir as TIC no âmbito do ensino e da aprendizagem.

Os computadores, os tablets, os celulares e, principalmente, a internet precisam fazer parte do cotidiano do curso, criando um elo orgânico entre os momentos de interação virtual e presencial. Assim, será possível transformá-lo em uma verdadeira rede social educacional, na qual se produz conhecimento com base no diálogo com o outro (a distância ou presencialmente). Do contrário, a Pedagogia na EaD permanecerá como nada mais que um curso por correspondência, que até pode ser instrutivo, mas nunca dará conta do papel formativo que precisamos implementar para transformar a Educação brasileira.


Foto: Marina Piedade

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