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Por: Bruna Nicolielo

Sete propostas para o futuro

Conheça as ações mais importantes para institucionalizar o curso de Pedagogia na EaD e alavancar a qualidade da formação

O alto percentual de matrículas na licenciatura de Pedagogia a distância não deixa dúvidas sobre a validade da EaD na formação de professores. O número de cursos também cresce. De 2009 a 2010, por exemplo, houve um aumento de mais de 51%, segundo o Inep, graças, em parte, à demanda estimulada por políticas públicas de estímulo ao ingresso no ensino superior, como o Programa Universidade para Todos (Prouni).

Defendido como alternativa para expandir a abrangência da oferta por formação, o ensino mediado por recursos tecnológicos tem potencial para atingir os rincões do Brasil. Hoje, funcionam 4.450 polos, de 77 instituições de ensino superior, espalhados pelo país, segundo dados dos portais e-MEC e Universidade Aberta do Brasil (UAB). Falta, porém, maior capilaridade, pois essa oferta ainda está concentrada nas regiões Sul e Sudeste do território nacional.

Esse foi um dos tópicos discutidos num evento que trouxe especialistas da área à sede da FVC, em São Paulo, para debater os resultados da pesquisa. Com base nessa discussão, eles formularam encaminhamentos para aprimorar a modalidade e, assim, estimular investigações futuras e orientar as ações de universidades e gestores públicos. Veja a seguir quais as iniciativas necessárias para dar um salto de qualidade e melhorar a qualificação de quem se forma no curso de Pedagogia a distância.

1. Formatar bons modelos

A organização dos cursos deve empregar equipes multidisciplinares (com gestores, docentes, tutores e técnicos), que trabalhem as linguagens e a infraestrutura necessária ao curso a distância.


2. Profissionalizar o tutor

A atividade precisa de regulamentação. Hoje, cabe às instituições definir o papel e as atribuições do tutor, que oscilam entre a função de professor em exercício e a execução de atividades burocráticas, como a checagem da presença. "A tutoria ainda é novidade e não existe consenso sobre seus limites e sua abrangência", diz Maria da Graça Moreira da Silva, professora da PUC-SP e uma das coordenadoras do estudo.


3. Vincular o curso à rede local

É preciso prever a flexibilidade do projeto pedagógico de modo a adequar os cursos às diversas realidades locais existentes no país. Eles devem tratar de temas relacionados ao contexto e incorporar as necessidades dos professores e das redes às quais se destinam. "Se as próprias instituições de ensino não entenderem que isso é importante, teremos uma lacuna na formação dos alunos, que não encontram reflexos dos estudos em sua realidade local", explica Maria da Graça. Esse fator é ainda mais importante no caso das instituições com maior número de polos - caso das redes privadas, que, atualmente, concentram 90% dessas unidades, segundo informações dos portais e-MEC e UAB.


4. Fortalecer a presença do docente

O professor deve atuar em parceria com a equipe de tutoria para orientar o aluno em seus estudos. "O contato com docentes é importante para combater a evasão. Sem eles, o aluno se sente abandonado", diz Klaus Schlünzen Junior, da Unesp. Assim, as instituições devem criar condições para que os professores consigam trabalhar em conjunto com os demais profissionais das equipes de planejamento, implantação e suporte ao curso.


5. Interiorizar e expandir a oferta

É necessário aumentar o acesso fora de centros urbanos e capitais, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, onde ainda há poucas opções de cursos de Pedagogia a distância. Também é preciso rever a adoção do modelo Universidade Aberta do Brasil, pois a diversidade brasileira não comporta um modelo único para todo o país.


6. Integrar as modalidades

Hoje, os cursos presenciais e a distância são ofertados e estruturados separadamente. Eles possuem sites, vestibular, secretaria e docentes distintos, como se fossem organizados por instituições diversas. "Esse processo deve ser integrado, de forma que as universidades ofereçam os cursos independentemente da modalidade", afirma Maria da Graça. Isso não significa, porém, que os cursos devam ser iguais. Eles precisam ser formulados de acordo com suas particularidades. "Em geral, as propostas curriculares são iguais ou muito semelhantes aos cursos presenciais. Ou seja, deixa-se de lado uma ótima oportunidade de conceber propostas inovadoras, utilizando as tecnologias", explica Mauro Pequeno, da UFC.


7. Oferecer transparência

Os alunos precisam ter acesso a programas e ao calendário do curso para saber os conteúdos abordados e planejar sua rotina de estudos. Em geral, os cursos limitam-se a instruir sobre as ferramentas à disposição, as datas, os horários e as atividades dos momentos presenciais. "Acabam negligenciando outros aspectos importantes, como a própria postura do aluno, a disciplina que ele necessita para se auto-organizar, os materiais de apoio e as exigências tecnológicas necessárias ao acompanhamento das aulas", explica Pequeno. Outros aspectos fundamentais, como os pressupostos pedagógicos dos cursos, ementas, seu eixo curricular e os processos de acompanhamento e avaliação também são frequentemente esquecidos. "Esse conjunto de informações incompletas ou imprecisas pode ser apontado como um dos principais fatores do abandono do curso e da falta de estímulo dos ingressantes na EaD", completa ele.


Ilustração: Bruno Algarve