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Promover o uso de estimativa

A prática ajuda a antecipar e controlar resultados necessários à compreensão da disciplina

POR:
NOVA ESCOLA

"A estimativa não é o mesmo que chute: ela é feita com base em conhecimentos de referência, e não ligados à sorte", diz Valter Mandolini, que atua no Ensino Médio da EE Aparecido Gonçalves Lemos, em Canitar, a 368 quilômetros de São Paulo. A turma precisa aprender que a Matemática não é feita só de resultados exatos, mas também da elaboração de argumentos, aproximações, raciocínios e justificativas.

Para trabalhar com esse conteúdo o professor desafiou os alunos a orçar o custo de uma escola em boas condições. O foco inicial foi a quadra de esportes. Para descobrir quanto havia sido gasto ali, eles, em grupos, deveriam estimar a quantidade de cimento, tinta e tela de arame consumidos. Para calcular o volume de material utilizado os jovens lançaram mão de conhecimentos de geometria e de sistemas de medidas. Por exemplo: se para cercar um trecho da quadra são necessários dois metros de tela, quanto seria o total para a quadra toda? Só então pesquisaram os preços e calcularam o valor gasto. A atividade terminou com um debate sobre as estratégias usadas.

Em outras ocasiões, Mandolini também recorre a problemas com antecipações matemáticas, como a quantidade de água para encher uma piscina. O professor discute parâmetros, como quantos litros cabem em um metro cúbico. Vale rabiscar, desenhar, anotar, testar. Se a resposta vem logo, ainda que certa, ele pede que o aluno explique seu método e reflita se o valor é plausível. "Ele deve compreender por que acertou e justificar a validade da estratégia."

"A estimativa não é o mesmo que chute: ela é feita com base em conhecimentos de referência, e não ligados à sorte"


Calil Neto. Ilustrações Claudio Gil