Reportagens | Prática 5 | Robson Alves De Oliveira | Reportagens

Usar o erro a favor da aprendizagem

Formular as próprias hipóteses contribui para construir conhecimento

POR:
NOVA ESCOLA

Robson Alves de Oliveira leciona no Ensino Fundamental e no Médio na EE Professora Dinah Lúcia Balestrero e na EM Álvaro Callado, em Brotas, a 235 quilômetros de São Paulo. Em toda aula, tira o máximo proveito dos erros dos alunos. "Vejo que muitos ficam retraídos por acharem que não sabem e, com medo de errar, perdem o interesse em participar das atividades", afirma. E ele está ciente de que, se a turma é encorajada a formular hipóteses e a testar a validade delas, aprende mais. Dessa forma, sua estratégia diante de deduções equivocadas é propor a análise das resoluções. O professor faz isso dando contraexemplos, isto é, sugerindo que os alunos utilizem um procedimento para resolver diferentes problemas e avaliem quando ele funciona e quando não.

Uma aula para introduzir múltiplos e divisores no 6º ano com o mote da Copa do Mundo ilustra o estilo de Oliveira. "Começo com uma pergunta. Pode ser: teve Copa no ano em que eu nasci?" Depois ele fornece informações, como sua idade, o ano do primeiro campeonato mundial e a periodicidade dele. Então, os alunos elaboram suas conjecturas.

Sempre surgem conclusões, como a de que todo ano de Copa é múltiplo de 4. Melhor para o debate. "É importante valorizar as hipóteses de todos, erradas ou não. Por isso, dou bastante tempo para as discussões e suposições dos estudantes." Ele termina solicitando que cada um escolha três anos de realização do evento e divida-os por 4. A proposta é ver que, se é ano de Copa, restará o número 2 após a operação. 

"É importante valorizar as hipóteses de todos, erradas ou não. Por isso, dou bastante tempo para as discussões e suposições dos estudantes"


Calil Neto. Ilustrações Claudio Gil