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Ensino Médio, a bola da vez da nossa Educação

POR:
NOVA ESCOLA
Luis Carlos de Menezes,

Luis Carlos de Menezes,
físico e educador da Universidade de São Paulo (USP)

Um esforço de décadas ampliou o acesso ao Ensino Fundamental e aumentou a chegada de estudantes ao Médio. Ao mesmo tempo, o Superior impõe outras exigências aos egressos do antigo 2º grau. E, por causa da demanda crescente de qualificação para o mercado de trabalho, espera-se mais profissionalização dos jovens. Enquanto isso, um em cada cinco alunos do Ensino Médio regular abandona as aulas por algum emprego, enquanto muitos formados em escolas profissionalizantes buscam no Ensino Superior diplomas mais valorizados.

É nesse contexto que essa etapa tem ocupado campanhas políticas, merecido manchetes sobre desempenho em exames gerais ou classificação de escolas e provocado preocupação pela falta de professores em algumas disciplinas ou por deficiências na formação docente. É a bola da vez da nossa Educação. Basta ver o chamado Ensino Médio Inovador e propostas curriculares criativas, como as desenvolvidas recentemente pela Organização das Nações Unidas para a Educacão, a Ciência e a Cultura (Unesco). No plano oficial, há uma nova e mais flexível regulamentação aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e existem bolsas para iniciação à docência que apoiam a formação prática nas licenciaturas. Além de bons exemplos, como os mostrados nesta edição especial.

Mas há muito a fazer. Entre as questões mais gerais, superar aulas abusivamente expositivas e de aprendizagem passiva demanda novo preparo de professores. E, quando o assunto é profissionalização em nível médio, esse problema se agrava pela falta de técnicos com preparo pedagógico e de professores com qualificação técnica. Os problemas, no entanto, não são descolados do cenário educacional como um todo.

- Sem associar centros formadores de professores com as redes públicas de ensino, corresponsabilizando-os pela instituição em que seus formandos viverão a prática, o Ensino Básico e o Ensino Superior vão se manter distantes, e as licenciaturas, artificiais.

- Sem dar estrutura à carreira dos professores, levando em conta desempenho, capacidade e responsabilidade, será difícil fixar qualidade pedagógica e acadêmica nas escolas, condição essencial para os estágios de formação inicial.

- Sem oportunidades de vivência, em centros de ciência, cultura e outros equipamentos culturais, para a formação geral, e sem parcerias com instituições sociais ou empreendimentos produtivos e de serviços, para a formação profissionalizante, não será possível completar o preparo cultural e prático dos jovens.

Esses pontos não esgotam o programa necessário - só ilustram o que está por ser feito. Cada um envolve recursos materiais e humanos, nacionalmente disponíveis, que podem ser mobilizados se sua importância for reconhecida. De todo modo, servem para reiterar que não basta mover uma peça só, o Ensino Médio. Temos de transformar a Educação brasileira como um todo, dando continuidade a avanços no rumo certo, em direção a metas maiores, ainda distantes.

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