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Oito práticas que fazem a diferença

Estudo mostra que quando a equipe gestora e os professores trabalham com foco na aprendizagem dos alunos e acreditam que todos podem aprender, o desempenho da escola melhora e a evasão diminui

POR:
Aurélio Amaral, Elisângela Fernandes, Anderson Moço e Verônica Fraidenraich

Na EE Santiago Dantas, alunos com baixo desempenho participam de aulas de reforço semanais no contraturno, o que tem ajudado a escola a alcançar ótimas taxas de aprovação e evasão próxima de zero

As escolas públicas com melhores indicadores de aprendizagem e baixas taxas de repetência e evasão no Ensino Médio adotam um conjunto de procedimentos comuns, identificados pela pesquisa Boas Práticas em Escolas de Ensino Médio no Brasil, realizada em 2009 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em convênio com o Ministério da Educação (MEC). O estudo analisou 35 instituições no Acre, no Ceará, no Paraná e em São Paulo. Feita em parceria com a Fundação Carlos Chagas (FCC) e o Instituto Protagonistés, ambos de São Paulo, a pesquisa de campo consistiu na aplicação de questionários e entrevistas individuais e em grupo com profissionais das Secretarias Estaduais de Educação dos quatro estados e com gestores, professores e estudantes. Confira as oito práticas eficazes adotadas com êxito nas instituições pesquisadas.

1 Foco na aprendizagem
As iniciativas empreendidas pelas equipes gestoras e docentes são voltadas para o sucesso dos jovens, com prioridade para a aquisição do conhecimento. Afirmam considerar as necessidades de aprendizagem da turma no planejamento 99% dos professores e 98% deles trocam ideias entre si antes de preparar as atividades. Os coordenadores pedagógicos orientam o trabalho docente e as avaliações internas e externas são usadas para detectar os conteúdos em que os jovens necessitam de reforço. Na EE Santiago Dantas, na zona rural de Rio Branco, os alunos com desempenho abaixo do esperado participam de um programa de reforço no contraturno. A escola tem taxa de aprovação de 98,7% e de evasão de 0,6%.

2 Expectativa elevada
Nas unidades analisadas, é alta a expectativa de diretores, docentes e funcionários com relação ao desempenho dos estudantes. Elas são exigentes com a garotada e disseminam a convicção de que todos podem aprender. "Respeitamos a dedicação e a vontade de mudar de vida desses estudantes e acreditamos no potencial que eles têm", afirma Roberto Claudio Bento da Silva, diretor da EEFM Padre Menezes Pimentel, em Potengi, a 485 quilômetros de Fortaleza.

3 Clima harmonioso
Outro ponto em comum das instituições que se destacam é que elas são um lugar agradável para aprender e ensinar - considerando-se desde itens como limpeza até as relações interpessoais. Isso porque ter uma infraestrutura adequada e manter a área limpa e organizada é uma forma de receber bem a comunidade. Na EEFM Antônio Vidal Malveira, em Tabuleiro do Norte, a 211 quilômetros de Fortaleza, o clima é tão bom que alunos e educadores frequentam a escola também fora do período de aula. Alguns chegam até duas horas antes para conversar, usar a sala de informática ou jogar damas ou xadrez. "O ambiente receptivo e as atividades oferecidas fazem com que sejamos também o centro cultural da comunidade", diz o diretor, Claudenor Anselmo da Silva.

4 Alto senso de responsabilidade
Outro fator que influencia diretamente a qualidade do ensino é o investimento na formação continuada e no alinhamento da equipe em torno do projeto político-pedagógico (PPP). Para discutir os problemas de sala de aula, os professores do CE de Educação Profissional Sudoeste do Paraná, em Francisco Beltrão, a 490 quilômetros de Curitiba, contam com reuniões pedagógicas bimestrais, os conselhos de classe e a hora-atividade - quando preparam as aulas e são orientados pela coordenação. "Se eles vão dar uma recuperação ou retomar um conteúdo, discutimos juntos como fazer isso", diz Sandra Bonet, pedagoga da escola, cuja taxa de evasão é de 0,5%.

5 Lideranças reconhecidas
Em todas as escolas pesquisadas, há a preocupação de promover debates entre os docentes e a equipe gestora com vistas ao aperfeiçoamento profissional. Na EE José Ribamar Batista, na periferia de Rio Branco, a formação continuada é realizada semanalmente. Os gestores promovem a troca de experiências entre os docentes, discutem as dificuldades dos alunos e analisam se os planos de aula estão de acordo com o PPP da escola. A coordenadora pedagógica Myliene de Brito costuma observar as aulas e anotar aspectos relacionados à metodologia. Depois, ela dá um feedback ao professor sobre o que pode se melhorado.

6 Otimização do tempo escolar
Organizar a rotina para que o período em que os alunos passam na escola seja bem aproveitado é o objetivo das unidades visitadas para o estudo do BID. Para não desperdiçar o tempo durante as trocas de salas ambientes feitas pelos alunos, na EE Nícia Fabíola Giraldi, em Sertãozinho, a 340 quilômetros de São Paulo, foi criada a função de líder de classe. Esse aluno fecha a sala no fim da aula e entrega a pasta de controle de presença ao professor da disciplina seguinte. Quando uma falta é percebida por um dos docentes, o inspetor é acionado para localizar o estudante. A direção costuma ainda conversar com os educadores sobre os possíveis prejuízos das faltas.

7 Normas de convivência
Nas boas escolas, há regras de relacionamento orientando a forma como todos devem proceder nas mais diversas situações. NA EE Maria da Conceição Moura Branco, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, as leis de convivência valem para todos. Quando faltam sem justificativa, os professores são descontados na folha de pagamento. Os estudantes, por sua vez, têm a caderneta de presença retida, inclusive quando se atrasam, até que os pais compareçam à escola para conversar sobre a importância da assiduidade. Na sala de aula, bonés e aparelhos eletrônicos são proibidos. Todas as regras foram preparadas com o envolvimento dos alunos e das famílias, conta a diretora Sônia Regina Guerra. "Quando é preciso, discutimos mudanças com o grupo."

8 Autonomia e criatividade da equipe gestora
O último ponto citado pelos pesquisadores é o desenvolvimento de projetos para ganhar independência na resolução dos problemas. O CE do Paraná, em Curitiba, por exemplo, virou uma referência no estado. Ali funcionam oficinas de Arte e o Centro de Línguas Estrangeiras Modernas (Celem), que oferece aulas para os estudantes e moradores da capital.

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