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13 de Novembro de 2017 Imprimir
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Conheça jovens artistas negros para trabalhar com a turma

Antes retratados apenas como submissos, os negros hoje são protagonistas de obras e performances

Por: Leonardo Sá
Na performance Bombril, Priscila Rezende revisita o quadro Limpando Metais, de Armando Viana à esquerda (Imagens: Divulgação / Museu Mariano Procópio e Guto Muniz)

Um vídeo mostra uma mulher negra, vestida de branco, cercada por utensílios de metal. Ela esfrega uma caneca de alumínio com o próprio cabelo. Bombril é o nome da obra, realizada pela artista visual Priscila Rezende. E o que esse vídeo tem a ver com o quadro Limpando Metais, do pintor Armando Martins Vianna (1897-1992)?

Refletir sobre essa questão é uma boa maneira de provocar a turma a compreender qual papel os corpos negros exerceram em diferentes momentos da história e da arte no Brasil.

O óleo de Armando Martins Vianna se enquadra em um primeiro momento. No período colonial, quadros - quase todos de pintores estrangeiros como Albert van der Eckhout (1610-1665) e Jean-Baptiste Debret (1768-1848) - retratavam o cotidiano escravocrata, com personagens negros em papéis secundários. Somente com o Modernismo eles tomariam o primeiro plano, sendo retratados em quadros sobre trabalho, miscigenação e racismo. São dessa época obras famosas como O Trabalhador de Café, de Cândido Portinari (1903-1962), e A Negra, de Tarsila do Amaral (1886-1973). Porém, sua participação ainda se limitava ao trabalho como modelos.

Nas décadas que se seguiram ao Modernismo, as artes visuais passaram por uma revisão de linguagem e questionamento de suportes (a tela, a escultura, a arquitetura). Surge, então, a performance. Nela, o artista se vale de dança, teatro, e música para falar de questões políticas e sociais. "O corpo é a matéria artística e o meio de expressão", explica Roberto Conduru, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É nesse contexto que se encaixa a performance de Priscila. Ao mesmo tempo, se observa mais participação dos negros na arte. O corpo deixou de ser apenas retratado para ser protagonista.

ROSANA PAULINO
Bastidores, 1997
A artista e pesquisadora é um dos nomes de maior destaque da arte contemporânea. Nessa série, intervém com bordados em retratos de mulheres negras para explicitar a violência que sofreram.

Quando comparamos as duas obras presentes nas páginas anteriores, fica evidente a diferença entre o papel do corpo negro nos dois momentos: de mero retratado a criador e protagonista da obra. "Ao abordar na escola as temáticas raciais, precisa ficar claro que o contato entre africanos, indígenas e europeus não foi equilibrado, harmônico ou pacífico", explica Carla Ribeiro, pesquisadora a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Isso significa que os alunos precisam compreender que a ausência de artistas negros durante o período colonial é também reflexo da relação que o país desenvolveu com seus escravizados. Essa mesma relação gerou as desigualdades que são criticadas nas obras contemporâneas.

Comparar e estimular o olhar crítico

Para quem leciona Arte, o tema é um belo desafio, mas pode ser trabalhado a partir dos anos finais do Ensino Fundamental. Para começar, apresente obras em que o corpo negro apareça de diferentes formas (como os exemplos citados no texto e as produções das artistas sugeridos nas fotos acima). Pinturas, esculturas, fotos e vídeos devem ser observados e descritos no caderno pelos alunos, para que depois possam fazer comparações e discutir entre eles sobre os momentos artísticos em que cada peça de arte foi composta, sobre os clichês de cada época identificáveis na obra, sobre a autoria e sobre a presença ou não de uma crítica no trabalho das artistas.

RENATA FELINTO
White Face and Blond Hair, 2012
Artista visual, ela faz ironias sobre a negritude e identidade. Nessa performance, sai às ruas com maquiagem branca e peruca loira para denunciar a imposição dos padrões de beleza.

Depois, mostre e discuta as diferentes formas de expressão artísticas com os estudantes. A performance, por ser menos conhecida do que as outras, merece atenção especial. Marisa Szspigel, professora da Escola da Vila, em São Paulo, explica: "É preciso introduzir a ideia do corpo como suporte e da efemeridade das obras". O tema pode parecer sensível aos educadores, mas costuma ter boa aceitação pelos jovens. "A linguagem corporal, por ser muito presente no cotidiano dos estudantes, é entendida de modo mais natural por eles do que pelos adultos", diz ela.

Ao serem desafiados a realizar uma apreciação crítica de obras tão diversas, os alunos aumentam sua compreensão sobre as linguagens artísticas e estabelecem relações entre a Arte e outras disciplinas, como História e Geografia.

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