O gestor da escola me chamou para uma conversa. E agora?

Descubra como se preparar para receber uma devolutiva, atividade fundamental para o desenvolvimento profissional

POR:
Paula Peres

Silvana Tamassia orienta Time de Autores sobre como aproveitar as devolutivas | Foto: Mariana Pekin

Quando lidamos com os alunos, sabemos que todos as devolutivas que fazemos sobre as atividades que eles entregam são para que aprendam com mais qualidade. Porém, quando estamos do outro lado da mesa, é difícil ouvir comentários sobre como podemos melhorar nosso trabalho. Geralmente, ficamos na defensiva. Mesmo em espaços de aprendizagem, como na escola, entre pessoas que entendem o valor da reflexão sobre o erro, como os professores, a resistência ainda é muito grande.

A professora Silvana Tamassia, coordenadora da Elos Educacional, está acostumada a dar e receber muitos feedbacks. Ela sabe que pode ser difícil apontar melhorias no trabalho de outra pessoa, mas também é muito difícil ouvir sobre o que você mesmo pode melhorar. Por isso, ela conversou com os 150 professores de Matemática que estão reunidos na Virada de Autores sobre como eles podem aproveitar esses momentos de feedback para refletir sobre sua prática de sala de aula.

A Virada de Autores faz parte do projeto Planos de Aula NOVA ESCOLA, que visa produzir milhares de planos, de alta qualidade e em muitas disciplinas. Os professores envolvidos no projetos, oriundos da sala de aula, vão ter de trocar muito entre si. Por essa razão, nós estamos falando de feedback neste encontro.   

Veja as principais dicas:

Não leve para o pessoal
Um dos enganos mais frequentes é entender as críticas ao seu trabalho como algo contra você. E aí você acaba ficando chateado com aquele amigo de quem você gosta tanto, mas que falou coisas que você não gostou. A ideia não é essa. Os apontamentos são relativos apenas ao projeto que está sendo desenvolvido ou ao trabalho que você desempenha. A relação pessoal estabelecida com a pessoa que está fazendo a avaliação não deve estar colocada sobre a mesa. É sobre seu trabalho, não sobre você.

Seja humilde
É difícil reconhecer erros, mas um professor deve entender que não é perfeito (como ninguém é, aliás). Apesar de sua função na sociedade ser a de construir conhecimento com as pessoas, você nem sempre vai acertar em tudo o que fizer. E está tudo bem. Entenda a conversa com seu colega também como um momento de formação, em que você vai aprender com a visão de outro educador. Afinal, professores sabem mais do que ninguém: o importante é aprender sempre.

Reflita sobre os apontamentos
Ouça tudo o que seu colega tem a dizer e seja honesto consigo mesmo. Quais dessas sugestões fazem sentido? Será que há algum comportamento que se repete em seus trabalhos e que você não havia notado? Como você pode aproveitá-las para melhorar o projeto, suas tarefas cotidianas e a relação com a equipe?

Seu trabalho não é horrível
Quando fazemos uma atividade, costumamos dar toda a energia possível a ela e acreditar que aquele é o melhor que podemos fazer. Ouvir de outra pessoa que há pontos a serem melhorados é frustrante. Afnal, tudo o que foi construído até aqui não estava bom? Não encare dessa maneira. O momento do feedback, inclusive, é para apontar os pontos positivos do que foi feito. Mas nada é perfeito, certo? Então mesmo um ótimo trabalho tem pontos a serem melhorados, e uma segunda opinião pode acrescentar novos olhares a detalhes que estavam passando despercebidos.

Respire e não reaja com agressividade
Evite conflitos. O que você ouviu te magoou de alguma maneira? Respire, peça um tempo para refletir e converse com seu colega em outro momento, quando estiver mais calmo. Lembre-se: seu colega não está querendo apontar o dedo sobre você para te humilhar. Se vocês estão nessa conversa, é porque acreditam que podem construir um trabalho melhor a favor da aprendizagem dos alunos.

Argumente, se achar necessário
Não saia da conversa frustrado. Se o colega apontou algo que pode ser melhorado e você achou injusto ou tem um bom argumento, diga. Mas lembre-se de fazer com empatia e mente aberta, evitando conflitos desnecessários. Se preferir conversar em outro momento, marque uma segunda conversa para alinhar o que cada um espera do projeto e como isso pode ser feito para dar certo.

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