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Como dar feedbacks efetivos dentro da escola

Seja objetivo, não julgue, descreva fatos e ajude seu colega a crescer pessoalmente e profissionalmente

POR:
Larissa Darc, Leandro Beguoci
Professores participam de workshop sobre feedback na Virada de Autores | Foto: Mariana Pekin

Feedback, em português, significa “dar retorno”. Você provavelmente já fez isso algumas vezes, com colegas próximos: “Talvez fosse melhor fazer diferente”, “isso não ficou legal”, “e se você fizesse assim?”. Esse retorno, quando bem feito, é um presente. Afinal, é uma preocupação sincera com o desenvolvimento profissional do colega.

Mas nós sabemos que, na prática, feedback é um presente raro – justamente porque não é visto assim. Muitas pessoas não dão feedback porque têm medo de ferir os sentimentos de um colega. Outros evitam qualquer crítica porque temem uma reação intempestiva. E ainda há as pessoas que não falam nada porque, afinal, “cada um sabe o que faz de certo ou errado”.

Pois bem, estamos perdendo muitas oportunidades ao não dar feedbacks.  Quando essas devolutivas são feitas de maneira construtivo, elas ajudam a outra pessoa a pensar sobre sua prática e a melhorar – tanto pessoalmente quanto profissionalmente.

Em NOVA ESCOLA, nós acreditamos no poder do feedback. Por isso, convidamos Silvana Tamassia, coordenadora da Elos Educacional, consultoria de gestão escolar e formação de professores, para conversar com o Time de Autores NOVA ESCOLA, que será responsável por produzir 1.500 planos de aula de Matemática alinhados à Base Nacional Comum Curricular. A formação aconteceu durante a Virada de Autores, evento de quatro dias em que começamos esse projeto que visa levar materiais de qualidade, de forma gratuita, a todos os educadores do Brasil.

Esse grupo de dezenas de professores trabalhará junto ao longo dos próximos meses. Para esse processo funcionar, segundo Silvana, eles terão de dar muitos feedbacks uns aos outros – afinal, nosso processo de planos de aula é, ao mesmo tempo, muito autoral e muito colaborativo.

Gostamos tanto das lições de Silvana que resolvemos compartilhá-las com você. Leia, a seguir, quatro dicas para incluir o feedback na rotina da sua escola. E, depois, nos dê feedback sobre esse texto. Combinado?

Seja objetivo
A linguagem clara e sem muitos adjetivos é essencial para que o feedback não se torne um conjunto de julgamentos que, no final do processo, deixam a outra pessoa na defensiva. Lembre-se de que esse deve ser um momento para reflexões, não para ataques. Em vez de dizer “isso é ruim”, descreva o episódio. Por exemplo, imagine um feedback do coordenador pedagógico para um professor após uma formação: “Quando você usa o celular durante o encontro, você perde o conteúdo”.  

Destaque evidências
Descreva situações com detalhes. "Ao direcionar sua fala a questões específicas, o coordenador qualifica o que está sendo avaliado”, explica Silvana. Continuando com o exemplo anterior: “Quando você usa o celular durante o encontro, você perde o conteúdo. Na nossa última formação, você passou boa parte da reunião respondendo mensagens do WhatsApp enquanto nosso convidado orientava sobre como incluir alunos com graus moderados de autismo”.     

Estabeleça uma comunicação cordial
Verbos imperativos afastam o interlocutor. Vinícius Mano, analista de Educação no Sesi do Rio de Janeiro e mentor do Time de Autores sugere: “Se o gestor for transparente, sem deixar de elogiar o que há de bom no trabalho docente, fica mais fácil abrir caminho para sugerir pontos de melhoria”. Vamos continuar no exemplo anterior? Sim. “Quando você usa o celular durante o encontro, você perde o conteúdo. Na nossa última formação, você passou boa parte da reunião respondendo mensagens do WhatsApp enquanto nosso convidado orientava sobre como incluir alunos com graus moderados de autismo. Você é uma professora muito preocupada com o assunto, uma das referências da escola, e sei que essa formação poderia te ajudar com algumas crianças que você tem em sala”.  

Sugira mudanças
Não adianta apenas criticar. Se você acredita que tem algo que possa contribuir para o desenvolvimento do professor, diga para ele. Melhorias da prática podem garantir a aprendizagem de qualidade para todos os alunos. Por outro lado, tente não ser impositivo demais. Afinal, você não muda o outro. A mudança deve partir da pessoa. Vamos encerrar com o nosso exemplo?

Quando você usa o celular durante o encontro, você perde o conteúdo. Na nossa última formação, você passou boa parte da reunião respondendo mensagens do WhatsApp enquanto nosso convidado orientava sobre como incluir alunos com graus moderados de autismo. Você é uma professora muito preocupada com o assunto, uma das referências da escola, e sei que essa formação poderia te ajudar com algumas crianças que você tem em sala”. Não sei se você tinha algum problema pessoal urgente. Quando for assim, não tem problema, pode deixar a reunião. Do contrário, gostaria muito que você participasse ativamente de nossas formações. Tenho certeza de que você tem muito a aprender e a colaborar com o grupo. O que acha? Faz sentido? Tem algo que eu não vi?”.

E não se esqueça. O melhor feedback é aquele dado como presente – e nunca como punição.

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