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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita

23 de Outubro de 2017 Imprimir
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Quando a alfabetização não se encerra no 3º ano

Para as crianças evoluírem de um ano para o outro, a parceria com os outros professores é fundamental

Por: Mara Mansani
A alfabetização é um processo longo. Sua continuidade é compromisso de todos os professores e não deve se encerrar no 3º ano. Foto: Mariana Pekin

Já conversamos aqui no blog sobre como a alfabetização começa antes e vai muito além do 1º ano. Esse período é muito importante na vida de todos os alunos, afinal é a base para o desenvolvimento da aprendizagem. Se o processo da alfabetização for bem sucedido, as chances de um bom desenvolvimento se ampliam.

Observando os alunos da E.E. Professora Laila Galep Sacker, em Sorocaba, escola que já trabalho há cinco anos, me dei conta de que estou completando um ciclo. Nas turmas do 2º ao 5º ano, há alunos que estiveram comigo em pelo menos um ano do período de alfabetização. A minha primeira turma nessa escola está agora no 5º ano. Pude acompanhar toda a trajetória de aprendizagem das crianças no Ensino Fundamental l.

Em minha escola, os alunos são de todos nós. Por isso, é comum em nossas reuniões de avaliação conversar sobre como estão, atualmente, alunos que já foram de outros professores em anos anteriores. Dessa maneira, estabelecemos relações com os diferentes anos e com sua alfabetização. Conseguimos avaliar o aluno, seu processo de aprendizagem ao longo do Ensino Fundamental e também o desenvolvimento de nossa prática educativa.

Tenho acompanhado mais de perto a evolução da aprendizagem de alguns alunos, em especial dos que alfabetizei no 1º ano e outros de uma turma quase toda alfabetizada no 2º ano. Essa segunda turma sofreu no ano anterior ao meu com uma constante troca de professores, que acabou prejudicando sua aprendizagem.

Muitos desses alunos do 2° ano chegaram com hipótese silábica com valor sonoro, outros na silábica alfabética e menos de cinco alunos eram alfabéticos. Desses alfabéticos, apenas um aluno lia com autonomia. No final do ano, após os projetos e as intervenções pontuais de acordo com a hipótese de cada um, todos avançaram. Foram para o 3° ano dominando a escrita e a leitura. Lá, as questões eram voltadas mais para o entendimento e uso das regras gramaticais e ortográficas, e o desenvolvimento da escrita com criatividade, coerência e etc. Se não fosse feito esse trabalho efetivo e intensivo naquele momento provavelmente muitos desses alunos estariam com dificuldades hoje.

Atualmente, os pequenos estão no 4º ano, e as notícias que recebi da professora foram ótimas: Estão todos muito bem! Não há defasagens em relação a conteúdos, nem lacunas na alfabetização. Todos lêem e escrevem com autonomia! Mas não foi fácil dar conta de tanta aprendizagem em apenas um ano. Com certeza, os projetos especiais de leitura e escrita, a participação dos pais em uma parceria de compromisso, a frequência maciça dos alunos, o apoio da gestão e da coordenação pedagógica fizeram toda a diferença para alcançarmos esses resultados.

Outro fator decisivo foi ter conseguido ficar com eles por mais um ano. No 3º ano, eu já sabia exatamente de onde teria que continuar o trabalho com cada aluno, afinal conhecia a todos. Infelizmente, nem sempre isso é possível para nós professores, principalmente na alfabetização inicial. Isso mostra como temos muito o que discutir a alfabetização até em seus pequenos detalhes. Há professores que não têm sede fixa e trocam de escola várias vezes, ficando em uma a cada ano. Não dá para deixar para trás um trabalho que não poderia ser interrompido. Geralmente isso acontece contra sua vontade, pois dependem do sistema e da regulamentação de cada rede de ensino.

Percebi, nesse processo, que o trabalho com ênfase em produção textual e leitura com autonomia, desde cedo, resulta em alunos mais preparados nos anos sequentes. Sem dúvidas, outro fator que contribui nos bons resultados é o compromisso dos professores dos demais anos na continuidade desse processo de alfabetização, mesmo que seja necessário continuar o processo no 4º ou 5º ano. Somos todos alfabetizadores!

Sinto muito orgulho de meus eternos alunos, pois se esforçaram muito, estudando e dando o seu melhor, para aprender cada vez mais! Para eles e suas famílias o meu parabéns!

E vocês, queridos professores? Como está acontecendo a aprendizagem de seus alunos? É possível acompanhá-los nos outros anos? Você tem conseguido permanecer na mesma escola de um ano para outro? Quais estratégias vocês estão adotando para a continuidade da alfabetização? Conte-nos suas experiências e deixe seu comentário aqui no blog. Vamos usar esse espaço para trocar ideias, opiniões, dúvidas e práticas educativas!

Um grande abraço e até a próxima segunda-feira!

Mara Mansani

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